<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647</id><updated>2012-01-01T00:24:18.535-02:00</updated><category term='playboy'/><category term='Miriam Makeba'/><category term='Cartola'/><category term='Literatura'/><category term='moda'/><category term='Marvin Gaye'/><category term='ile aiye'/><category term='Zumbi'/><category term='racismo'/><category term='futebol'/><category term='AIDS'/><category term='Dee Dee Sharp'/><category term='Stevie Wonder'/><category term='Asha'/><category term='Motown'/><category term='Peter Tosh'/><category term='guerra'/><category term='Musica Brasileira'/><category term='Diamante'/><category term='Nneka'/><category term='Politica Nacional'/><category term='Africa'/><category term='entrevista'/><category term='James Brown'/><category term='Apocalypse Now'/><category term='consciencia negra'/><category term='Marlena Shaw'/><category term='Musica Americana'/><category term='educacao'/><category term='marge simpson'/><category term='The Temptations'/><category term='Cinema'/><category term='Luiz Melodia'/><category term='ile ayie'/><category term='Culinaria'/><category term='televisao'/><category term='Ayo'/><category term='Afropapo'/><category term='FLIP'/><category term='Racionais MCs'/><category term='Jackson Five'/><category term='Bob Marley'/><category term='Asa'/><category term='Wailers'/><category term='cozinha negra'/><category term='Musica'/><category term='design'/><category term='The Supremes'/><category term='Barack Obama'/><category term='manos e minas'/><category term='Politica'/><category term='religiao'/><category term='Musica Africana'/><category term='Amana Melome'/><category term='capoeira'/><category term='Politica Internacional'/><category term='Reggae'/><category term='Eliana Tranchesi'/><title type='text'>Afroências</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>77</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-673815284934414281</id><published>2010-08-09T23:34:00.006-03:00</published><updated>2010-08-10T11:21:33.732-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='consciencia negra'/><title type='text'>O que é do preto, o branco não toma</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/TGC7qgNRV_I/AAAAAAAAAYU/IG4FhbxG6QM/s1600/fist.png"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; WIDTH: 281px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5503605083521243122" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/TGC7qgNRV_I/AAAAAAAAAYU/IG4FhbxG6QM/s400/fist.png" /&gt;&lt;/a&gt;Já percebeu que o branco acha que nossas conquistas são concessão dele? Foi assim até com a abolição. Houve meia dúzia de branco abolicionista, uma princesinha acuada que assinou um papel e pronto: esquece-se levante dos malês, esquece-se Palmares, esquece-se toda a rebeldia negra na Bahia do Século XVII - que incendiava igrejas e prédios públicos, assentava quilombos urbanos e decapitava, à luz do dia, padres, capatazes e policiais. E celebra-se a liberdade em 13 de maio, dia da concessão da princesa. Falar em 20 de novembro feriado ainda soa ofensivo em vários ciclos, alguns até relativamente esclarecidos. Por quê? Porque é uma data que coloca nossa liberdade - ainda em processo de conquista - na esteira histórica da resistência. Sai a princesa boazinha, entra o &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2008/11/as.html"&gt;negrão inflamado&lt;/a&gt;, que invadiu Recife e tentou estabelecer um estado negro separatista dentro do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aposto que tem muita universidade por aí que encara as cotas desse jeito também, como uma bondade feita aos pobres pretos sem acesso a educação. Ignoram que a história remete à resistência dos anos 60. É o black power, que é mais do que cabelo armado, embora cabelo armado tenha muito o que dizer. É preto armado, de punho fechado e - no caso Pantera Negra - doze na mão. Poder para o povo preto é o poder de ter a estética que quiser, a comunidade que quiser, de reger a própria vida e sair das barbas da concessão do branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A síntese maior do black power é o &lt;a href="http://centralhiphop.uol.com.br/site/?url=materias_detalhes.php&amp;amp;id=304" target="_blank"&gt;programa de dez pontos&lt;/a&gt; dos Panteras Negras, que trazia, entre outros itens, propostas como "liberdade incondicional a todos os negros seguros em prisões municipais, estaduais ou federais, porque nenhum deles recebeu julgamento de um júri de iguais", premissa inalienável da Constituição Americana. Ou senão, "queremos que todo negro seja isento do serviço militar" - enquanto não tivermos total cidadania dentro de nossas próprias fronteiras, não temos porque defender essa pátria além mares. Se foi o branco que arrumou a guerra, problema dele: nós não vamos pra lá ser bucha de canhão. Ou ainda mais importante, no caso das cotas, "queremos uma educação para nosso povo que exprima a real natureza dessa sociedade americana decadente. Queremos uma educação que nos ensine nossa verdadeira história e nosso verdadeiro papel na sociedade atual". Esse ponto é o embrião da política de cotas. Afinal, o negro não podia confiar a seu grande algoz a tarefa de trazer à tona "a real natureza da sociedade", logo ele que escravizou, destruiu culturas, ciências, formações políticas e conhecimentos gerais e se miscigenou pelo estupro. Era preciso forçar um mecanismo que obrigasse a formação de professores e profissionais negros, capazes de rever a história e criar novas metodologias e linhas de pesquisa, que trouxessem à tona o papel que foi suprimido por anos de opressão e lavagem cerebral. Era preciso criar cotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os brancos não cederam as cotas aos negros. Assim como no caso da escravidão, a ebulição social chegou a tal ponto que era ceder ou sofrer uma explosão política, social e econômica. Afinal, o negro sempre teve participação econômica importante - a gente é maioria, rapaziada! - e tê-lo fora do mercado de consumo seria crise. Foi o que pensou a Coroa Inglesa quando resolveu abolir o tráfico negreiro: eles precisavam de mercados para seus excedentes industriais e o sistema escravocrata atrapalhava a lógica do novo capitalismo, a lógica da inserção. Só que inserção econômica é uma coisa, inserção política e social significam muito mais do que o dinheiro negro entrando pela cozinha: é negro na sala de estar. Eis porque as cotas são tão duramente combatidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema de aceitarmos o ponto de vista de que nossos espaços políticos são concessões do branco é que isso dá ao branco a premissa de nos tirar espaço a seu bel-prazer. Mais ou menos como &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u300234.shtml" target="_blank"&gt;Hugo Chávez fez com a RCTV&lt;/a&gt; em maio de 2007. Só que ali, queira ou não, era de fato uma concessão do estado, reconhecida juridicamente como tal. E era direito do presidente renovar a concessão ou não, ao término do contrato. Nossas conquistas estão aí para ficar, até que nós mesmos resolvamos revogá-las. Os Estados Unidos vêm abolindo as cotas gradualmente porque, depois de duas gerações sob a imposição da ação afirmativa, os patamares de competição começam a se igualar. Aí, vale o mérito; aí, consolida-se a democracia. Que mérito tem o corredor que vence uma corrida depois de sair cinquenta metros na frente de um adversário que, além de correr descalço, não tem uma perna? É mais ou menos a condição de disputa entre o negro e o branco depois de quinhentos anos de escravidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que hoje vivemos o movimento de uma nova vanguarda. A primeira chegou de cabelo black e punho cerrado e colocou o preto no mapa. A segunda subverteu a lógica capitalista e colocou o preto na frente de tudo que é tendência, tudo que é moda, tudo que é da hora, tudo que é classe A, cabuloso, cavernoso, enfim... A segunda vanguarda foi a vanguarda do rap, que pegou música gravada e gravou em cima e transformou um produto de consumo em um outro produto de consumo - e lucrou mais ainda em cima disso. Foi a vanguarda que trouxe o discurso contundente do passado para a forma de letra e transformou uma atitude negra, agressiva e resistente em fonte de renda, consciência e auto-estima. Mais ou menos como o &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2009/11/ile-aiye-para-abrir-o-mes-da.html"&gt;Ilê Aiyê fez em 74&lt;/a&gt;. Agora, nossa cara é segurar esses espaços. A terceira vanguarda tem a missão de consolidar as conquistas. O branco acha que foi ele que concedeu, acha que ele pode tirar. Não! A conquista é nossa e a gente derruba se - e quando - quiser.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-673815284934414281?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/673815284934414281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=673815284934414281&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/673815284934414281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/673815284934414281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2010/08/o-que-e-do-preto-o-branco-nao-toma.html' title='O que é do preto, o branco não toma'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/TGC7qgNRV_I/AAAAAAAAAYU/IG4FhbxG6QM/s72-c/fist.png' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-1819488745807531734</id><published>2010-08-08T23:58:00.007-03:00</published><updated>2010-08-09T00:52:07.517-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manos e minas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='consciencia negra'/><title type='text'>Manos e Minas está só começando...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/TF9vujVkdWI/AAAAAAAAAYM/1WxHtwLXB8c/s1600/manos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 197px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/TF9vujVkdWI/AAAAAAAAAYM/1WxHtwLXB8c/s400/manos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5503240115220411746" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teve uma época que o Afroências deu uma bombada. Lembram? Gente como &lt;a href="http://www.pedroalexandresanches.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Pedro Alexandre Sanches&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://todoprosa.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Ricardo Soares&lt;/a&gt; dava as caras por aqui, a &lt;a href="http://www.radiolaurbana.com.br/" target="_blank"&gt;Radiola Urbana&lt;/a&gt; do grande amigo Ramiro Zwetsch eventualmente aproveitava &lt;a href="http://www.radiolaurbana.com.br/index.asp?Fuseaction=Conteudo&amp;amp;ParentID=9&amp;amp;Menu=16&amp;amp;Materia=2269" target="_blank"&gt;um texto&lt;/a&gt; ou &lt;a href="http://www.radiolaurbana.com.br/index.asp?Fuseaction=Conteudo&amp;amp;ParentID=4&amp;amp;Menu=Busca&amp;amp;Materia=1567" target="_blank"&gt;outro&lt;/a&gt; do blog. A produção do filme &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/search?q=besouro"&gt;"Besouro"&lt;/a&gt; tentou formar uma parceria comigo e até a &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2009/05/o-papo-de-gloria-coelho-e-demode.html" target="_blank"&gt;Glória Coelho&lt;/a&gt; chegou a pintar por aqui para negar as &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2009/04/gloria-coelho-e-aptidao-do-negro-ao.html"&gt;acusações de racismo&lt;/a&gt; que eu fiz a ela. O Afroências chegou a dar uma agitada, né não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, isso já faz um ano, talvez até um pouco mais. Depois, o &lt;a href="http://www.tvcultura.com.br/metropolis" target="_blank"&gt;trabalho&lt;/a&gt; me engoliu e eu larguei esse nosso espacinho crioulo. Força da circunstância, é verdade. Mas uma circunstância atual me recordou que não podemos atribuir às circunstâncias o arrefecimento de nossas eternas batalhas - essas nunca são circunstaciais. Eu não tenho o direito de abandonar o Afroências - não porque ele seja um grande acréscimo à luta por direitos iguais e consciência negra (não sou tão pretensioso), mas simplesmente porque devemos encampar e fortalecer cada mínima conquista. Se eu tenho a possibilidade de fazer e manter um blog, é minha obrigação e compromisso social fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Certo, negão. Mas até agora, você falou, falou e não disse aonde quer chegar". Bora lá: na semana passada, a cultura negra e periférica sofreu um baque: o "Manos e Minas" foi excluído da grade da TV Cultura, sem que rolasse sequer um comunicado prévio aos profissionais que faziam o programa. Todos souberam da extinção do "Manos e Minas" por uma &lt;a href="http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,-sayad-admite-inchaco-da-tv-cultura--mas-demissoes-serao-avaliadas-caso-a-caso,590497,0.htm" target="_blank"&gt;entrevista&lt;/a&gt; que o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, concedeu ao Estadão. Na mesma conversa, Sayad anunciou o fim do "Login", programa voltado ao público adolescente que estreou neste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Todo respeito ao 'Login'", como disse um amigo. "Mas 'Manos e Minas' é outra fita". É outra fita MESMO. Manos e Minas foi um programa experimental que conseguiu, pela primeira vez, falar de igual para igual ao público negro da periferia. Diretamente: sem intermediários, sem imposições da macro-estrutura branca. Foi um programa que não tentou impor valores sobre essa periferia - que é periférica tanto física quanto representativamente -, mas colocou na tela os valores que A PRÓPRIA PERIFERIA queria expor. E com isso tudo, que pode ser resumido na palavra "respeito", conseguiu penetrar numa parcela da população que responde pela maior parte do mercado consumidor, em números absolutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se faltou sensibilidade no modo de tratar as pessoas - quem é que quer ser demitido pelo jornal? -, faltou ainda mais sensibilidade econômico-administrativa. Por que o rap gringo, que começou como música de protesto, é hoje o maior case de sucesso comercial da indústria da música? Porque lá nos Estados Unidos, presta-se muita atenção a cor de gente, mas não a cor de dinheiro. O alto empresariado de lá entendeu há muito tempo que mercado consumidor é mercado consumidor, tanto faz se é gente preta ou gente branca. Tem viabilidade comercial, está valendo. O fim do Manos e Minas denota que a administração foi incapaz de entender que, pela primeira vez na história, um veículo de mídia aberta conquistou a confiança do filão que mais cresceu nos últimos anos e que mais vai crescer daqui pra frente: o pobre em ascenção. É o sonho de qualquer diretor de marketing. Se não fosse, a Nike não teria dedicado anos de esforço e dinheiro para patrocinar o Racional Mano Brown.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, Mano Brown, notoriamente avesso a inserções midiáticas, conversou com o Manos e Minas e ainda prometeu que os Racionais tocariam no programa número 100. Talvez nem todos tenham dimensão do que isso significa, mas os Racionais moldaram boa parte da identidade negra nesse país - principalmente em São Paulo, claro - e, mais do isso, mostraram a uma multidão mantida à margem da sociedade que todos têm o direito de sonhar. É o que toda e qualquer marca quer vender. Ou você acha que a Coca Cola vende refrigerante? Não, vende o mundo de Coca-Cola, que vai do tênis colorido ao Papai Noel; que a Brahma vende cerveja? Não, vende saúde e mulher gostosa - ainda que álcool em excesso deixe o cara gordo e brocha. O capitalismo na era da imagem, da publicidade, sonha vender sonhos. Como vender sonhos para quem perdeu a capacidade de sonhar, diante da aspereza do mundo? Não dá. Então, a construção de auto-estima que grupos como os Racionais capitanearam e que o Manos e Minas encampou muito bem é a base da solidificação de uma sociedade democrática capitalista. É algo que a TV Cultura falha em ver ao colocar o programa lado a lado com o "Login", por exemplo. Ao tratar levianamente as centenas de pessoas que protestaram contra o fim do programa e receberam uma resposta padrão, que dizia que o tipo de assunto que o Manos trata será aproveitado em uma outra produção. Desculpe, mas quem toma chibatada há 500 anos não abraça resposta padrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem já passou por aqui ou quem já me trombou na rua sabe que eu oscilo ideologicamente entre o socialismo e o anarquismo. Mas qualquer manual capitalista de quinta categoria atesta a viabilidade econômica e social de um "Manos e Minas". E se o argumento humano - a essencial construção da auto-estima da maior parte da população, o reconhecimento da arte dos oprimidos, a compreensão de todo e qualquer brasileiro como parte constituinte e fundamental da nossa sociedade - corre ao largo do que se convencionou chamar de "gestão" e "competência administrativa", que o status quo compreenda a dimensão da conquista econômica que significa o respeito das classes C, D e E.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, ressuscitei o Afroências nesse momento porque a morte do "Manos e Minas" precisa ser alardeada e combatida. E, se o programa de fato morrer - como parece que vai acontecer mesmo - que isso faça ressurgir todos os nossos pequenos focos de resistência. O Afroências volta à ativa hoje para entrar no coro: Salve o "Manos e Minas"! Argumento é o que não falta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-1819488745807531734?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/1819488745807531734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=1819488745807531734&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1819488745807531734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1819488745807531734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2010/08/manos-e-minas-esta-so-comecando.html' title='Manos e Minas está só começando...'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/TF9vujVkdWI/AAAAAAAAAYM/1WxHtwLXB8c/s72-c/manos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-3195736825170461027</id><published>2010-02-08T13:38:00.006-02:00</published><updated>2010-02-08T14:05:32.942-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica'/><title type='text'>Bob Marley não morreu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caríssimos, afroentíssimos leitores. Ó nóis aqui outra vez. Não, eu não falei do Haiti. Não, eu não falei do alagamento. Eu não falei da sucessão presidencial, não falei de nada. O Afroências começou dois mil e dez completamente mudo, coitado. Mas, aos poucos, vou destravando os dedos, a mente e o coração para continuar a dividir com vocês essa experiência maravilhosa que é falar das nossas negrices - ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra começar, como já é tradição, vou falar de Bob Marley. Não que precise de gancho pra isso mas, já que tem, por que não usar? O homem teria feito 65 anos no último sábado e seu último disco completa 30 anos em 2010. Quer dizer, teje enganchado seu Bob Marley. Tão bom voltar à ativa! Salve, meus caros. Feliz 2010 para todo mundo e bora escurecer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/S3Ayd_IKfjI/AAAAAAAAAX0/LPpT6aWHneg/s1600-h/bobmarleyhome.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 166px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/S3Ayd_IKfjI/AAAAAAAAAX0/LPpT6aWHneg/s400/bobmarleyhome.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435900240979459634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bob Marley, em foto de Roger Steffens, 1979&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Bob Marley não morreu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele só mudou de banda, largou a gravadora, foi para a África e toca MPB&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1982, Bob Marley está recuperado do câncer e promete voltar à ativa. Ele havia anunciado, pelo rádio, diretamente da clínica do Dr. Joseph Issels, na Bavária, que em 1981, estaria "de volta na estrada, gravando e se apresentando para os fãs que tanto amamos. Esse é Bob falando com vocês, não tenham dúvida, seen? One love!". Os planos foram um pouco otimistas demais, mas Bob conseguiu se recuperar - com um aninho de atraso. Não tem a magreza cadavérica que delatavam fotos de paparazzo de 1981, mas os dreadlocks dão lugar a uma careca, oculta por uma boina verde, amarela e vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi só o visual que mudou. Depois de 12 anos, ele troca a base rítmica dos Wailers, que agora se apresentam sem Carlton (bateria) e Aston Barett (baixo). Em sua primeira coletiva como popstar pós-câncer, Bob está tranquilo e meditativo, embora mais alerta. Diz que não ter brigado com os companheiros de longa data. "Só estou à procura de um som mais internacional". Isso fica nítido no novo disco - lançado não mais pela Island Records, mas pelo Shout Afrik, seu selo indepentente recém-fundado -, que traz a bossa nova "Pray for me" e uma forte pegada afrobeat, inspirada por Fela Kuti, em faixas como "Jungle fever", "Vexation" e a releitura do velho clássico "Soul Shakedown Party", rebatizado "Shake up". Bob renasceu e está ansioso por desbravar novos mundos. A base não é mais Londres ou Kingston, como sempre, mas Gana. "Montei um estúdio na África para lançar hit atrás de hit", diz, animado. "Then we laugh! (Depois, a gente dá risada)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, não foi isso o que aconteceu. Bob Marley morreu em 11 de maio de 1981, vítima de um câncer no cérebro. Mas se ele estivesse vivo para completar 65 anos neste sábado, 6 de feveiro, a história acima bem poderia ser verdade. Conta Marco Virgona, um dos fundadores da &lt;a href="http://www.bobmarleymagazine.com/" target="_blank"&gt;&lt;b&gt;Bob Marley Magazine&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; - maior fonte de informação sobre o Rei do Reggae na internet - "que muita gente diz que Bob, em 1980, queria mudar seu som, trocar alguns membros da banda e a gravadora para a qual trabalhava. Poderia ter pintado uma série de novidades em 1981". "Pray for Me", a bossa do disco hipotético, de fato existe, embora nunca tenha sido lançada oficialmente. Ela foi encontrada num baú na casa de Cedella Booker, mãe de Bob, pelo colecionador, jornalista e historiador do reggae Roger Steffens. "Ele estava definitivamente olhando além", conta Steffens em uma entrevista por e-mail, concedida ao !ObaOba numa pausa de sua rotina de apresentações multimídia sobre a vida de Bob Marley. "Ele explorou todos os tipos de música ao longo de sua carreira. Não tenho dúvida de que ele exploraria o afrobeat de Fela Kuti bem como outros ritmos africanos e internacionais". O funk "Vexation" surgiu do mesmo baú e uma versão do afrobeat "Jungle Fever" circula entre colecionadores, oriunda da mesma sessão de estúdio que, em 1979, gerou a famosa "Could you be loved", de nítidos ecos funkeiros.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.google.com/reader/ui/3247397568-audio-player.swf?audioUrl=http://dl.dropbox.com/u/1120025/Bob%20Marley%20-%2008%20Pray%20For%20Me.mp3" allowscriptaccess="never" quality="best" bgcolor="#6074AB" wmode="window" flashvars="playerMode=embedded" height="27" width="400"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ouça aqui "Pray for Me", a bossa que Bob fez no Brasil&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;"Could you be loved" aliás, foi outro sintoma do que estava por vir. Ela pintou no último álbum de estúdio de Bob Marley, Uprising, que completa 30 anos em 2010, e embora persistisse na guitarrinha abafada que marca o contratempo de qualquer reggae, começava em afrobeat com um presente aos ouvidos mais atentos: uma cuíca. Sim, Bob esteve no Brasil pouco antes do lançamento do álbum e, além de jogar futebol com Chico Buarque, ensinar um cozinheiro de Copacabana a fazer sashimi e tietar Paulo César Caju, ele se deliciou pelas lojas de instrumentos. Voltou para a Jamaica de mala e cuíca. E pandeiro. E agogô. E tamborim. E berimbau. E... Uma vontade louca de mudar o som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/S3Azo5-FkAI/AAAAAAAAAX8/eApaHSmMeF0/s1600-h/bobreja.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 275px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/S3Azo5-FkAI/AAAAAAAAAX8/eApaHSmMeF0/s400/bobreja.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435901528085204994" border="3" /&gt;&lt;/a&gt;Uprising já estava pronto para sair do forno e seria diferente de tudo o que Bob havia feito em sua carreira. Mas essa viagem deixou o homem com uma pulga atrás da orelha. Na onda do que "poderia ter sido, mas não foi" que acompanha esse texto, Bob quase fez um showzinho voz e violão para os sortudos que estavam numa festa no Morro da Urca. Entre eles, Zezé Motta, Luiz Melodia, Marina Lima e Moraes Moreira. Só Jah sabe o que poderia ter saído dessa jam session. Não rolou porque Bob, embora fosse contratado da Island, veio ao Brasil a convite da BMG/Ariola. Daí a ideia de que ele poderia se tornar independente e tocar onde quisesse, quando quisesse. Na África, principalmente. "Definitivamente, o futuro dele era na África, para onde ele ansiava tanto por retornar", acredita Roger Steffens, que conviveu com Bob durante a turnê Survival, em 1979. "Mas ele ficou terrivelmente aborrecido com que viu em sua única visita à Etiópia, em 1978. Então, não há como dizer em que lugar da África ele teria ido parar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a África era um sonho distante e o melancólico Bob Marley de 1980 sabia disso. O guitarrista Junior Marvin que o diga. Depois de uma breve sessão de estúdio, ele desplugou a guitarra e ia saindo quando ouviu Bob Marley dizer calmamente: "Não saia. Eu não tenho muito tempo". Essa história está no livro Catch a fire, do jornalista americano Timothy White. Parêntese necessário: se você procurar por Catch a fire no Brasil, não encontrará, já que a editora teve a infeliz ideia de traduzir o título para Queimando tudo, que nada tem a ver com o termo original. A expressão "Catch a fire" poderia ser traduzida como "Estou p... da vida". Voltando a 1980: Steffens acredita que o álbum fala basicamente da morte. "Bob era um profeta e sabia que não viveria muito mais. Seu último álbum foi repleto de presságios e despedidas, da visão do trem do Sião (´Zion Train´) vindo em sua direção, a ´Bad Card´, ´We and Dem´ e ´Real Situation´" - em que, contrariando o otimismo que lhe era peculiar, Bob diz que a "total destruição é a única solução". Para preencher o muro das lamentações, Uprising traz "Work" - faixa que, curiosamente, encerrou seu último show -, em que há uma contagem regressiva: "Five days to go, working for the next day, four days to go, three days to go... (Cinco dias para acabar, trabalhando para o próximo dia, quatro dias para acabar...)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso tudo, é claro, são apenas suposições. Afinal, Bob não está aqui para comemorar seus 65 anos e, se Uprising foi uma despedida, ele nos deu tchau há 30 anos. Sobram a mensagem, o legado e, é claro, as especulações das mentes férteis dos fãs.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-3195736825170461027?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/3195736825170461027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=3195736825170461027&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3195736825170461027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3195736825170461027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2010/02/bob-marley-nao-morreu.html' title='Bob Marley não morreu'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/S3Ayd_IKfjI/AAAAAAAAAX0/LPpT6aWHneg/s72-c/bobmarleyhome.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-852601667950384233</id><published>2009-12-14T15:07:00.021-02:00</published><updated>2009-12-14T20:31:41.091-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Afropapo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica'/><title type='text'>Chama o síndico: Tim Maia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, isso não é uma sessão espírita, nem um encontro extraterreno preparado pelo Racional Superior. Muito menos uma viagem triatlética de baurets com brizola e goró. O Afroências orgulhosamente apresenta uma entrevista inédita com o mestre do soul brasileiro, Tim Maia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SyagX2ChnEI/AAAAAAAAAXM/WFoWcUkRBp8/s1600-h/voltou+clarear+autografado.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 373px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SyagX2ChnEI/AAAAAAAAAXM/WFoWcUkRBp8/s400/voltou+clarear+autografado.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415191933463141442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Voltou Clarear", autografado no Rio, em 28 de abril&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse papo entre Tim, Marcio Gaspar e Lauro Lisboa Garcia rolou em São Paulo, curiosamente às nove da manhã de 28 de maio de 1995. À época, Marcio escrevia para a efêmera revista de música Qualis, tão efêmera que não sobreviveu até a publicação da entrevista; Lauro reportava para o Jornal da Tarde e publicou uma materinha sobre o assunto. Curta, infelizmente, porque Tim Maia andava meio "quatro-quatro-meia" (gíria dele mesmo, "uma fração, que não chega a ser cinco") no mercado. Tinha acabado de lançar "Voltou Clarear", um disco a la Tim Maia, meio "mela-cueca", meio "esquenta-sovaco", mas tachado imediatamente de brega. E estava numa onda esquisita - pra variar - chamada Nova Era Glacial. Dizia que o mundo, ao contrário do que imaginavam alguns cientistas, estava esfriando. Havia até feito um disco dedicado a essa ideia. Bom, disco é exagero: tinha o nome de "Nova era glacial", uma música falando do assunto e fim de papo. O resto era o bom e velho Tim, mezza romântico, mezza dançante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pouco se sabe sobre a entrevista. Nenhum dos dois lembra direito. Marcio conta que Tim recebeu os repórteres vestido em um agasalho esportivo azul-turquesa. Só. E, embora a fita - que recuperei com árduo esforço - esteja datada de 28 de maio, encontrei uma cópia de "Voltou Clarear", com autógrafo e dedicatória ao Marcio, escritos no Rio de Janeiro, em 28 de abril. Pelo menos é o que diz o manuscrito espalhafatoso de Tim. Marcio jura de pé junto que não esteve no Rio em abril de 1995, muito menos com Tim Maia. De repente, o síndico esqueceu que estava num apart hotel de São Paulo, um mês adiante. Ou senão foram seres intraterrenos, extraterrenos ou mesmo lunares que misturaram essa entrevista no tempo. Talvez seja efeito do esfriamento global ou culpa de algum ETA (Explorador de Talento Alheio em Tim Maiês) safado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas chega de lero-lero. Curta o áudio da entrevista na íntegra abaixo. Para ouvir os trechos, basta clicar no ícone "play" dos tocadores, depois que a barrinha de tempo ficar cinza. Para ler a conversa na íntegra, corra às bancas e compre a &lt;a href="http://www.revistabrasileiros.com.br/" target="_blank"&gt;&lt;b&gt;Revista Brasileiros&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; - sim, o Afroências entrou na era das parcerias. Aperte os cintos e boa viagem; você está entrando no mundo de Tim Maia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Importante&lt;/span&gt;: o plugin de áudio funciona melhor no &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://www.mozilla.com/pt-BR/firefox/" target="_blank"&gt;Firefox&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Galo velho empoleira cedo&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32270481.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32270481.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora gostasse de dizer o contrário - neste trecho, por exemplo - Tim Maia não era muito de acordar cedo. Ou não dormia, ou acordava a qualquer hora. E quando aparecia cedo, era problema, como conta o empresário André Midani em seu livro "Música, ídolos e poder - do vinil ao download". As duas vezes em que aparecem os hábitos matinais do síndico são catastróficas: numa, uma ameaça de morte, reação ao disco do Casseta &amp;amp; Planeta "Preto com um buraco no meio" ("se você não retirar essa merda do mercado, vai ter um francês com um buraco no meio da testa"); na outra, uma ligação de Nova York, cancelando um contrato de gravação com ninguém menos que os lendários J.B.s, banda de James Brown. Depois de gravadas bases do mais fino funk, Tim resolveu que não gravaria voz nenhuma se não recebesse um "levado" extra ("Se não me der esse dinheiro, você pode fazer o que quiser com essas bases. Inclusive..."). Mesmo assim, Tim Maia gostava de dizer que acordava cedo. Mais do que isso, se definia como um cara que acordava cedo. Em uma entrevista clássica à revista Playboy, em julho de 1991, disse que Tim Maia "é um sujeito que, em vez de estar dormindo com uma Miss Brasil maravilhosa até as 9 da manhã, acorda às 6h43 com uma prostituta que sai correndo e ainda leva quinzinho".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Os reis do grilo&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32270598.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32270598.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SyagnGiTfRI/AAAAAAAAAXU/TnsJjOq4qnA/s1600-h/velhos+camaradas.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 308px; height: 306px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SyagnGiTfRI/AAAAAAAAAXU/TnsJjOq4qnA/s400/velhos+camaradas.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415192195589438738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tim Maia, Cassiano e Hyldon foram o "segundo time", como diz o próprio Tim nesta entrevista. Isso porque o primeiro foi aquele que surgiu na Haddock Lobo esquina com Matoso - esquina que aliás, virou música no disco "Nuvens" -, quando Tim Maia (na época, só Tião), Roberto e Erasmo Carlos brincavam de tocar bossas e rocks em pseudo-inglês. Mas o primeiro tinha pouco de time. Tim vivia dizendo que os outros o sacanearam sempre que puderam. Mais pra frente nessa entrevista, diz inclusive que Roberto lhe deu botas dois números menores que seu pé naquelas primeiras apresentações de TV da Jovem Guarda. Com Hyldon e Cassiano foi bem diferente: até onde se sabe, Tim não teve nenhuma rusga com eles, embora tenha detestado a capa de "Tim Maia, Cassiano e Hyldon - Velhos camaradas", reproduzida aí ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Persona non grata&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32270707.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32270707.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem é preciso dizer que Tim Maia era um cara inconstante. Reza a lenda que foi banido da TV Globo depois de marcar uma participação no Domingão do Faustão e sumir sem dar satisfação - perdoem a rima pobre. Mas os problemas vinham desde os tempos da Cultura Racional, quando ele se apresentava todo de branco, cercado de gente também de branco, propagandeando uma seita preparatória para a chegada dos ETs. Um pouco demais para a Globo. Marcio Gaspar, um dos autores dessa entrevista, foi encarregado pela Warner Music de tentar uma reaproximação entre Tim Maia e a Globo. Marcou uma visita de Tim ao Projac. Viajou para o Rio de Janeiro. Chegou ao aeroporto Santos Dummont, ligou pro síndico: "Tim, tô aí em 20 minutos". "Pode vir", ecoou o trovão do outro lado. Em 20 minutos, caminhava pela lendária rua Vitória Régia. Tocou a campainha, atendeu um carinha qualquer. "Tim Maia não está". "Como não está? Falei com ele agora há pouco". Marcio deu uma espiadela pra dentro e viu Tim sentado numa varanda. "Pô, tô vendo ele ali. Ô Tim!". Tim nem levantou os olhos. Disse só: "Não vou fazer porra nenhuma. Solta os cachorros atrás desse filho da puta". Dito e feito - Marcio saiu correndo, pulou um muro e quase matou do coração uma pobre senhora ao entrar desarvorado pela cozinha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jabaculê é que nem chifre...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32270953.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32270953.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;...todo mundo tem, mas ninguém quer dizer. Pois é, só que o Tim Maia falava e eu, pra falar a verdade, também vou falar. Quando trabalhava com assessoria de imprensa de artistas, pude ver de perto como a prática dos subornos a DJs e programadores de rádio molda o mercado. A começar pelos divulgadores específicos. Enquanto basicamente qualquer pessoa pode divulgar um artista para imprensa ou televisão - com mais ou menos sucesso, dependendo do poder de barganha e da lábia -, é preciso ser um certo tipo de negociador astuto para fazer divulgação em rádio. Um tipo de negociador que carrega uma mala. O jabá não só existe, como é a moeda do mercado. Tem emissora que emite até nota fiscal da tal "taxa de divulgação". Tem bandinha da moda aí que desembolsou R$ 7 mil por uma semana de execução numa grande rádio de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Caçulinha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271050.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271050.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João Gilberto, extremamente bem-humorado, tocou o mais fino de seu repertório. Tocou "Rosinha", "Isaura", "Palpite infeliz", "Corcovado", tudo; chegou até a convidar o público a pedir músicas. E, pasmem: acatou as sugestões. Um show lindíssimo. Mas quem aguçou os ouvidos ficou com a pulga atrás da orelha. Era viagem ou havia um tênue som de piano acompanhando os acordes do violão de João? Parecia que um pianinho baixinho, um playback inspirado acompanhava o show todo. Mas não era possível que o playback pudesse acompanhar - e muito bem, diga-se de passagem - até os ensejos da plateia. Ao finalzinho de "Aquarela do Brasil", já no segundo bis, uma cortina à direita do palco se abriu e revelou o genial Caçulinha, talentoso a ponto de acompanhar João Gilberto numa noite inspirada. Não era a toa que Tim Maia andava tão injuriado com Fausto Silva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mais grave, mais retorno, mais tudo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271234.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271234.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quisesse ver um técnico de som tremer igual vara verde, bastava dizer que Tim Maia tocaria na casa. Dono do tal ouvido absoluto, Tim fazia questão de que o som entrasse no eixo. E não bastava que soasse bem - tinha que soar como as big bands americanas de soul. Os metais deveriam ficar claros e bem-definidos, sem entretanto atrapalhar os backing vocals, cuja timbragem era semelhante. O baixo deveria soar grave, no exato tom do bumbo da bateria, enquanto as guitarras e teclados dividiam o campo dos agudos sem nunca se sobrepor uns aos outros. Instrumentos percussivos deveriam ter tonalidades específicas que servissem não apenas para enfeitar o som, mas para marcar a cozinha rítmica. Por fim, a voz do próprio Tim deveria soar clara e nítida, sobressalente no campo sonoro, mas sem ofuscar nenhum instrumento. E ele só queria era que tudo isso aparecesse no retorno. Pô, é pedir demais?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Músico, advogado e pedreiro é foda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271337.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271337.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta entrevista, Tim acabou absolvendo o pedreiro. Talvez porque seu contato com músico e advogado fosse mais constante. Um levava ao outro, já que era praxe entre os músicos que saíam da Vitória Régia processar Tim Maia. Embora ele próprio se dissesse vítima de conspirações absurdas de gente inescrupulosa, não dá pra tirar dessa gente todos os motivos. Por exemplo, na biografia "Vale Tudo", o jornalista, produtor e compositor Nelson Motta conta que Tim pagava quem queria, quando queria e até como queria. Ele adorava o slogan "Vitória Régia - a única que paga aos domingos após as 21 horas". Mas era só um slogan. Teve um certo músico que foi buscar seu levadinho e saiu com duzentos gramas de fumo. "Pô, esse é do bom, mermão!", argumentou o síndico. "Mas eu não fumo, Tim..."; "Quem falou que é pra fumar? Isso aí é dinheiro. Tu vende e fica com a grana!"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;50 mescalinas e uma religião&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271569.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271569.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gilberto Gil partiu para a macrobiótica, Caetano Veloso, paz, amor e liberdade, Roberto Carlos virou beato, os Mutantes pegaram seu cometa e partiram para país dos baurets. Tim Maia cortou barba e bigode, largou misto quente (skank com haxixe), goró (bebida) e brizola (cocaína), jogou todos os brinquedos dos filhos no lixo, doou os móveis da casa, se vestiu de branco e foi esperar pela chegada dos seres extraterrenos. Era a tal da Cultura Racional, uma seita mística encabeçada por Manoel Jacintho Coelho, que prometia - em livros herméticos de tão mal escritos - preparar os homens para o encontro com o Racional Superior, uma espécie de força criadora independente e antagônica à matéria. Pela primeira vez, Tim Maia revela que entrou na "fase mística" depois de tomar 50 mescalinas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pararraio de pilantra&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271671.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271671.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Empresários musicais, donos de gravadoras, programadores de rádio, músicos, prostitutas, traficantes. Tinha toda espécie de gente querendo tirar uma casquinha do Tim Maia. Em entrevista à Playboy, Tim conta que certa vez recebeu um telefonema de uma moça, que disse: "Nasceu! Mas ela está fraquinha a nenenzinha, coitada". Tomou um susto: "Nasceu o que, se a gente nunca transou?". E ouviu a história insólita: "Sabe aquele carinho que eu te fiz com a mão? Então, peguei 'o negócio' e botei 'lá'". Outro susto: "Que negócio, minha filha?"; "O esperma".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Os ETs e o esfriamento global&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271777.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271777.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Syah4bnMolI/AAAAAAAAAXk/eLhRPmmC0ow/s1600-h/tim+maia+nova+era.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 213px; height: 222px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Syah4bnMolI/AAAAAAAAAXk/eLhRPmmC0ow/s400/tim+maia+nova+era.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415193592816509522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Enquanto o mundo começava a se preocupar com o efeito estufa e o aumento geral da temperatura da Terra, o visionário Tim Maia preparava os casacos para uma nova era glacial. Se os cientistas acreditavam que a humanidade já havia encarado um congelamento, Tim Maia garantia que já passavam de quatro. Ou mais. Ele também alertava para a existência de seres extra e intraterrenos - os lunares, brancos porque nunca viam o sol -, gente do futuro vivendo entre nós e até mesmo um motel para ETs, que ficava numa imensa propriedade rural em Nova Iguaçu. Isso porque seu interesse era apenas na ufologia, "o estudo de uma coisa que ninguém sabe o que é". Talvez venha daí o lema filosófico que Tim propagou até o fim da vida: "Tudo é tudo e nada é nada".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sai "I love you", entra "Leia o livro"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271850.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271850.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Boa parte das músicas que entraram nos dois volumes de Tim Maia Racional já havia sido composta previamente. Mas, para entrar no disco, por ordem de Manoel Jacintho Coelho, as letras tiveram de ser reescritas, sob a ótica absurda do Racional Superior. Os temas de festa "We're gonna rule the world" e "Que beleza" ganharam estrofes messiânicas como "Read the book Universe in Desenchantment" e "Leia o livro e você saberá a verdade". Até a história do bêbado regenerado de "Bom senso" ("Já fiz muita coisa errada/Já pedi ajuda/Já dormi na rua") se "racionalizou". Até a hora em que Tim Maia caiu na real e largou o Racional do mesmo jeito que aderiu a ele: da noite pro dia sem explicar nada para ninguém.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;These are the songs&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271942.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32271942.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com 19 anos, morando nos Estados Unidos, Tim Maia tinha um inglês impecável, sem qualquer sotaque que denunciasse a origem tupiniquim. No máximo, achariam um resquiciozinho de Bronx, Brooklin ou outra periferia negra de Nova York. Tanto que, frequentemente, conseguia acertar aluguéis de quartos por telefone - tarefa inglória para latinos. O problema era que não importava quão bom fosse o inglês; quando chegava aquele preto gordinho de cabelo alisado, a coisa ficava esquisita. E ele ouvia todo tipo de bizarrice: "O quarto acabou de ser alugado", "há uma goteira sobre a cama", "alguém acabou de ser assassinado lá". Mas, na volta ao Brasil, o inglês virou um trunfo do qual Tim Maia se orgulhou até o fim da vida. O pessoalzinho da Jovem Guarda era muito bom, obrigado, mas todo mundo cantava rock em português - ninguém arriscava encarar o inglês. Exceto o Tim. Quando ele partiu para a bossa nova, resolveu cantar em inglês. Não que não gostasse das letras em português; gostava até mais do que em inglês - sempre achou esnobe esse negócio de "Quiet nights of quiet stars". Mas queria porque queria sacanear João Gilberto. Para ele, "um ótimo cantor que não canta porra nenhuma".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tombo na chola&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272045.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272045.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Final dos anos 60, comecinho dos 70. André Midani estava atrás de um artista à espera de ser descoberto, um gênio escondido por aí, com um som ao mesmo tempo original e vendável. Queria um diamante bruto. Foi atrás dos Mutantes: "Tem um tal de Tim Maia, muito louco, mas genial". Perguntou pro Erasmo: "Tem que conhecer o Tim Maia, muito louco, mas genial". Caçou o tal do Tim Maia e encontrou a figura - gordinho invocado, antes conhecido como Tião Marmiteiro, porque carregava as marmitas que seu pai preparava e dava conta de devorá-las antes da entrega. Assinou um contrato de gravação com o cara, ele entrou no estúdio e saiu com "Primavera", sucesso absoluto. E abandonou o alisamento a base de queimadura, que ele mesmo chamava de "tombo na chola".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Elis, Marisa e regravações&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272146.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272146.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reza a lenda que a música "Chocolate" é uma declaração de amor à maconha. Tim Maia nunca confirmou o boato. Afinal, ele não bebia, não fumava, não cheirava. Só mentia um pouquinho. Mas ele ficou pê da vida quando viu Marisa Monte escancarar a apologia em sua versão. Para ele, quando ela cantou "Não quero cocaína, me liguei no chocolate", feriu o espírito da música. Coisa que Elis Regina jamais faria. Elis era perfeita, não exagerava, não errava, não era fraca, tinha emoção forte, sabia se expressar, tinha cabeça boa. E mesmo quando entrava em disputas musicais - como nos casos do dueto com Hermeto Pascoal, no Festival de Montreux; e na clássica parceria com o próprio Tim, em "These are the songs" -, era elegante e precisa. Ah, como Tim Maia queria ter cantado mais com ela...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SyahCMxosOI/AAAAAAAAAXc/zSsLn5La6q4/s1600-h/tim+maia+divulgacao+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 246px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SyahCMxosOI/AAAAAAAAAXc/zSsLn5La6q4/s400/tim+maia+divulgacao+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415192661120823522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tim, em foto de divulgação do "Nova Era Glacial"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vende mais porque é fresquinho ou...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272232.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272232.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Erasmo disse ter comido mais de mil mulheres. Roberto deve estar por aí. Erasmo ganhou milhões - torrou vários outros milhões. Roberto ganhou milhões e transformou em bilhões. Tim Maia não comeu tanto, não ganhou tanto. Mas ainda ficou melhor do que os grilos Cassiano e Hyldon. Por que uma turma se deu bem e a outra nem tanto? Tim Maia não sabe, mas repara em algumas "curiosidades" acerca dos velhos companheiros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vovôs na pista&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272311.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272311.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1995, Jorge Ben Jor embarcou para Nova York e trouxe na bagagem o disco "Ben Jor World Dance", além de um novo bonezinho virado para trás. Embaixo de cada música, havia legendas como "club dance version" e "radio version", mas as músicas eram as de sempre: "Fio Maravilha", "País tropical", "Taj Mahal" etc. A diferença eram as batidonas eletrônicas. Lulu Santos também entrou numas de fazer dance e trocou a guitarra pelo batidão. Tim Maia continuou Tim Maia, alternando mela-cueca com esquenta-sovaco, mas ganhou a pecha de brega. Pelo menos pode se orgulhar de não ter virado um velho tentando passar por menino. Teve gente que até mentiu a idade!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rap calango&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272383.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272383.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na Jamaica dos anos 60, nenhuma gravadora se atrevia a lançar artistas de reggae, muito menos rastafáris. Por isso, todo mundo saía em compacto simples - desde gente muito grande como Bob Marley e Jimmy Cliff até artistas menos famosos como Lloyd Parks e Jackie Opel. Enquanto um lado do disco tocava a música completa, com harmonia e vocais, no B, os produtores colocavam instrumentais viajandões para o povo curtir enfumaçado de ganja. Era assim, até que um ou outro DJ teve a ideia de animar a festa improvisando rimas sobre as bases de dub. Surgiu o ritmo e poesia, surgiram os MCs e o povo começou a acelerar as rimas. Os primeiros passos do rap nacional seguiram as pegadas da rima americana e não das raizes jamaicanas. Por isso, Tim Maia desce o pau no rap e no funk. Para ele, um calanguinho vagabundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Triatlo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272450.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272450.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tim Maia não sabia nada de droga. Afinal, como a gente já disse lá em cima, ele não fumava, não bebia e não cheirava. Só mentia um pouquinho. E, quando não mentia, parecia mentira. Era triatleta profissional. Não, natação, ciclismo e corrida não passavam nem perto do cantor de 160 quilos. O triatlo dele consistia em uísque, maconha e cocaína em quantidades exorbitantes. Mas nada descontrolado: a brizola era de primeira linha; a maconha, apelidada de misto quente, era uma mistura insólita de skank e haxixe; e o uísque, só de 12 anos para cima. E houve fases em que iam cinco garrafas em três dias. Pelo menos, o Tim Maia só bebia quando fazia shows ou andava de avião.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Roberto, Erasmo e Ed Motta? Não conheço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" id="audioPalPlayer" data="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272536.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false" height="45" width="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="movie" value="http://content.oddcast.com/host/audiopal/swf/workshop_player_shell.swf?mId=32272536.1&amp;amp;doorId=427&amp;amp;ds=http://host-d.oddcast.com/&amp;amp;playOnLoad=false"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="allownetworking" value="all"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="base" value="/swf/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#e8e9e3"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="height" value="45"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="width" value="167"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre que perguntavam a Tim Maia se ele gostava do Roberto Carlos, ele lançava um claro e retumbante "não". A mágoa vem desde os tempos de Jovem Guarda, quando o Tião Maconheiro - que largou a marmita tão logo se apaixonou pela cannabis - voltou deportado dos Estados Unidos, depois de "uma etapa" de oito meses em cana gringa. Tim precisava de um apoio dos velhos colegas, de uma forcinha para se levantar. Ela não veio. Tim não conseguiu se juntar a turma que, de acordo com ele, "tinha medo da revolução do soul", e, quando conseguiu, entrou no palco com botinhas dois números menor que seu pé, que o deixava ainda mais desengonçado, mais desajeitado e mais inseguro. Erasmo, o Tremendão, era boa gente, mas sempre manteve uma certa distância - "Nem conheço os filhos dele". E por falar em não conhecer, Tim teve um herdeiro "meio quatro-quatro-meia": Ed Motta, cantor jovem e talentoso de 150 quilos, mas que curtia falar mal do tio. Talvez não tanto quanto o tio curtia falar mal dele. Mas Tim Maia é Tim Maia, né?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SyaiQYlDAcI/AAAAAAAAAXs/tekGtcWbJcU/s1600-h/Tim+Maia+divulgacao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 393px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SyaiQYlDAcI/AAAAAAAAAXs/tekGtcWbJcU/s400/Tim+Maia+divulgacao.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415194004319044034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tim Maia, em foto de Divulgação do "Nova era glacial"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-852601667950384233?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/852601667950384233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=852601667950384233&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/852601667950384233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/852601667950384233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/12/chama-o-sindico-tim-maia.html' title='Chama o síndico: Tim Maia'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SyagX2ChnEI/AAAAAAAAAXM/WFoWcUkRBp8/s72-c/voltou+clarear+autografado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-5567255180489564588</id><published>2009-12-07T16:48:00.004-02:00</published><updated>2009-12-11T13:35:08.449-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>Andrade, mais um primeiro negro a...</title><content type='html'>Estereótipos. Nossos maiores inimigos são os estereótipos. Na autobiografia de Malcolm X, escrita por Alex Haley, há uma passagem muito interessante sobre estereótipos. Malcolm, então Little, então estudante do primeiro grau, fala a um professor que sonha ser advogado. Ele é um dos melhores da turma do colégio, de maioria branca. O professor pede que ele fique depois da aula e desestimula a ideia. "Por que você não escolhe ser marceneiro, mecânico, atleta, músico, garçom...? São todas boas profissões, exercidas por gente honesta. E são mais adequadas a sua raça. Os negros têm mãos grandes, enorme habilidade física, são de fato privilegiados. E isso é muito bom, algo de que você deveria se orgulhar. Por que tentar ser advogado?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sx1OQgxCfUI/AAAAAAAAAWw/4glnKVUKiRo/s1600-h/MALCOLM+X+MUGSHOT.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 254px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sx1OQgxCfUI/AAAAAAAAAWw/4glnKVUKiRo/s400/MALCOLM+X+MUGSHOT.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412568372749696322" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Malcolm X, depois de cumprir os desígnios da raça&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O discurso soa absurdo. "Que coisa racista!", pensamos, acostumados a nossa experiência empírica de que não há componentes raciais que determinem o que alguém pode ou não fazer. Pois é. Mas se pegarmos a prática, os mínimos cargos de comando são reservados aos brancos. Já que o futebol explica o mundo, como diria o jornalista americano Franklin Foer, é nele que caço exemplos dessa terrível verdade. Dizem que um bom time começa com um bom goleiro. Afinal, o goleiro não é simplesmente o cara que tem o privilégio das mãos - em terra de pé, quem tem mão é rei -; o goleiro é o princípio organizacional de um time de futebol. Ele orienta a defesa, ele tem a visão máxima do jogo, ele define se um time avança ou recua. O goleiro tem mais tempo para observar do que os outros jogadores, já que sua participação com a bola dominada é limitada a situações extremas. O goleiro é uma extensão do técnico em campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro do futebol de 1950 - que frase ridícula, né? Mas é verdade, não saberia comensurar quanto o jogo evoluiu ou mudou de lá pra cá. Mas sei que a seleção brasileira tinha o goleiro negro Barbosa, que entrou para a história como o vilão do Maracanazzo. Já vi o lance do gol de Gigghia - aquele que calou 200 mil pessoas no Maracanã - milhares de vezes e juro que não consigo enxergar a falha clamorosa de Barbosa. Mas ele morreu idoso, ainda se desculpando por ser o maior vilão da história futebolística brasileira. Se a tragédia pessoal de Barbosa não é suficientemente comovente, basta olharmos para seu impacto social. Foram precisos 56 anos para que outro goleiro negro voltasse a defender a meta da seleção brasileira. Dida foi o cara. Ao longo deste tempo, no Brasil da democracia racial, ninguém falava, como o professor de Malcolm X, que os negros eram inaptos a esse cargo pseudo-intelectual. Mas não deram a nenhum a oportunidade de refutar a tese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sx1OvV5NdCI/AAAAAAAAAW4/76DhtqFul7Q/s1600-h/Barbosa1950.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 260px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sx1OvV5NdCI/AAAAAAAAAW4/76DhtqFul7Q/s400/Barbosa1950.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412568902407124002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Barbosa toma o gol que decreta fracasso brasileiro em 1950&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Se o cargo de goleiro - extensão campal do técnico - já esbarra no estereótipo, que dirá o de técnico propriamente dito. Ontem, pela primeira vez, um técnico negro foi campeão brasileiro. Brasileiro, não alemão. Brasil, sabe? Aquele país que tem dois terços de população negra? Pois é: neste modo de Brasileirão, que acontece desde 1971, nunca houve um técnico negro campeão. Andrade, do Flamengo, é o primeiro. É a queda do estereótipo de que o negro não tem competência para o trabalho intelectual? Não. Ainda não. Mas, cada exceção que aparece faz com que a próxima seja um pouco menos exceção. Até que o estranho vire normal. Aí sim, temos uma verdadeira conquista social rumo à igualdade. Então, parabéns ao Andrade por essa conquista, maior até do que a de Campeão Brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sx1O_43ijXI/AAAAAAAAAXA/aKjkNhD91LE/s1600-h/Andrade.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sx1O_43ijXI/AAAAAAAAAXA/aKjkNhD91LE/s400/Andrade.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412569186673266034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Andrade, uma vez Flamengo...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-5567255180489564588?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/5567255180489564588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=5567255180489564588&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5567255180489564588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5567255180489564588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/12/andrade-mais-um-primeiro-negro.html' title='Andrade, mais um primeiro negro a...'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sx1OQgxCfUI/AAAAAAAAAWw/4glnKVUKiRo/s72-c/MALCOLM+X+MUGSHOT.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-8741999619882936382</id><published>2009-11-27T15:51:00.004-02:00</published><updated>2009-11-27T16:22:12.823-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reggae'/><title type='text'>(Vídeo) Afropapo com Steel Pulse</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SxASoYZ5DpI/AAAAAAAAAWo/SBtOt16bCl8/s1600/David+Hinds.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 319px; height: 354px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SxASoYZ5DpI/AAAAAAAAAWo/SBtOt16bCl8/s400/David+Hinds.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408843637427080850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Foi só deixar o saguão do aeroporto Santos Dumont, na sempre maravilhosa cidade do Rio de Janeiro, que o &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.steelpulse.com/" target="_blank"&gt;Steel Pulse&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; veio à cabeça: "You can’t stand the heat (você não aguenta o calor)". A letra dessa faixa de 1989, gravada sob encomenda para a trilha de &lt;i&gt;Faça a coisa certa&lt;/i&gt;, de Spike Lee, martelava a cabeça como o sol, culpado pelos 42 graus que marcava o termômetro. Em São Paulo, Marina havia lembrado um outro som dos caras, "Drug Squad". É que, ao passar pelos detectores de metal, ela cantarolou: "Ain't got nothing to declare! (não tenho nada a declarar)".&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Embora tivéssemos tempo, afligia-me o fato de não ter uma pauta completa. Dentro de algumas horas, tinha de ter na ponta da língua uma breve entrevista com o Steel Pulse. O problema era justamente o "breve". Os caras têm 35 anos de carreira, já dividiram palco com Bob Marley e Stevie Wonder (só para ficar na superfície), tocaram em toda parte do mundo, levantaram diversas bandeiras de consciência negra, resgataram heróis como Steve Biko (revolucionário sul-africano) e George Jackson (pantera negra), gravaram quase 20 álbuns impecáveis e estão em estúdio pra fazer mais um. Para piorar (ou melhorar), era 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Quer dizer, um dia inteiro não esgotaria o papo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E havia mais um agravante: o fato de eu ser fã de carteirinha da banda. Quem trabalha com isso sabe como é complicado entrevistar ídolos. Por um lado, você sabe tudo sobre o cara; por outro, a chance de frustração é imensa já que, frequentemente, o artista não é tão interessante quanto a obra. Não é o caso de David Hinds, Selwyn Brown e companhia. Eles calharam de tocar no Rio exatamente no Dia da Consciência negra... E chegaram aqui afinadíssimos com a luta negra por aqui. Basta ver a propriedade com que David Hinds fala de Zumbi no vídeo abaixo!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Y__UWbUG7yk&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Y__UWbUG7yk&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O show? Bom, o show foi como uma segunda resposta à entrevista: eles tocaram "Drug Squad", "Can't Stand It" e fecharam com "Vote Obama". Na escolha dessas duas últimas para o repertório, acho que tivemos influência direta! Hehehehe&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-8741999619882936382?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/8741999619882936382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=8741999619882936382&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/8741999619882936382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/8741999619882936382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/11/video-afropapo-com-steel-pulse.html' title='(Vídeo) Afropapo com Steel Pulse'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SxASoYZ5DpI/AAAAAAAAAWo/SBtOt16bCl8/s72-c/David+Hinds.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-8568509104846916443</id><published>2009-11-25T20:52:00.015-02:00</published><updated>2009-11-26T11:02:28.410-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='televisao'/><title type='text'>Helena negra na Tróia brasileira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sw56nGMdreI/AAAAAAAAAWY/hIDUyR1He_k/s1600/kokumo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 205px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sw56nGMdreI/AAAAAAAAAWY/hIDUyR1He_k/s400/kokumo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408395014614920674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Ela é uma modelo rica, não representa a população negra brasileira", disse-me &lt;a href="http://www.myspace.com/kokumo" target="_blank"&gt;Kokumo&lt;/a&gt;, sob o sol escaldante do Rio de Janeiro, na última sexta-feira. Kokumo (foto ao lado) é jamaicano, radicado na Inglaterra, poeta dub da turma de Linton Kwesi Johnson e Benjamin Zephaniah. E eu respondi: "Mas demorou sessenta anos para que tivéssemos uma protagonista preta na novela das oito". Ele deu uma risadinha de canto de boca: "É, já é alguma coisa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, já é alguma coisa. Mas concordo com Kokumo que é pouco. Ele seguiu o papo dizendo que respeita os negros americanos, que conseguiram construir uma identidade com a própria força. Verdade; eu também. Mas o fato disso precisar ser dito pressupõe um porém. Acho que o porém deve ser o "bling bling", o fascínio que causam metais tilintantes nos artistas negros americanos de hoje em dia. Há exceções, é claro. Mas, via de regra, o negócio deles é quanto mais ouro, melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente está a anos-luz de pecar pela ostentação. No fim da primeira década do novo milênio, o preto brasileiro comemora a primeira protagonista negra de um programa de televisão que é exibido ininterruptamente - com breves variações de roteiro - há seis décadas. Entendo a frustração de Kokumo com a personagem. Mas entendo também que o Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão - se é que aboliu. E é o país da "democracia racial" (haja aspas!) e do senso que computa igual número de negros, mulatos, pardos, marrons-bombons e chocolates sensuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Travamos essa conversa em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Pelo menos, era o que comemorávamos lá no Rio. Estivéssemos em Goiânia, não comemoraríamos nada. Afinal, a cidade aboliu o feriado antes mesmo que acontecesse pela primeira vez para não prejudicar "diversos setores produtivos". Desde 2003, Porto Alegre, Santa Maria e Pelotas também não têm Dia da Consciência Negra. E, pasmem: naquele mesmo momento, em Salvador, o povo - 85% negro - trabalhava. Lá também não tem 20 de novembro. Engraçado que não há muitos esforços para abolir feriados no Brasil, né? Por que será que há tantas vozes contra esse, especificamente? Se der a resposta aqui, vou parecer aquele negão perseguido, que vê racismo em tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sw576pMO0sI/AAAAAAAAAWg/LYz-3sIoyfc/s1600/tais+araujo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sw576pMO0sI/AAAAAAAAAWg/LYz-3sIoyfc/s400/tais+araujo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408396449938330306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Taís Araújo na pele de Helena, de Viver a Vida&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao assunto: estamos muito longe. Longe dos americanos, longe dos jamaicanos, dos ingleses, dos africanos. Quando falamos em Consciência Negra, precisamos explicar que sim, existem negros no Brasil - embora eu ache que se você colocar negros e brancos numa parede e falar pra polícia definir quem é quem, você encontra a resposta rapidinho. Por isso tudo, acho que devemos comemorar a Taís Araújo na novela das oito. Não só pelo papel, mas pelos 31 anos, que ela completou ontem. Hehehehe. Parabéns. E devemos exigir mais, como sugere Kokumo e minha mãe, que disse outro dia na televisão que ficará satisfeita quando puder falar dos modelos pretos - modelos de vida, não de passarela - sem citar nomes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Pulga atrás da orelha - a semana da Consciência Negra começou com a personagem de Taís Araújo de joelhos tomando tapa na cara de uma branca. Pode ser uma coincidência infeliz, embora eu tenda a acreditar mais em &lt;span class="zem_slink"&gt;MV Bill&lt;/span&gt; do que em conto da carochinha: "Novela de escravo, a emissora gosta. Mostra os pretos chibatados pelas costas".&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-f1bckBAfSE&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/-f1bckBAfSE&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-8568509104846916443?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/8568509104846916443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=8568509104846916443&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/8568509104846916443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/8568509104846916443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/11/helena-negra-na-troia-brasileira.html' title='Helena negra na Tróia brasileira'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sw56nGMdreI/AAAAAAAAAWY/hIDUyR1He_k/s72-c/kokumo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-4823277228173870313</id><published>2009-11-25T17:07:00.004-02:00</published><updated>2009-11-25T18:37:24.856-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>O comediante Spike Lee</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sw2BUsiKauI/AAAAAAAAAWI/B6NG94z0bL4/s1600/spikelee.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 300px; height: 227px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sw2BUsiKauI/AAAAAAAAAWI/B6NG94z0bL4/s400/spikelee.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408120920093649634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ontem, eu estava morrendo de sono. Muito mesmo. Por isso, temia ligar a televisão. Eu me dou o luxo de manter TV a cabo no quarto porque sou um tevê-adicto nato e até orgulhoso. O problema é que a TV a cabo tem infinitos canais, é impossível não achar alguma coisa boa. Um dia, é Simpsons, no outro, teipe de um jogo da série C do campeonato de um ano passado, em mais um, um documentário sobre babuínos que têm de lidar com a seca na travessia do deserto africano. Quer dizer, só coisa imperdível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o pior de tudo é quando é um filme que você já viu. Pior ainda: quando é um filme que você já viu e tem o DVD para assistir a qualquer hora. Foi o que aconteceu ontem: liguei a TV e passava "A hora do show" (Bamboozled, 2000), do Spike Lee, minha Bíblia cinematográfica. Tive que assistir. Até porque a versão que eu tenho é tão pirata que eu mesmo fiz as legendas. Observação importante: eu não compactuo com a pirataria (talvez, só um pouquinho! Hehehehe), mas o DVD nunca foi lançado no Brasil. Bom, minha primeira tentativa de não postergar meu sono em quase três horas foi buscar via controle remoto outros horários de exibição. Não consegui, mas descobri uma coisa engraçada: o filme está classificado como "Comédia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sw2VZn-FCvI/AAAAAAAAAWQ/q_iF7jJXReo/s1600/bamboozled.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 504px; height: 160px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sw2VZn-FCvI/AAAAAAAAAWQ/q_iF7jJXReo/s400/bamboozled.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408142995000462066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eu não sei o que esse povo entende por comédia, mas vamos lá. "A hora do show" conta a história de um roteirista de televisão negro que tenta emplacar sitcoms para classe média afro-americana e sempre esbarra no racismo da emissora. Até que se enche o saco das frequentes batidas de porta e cria um roteiro tão ofensivo e racista que irremediavelmente o leva à demissão. É um show de menestrel, com gente pintada de preto (as famigeradas "blackfaces"), sapateados, estereótipos - Tia Anastácia, Tição e Pai Tomás estão todos lá - e melancias. Um negócio horroroso. O problema é que o programa vira um sucesso de público e crítica. Spike Lee faz uma análise profunda do racismo nos Estados Unidos e, evidentemente, coloca um ponto final trágico na história. Isso é o que eu leio; a &lt;a href="http://veja.abril.com.br/220306/p_130.html" target="_blank"&gt;Veja&lt;/a&gt; usou as palavras "ridículo" e "rebarbativo" pra falar do filme. Mas acho que nem a Veja chamaria de "Comédia".&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/EMZ6zp-3oGY&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/EMZ6zp-3oGY&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Essa classificação me lembrou "Crooklin", outra obra-prima de Spike Lee. O nome em inglês é uma junção de "crook" (bandido, ladrão, safado, pilantra) e Brooklin, o tradicional bairro meio negro meio judeu de Nova York. O filme mostra uma família - mãe, pai, quatro meninos e uma menina - que sofre pela falta de grana e perspectivas. Mais uma história trágica que, em português, recebeu o trágico nome de "Uma família de pernas pro ar". Não sei quanto a vocês, mas um título desses me lembra o pior da "Sessão da Tarde", tipo: "Alunos muito loucos", "Uma turma do barulho" e "Loucademia de polícia". Será que eu estou viajando ou a tragédia negra é mesmo muito engraçada?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-4823277228173870313?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/4823277228173870313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=4823277228173870313&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/4823277228173870313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/4823277228173870313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/11/o-comediante-spike-lee.html' title='O comediante Spike Lee'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sw2BUsiKauI/AAAAAAAAAWI/B6NG94z0bL4/s72-c/spikelee.gif' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-3530681376627928958</id><published>2009-11-11T14:55:00.010-02:00</published><updated>2009-11-12T12:38:55.500-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Afropapo'/><title type='text'>Feliz aniversário, Afroências!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SvrsxgdW5tI/AAAAAAAAAVw/9v67nwlG4x4/s1600-h/Negaeffect3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SvrsxgdW5tI/AAAAAAAAAVw/9v67nwlG4x4/s400/Negaeffect3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402891038255146706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Negrada... Afroências completou um ano no último dia oito e, fazendo da incompetência lema, estou atrás da notícia. Nem lembrei de comemorar o aniversário do blog. É fato que das últimas vezes que me atrasei - &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2009/11/ile-aiye-para-abrir-o-mes-da.html"&gt;Ilê Aiyê&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2009/09/ziggy-marley-lanca-disco-para-criancas.html"&gt;Ziggy Marley&lt;/a&gt; e mais umas ou outras - foi por pura falta de tempo. Ando na maior correria do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, dessa vez, não. Tive tempo para escrever. Poderia ter me planejado, feito um textinho no fim de semana e mandado bala. Afinal, dia 8 de novembro foi um domingo. "Oito de novembro?" podem se perguntar os mais atentos, já que o &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2008/11/teste.html"&gt;primeiro post&lt;/a&gt; pintou só no dia dez. Mas foi em 8 de novembro de 2008, um sábado, que me sentei e resolvi que finalmente exporia minhas negrices para o mundo. Foi por euforia. Eu estava em casa, vagando pela internet atrás das repercussões da eleição de Barack Obama - outro post que perdi, deveria ter comemorado um ano do negrão no poder, comentado mudanças de postura frente a Iraque, Afeganistão, América Latina e Guantánamo, Prêmio Nobel, popularidade, internet... Que post seria! Perdi o fio da meada. Ah, sim: euforia! Sim, eu estava lá, eufórico, feliz da vida que tínhamos um negro no mais alto cargo de liderança política do mundo e queria compartilhar essa alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve outras vezes em que comecei blogs, mas foi sempre por raiva. O primeiro, por raiva do jornalismo. Estava no segundo ano de faculdade e queria desistir da profissão. Gosto dessa profissão, amo essa profissão. Mas, como &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2009/07/gay-talese-flip-e-crise-de-identidade.html"&gt;Gay Talese&lt;/a&gt;, não queria escrever textos para as pessoas lerem no banheiro. E sentia que era isso que faria para o resto da vida. Vários amigos acadêmicos faziam um uníssono preconceituoso contra a minha profissão. Mas meu caso não era preconceito, era frustração. Frustração com um mercado inflado de estagiários, que demitia seus mestres e relegava a qualidade à posição de coadjuvante da velocidade. Um mercado que transformava o jornalismo em moldura da publicidade. Era assim que eu me sentia quanto à profissão - sentia que éramos gente que não queria escrever escrevendo para gente que não queria ler, regidos por patrões que &lt;b&gt;não sabiam&lt;/b&gt; ler. Trabalho na internet; pouca coisa mudou. Mas aquele primeiro blog não foi pra frente. Depois de dois ou três textos, eu já tinha tanta raiva do blog quanto do mercado em que trabalhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda vez que montei um blog foi no dia seguinte à entrevista do Mano Brown no Roda Viva. Eu estava com raiva de tudo. Principalmente da raiva que tinham determinados intelectuais da postura do próprio Brown no programa. "Ele foi complacente"; "Ele se mostrou ignorante"; "Ele é em cima do muro"; "Ele é contraditório"; "Ele não é o líder da periferia". Não foi isso que li daquele programa. O que vi ali foi um péssimo time de entrevistadores que se dividia entre entusiastas de uma pseudo-revolução promovida pelos &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2008/12/vinte-anos-no-holocausto-urbano.html"&gt;Racionais&lt;/a&gt; e reação a essa mesma revolução. Metade entrevistou um terrorista, metade entrevistou um Che Guevara do Capão Redondo. Ninguém tentou entrevistar um músico competente, um poeta de mão cheia e um mano da periferia de São Paulo. É isso que Mano Brown é; não é revolucionário, não é líder, não é bandido, não é terrorista. O que se viu ali foi uma projeção de todos os preconceitos - bons e ruins - da classe média sobre um cantor e compositor. Um exercício nítido de péssimo jornalismo, um modelo de como não entrevistar. Vestida de preconceito, a classe média frustrou a si própria com uma entrevista direcionada a quem eles queriam que fosse e não a quem era de fato. O programa perdeu uma ótima entrevista e eu resolvi montar um blog pra dizer isso. Esse durou um post. Hehehehe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu continuei tentando e inventei o Groovy Tech, cujo &lt;a href="http://groovytech.wordpress.com/" target="_blank"&gt;esqueleto&lt;/a&gt; permanece em algum armário da internet. Sabe? Era um blog legalzinho até. Falava de tecnologia, internet, essas paradas... E não nasceu do ódio! Nasceu de nada... Nasceu do fato de que eu e meus amigos Paulo Planet e Ricardo Infante queríamos dar um complemento online a um site que desenvolvíamos à época. Queríamos estabelecer uma sólida comunidade interativa em que as pessoas trocassem conhecimento, informações, diversão, gostos pessoais e pudessem conhecer umas às outras cultural e socialmente. Era uma ideia bacana pra caramba. Mas não foi pra frente como queríamos. E eu perdi o parco entusiasmo que tinha por aquele blog de tecnologia... Faltou tesão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SvruhczGazI/AAAAAAAAAV4/KwKg-HkmWZc/s1600-h/boozai.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SvruhczGazI/AAAAAAAAAV4/KwKg-HkmWZc/s400/boozai.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402892961417947954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu, Planet e Ric&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;E foi o tesão que não faltou para fazer o Afroências. Para falar a verdade, esse aniversário do Afroências é meio ilusório. O nome surgiu lá em 2004, mas passava longe de blog. O Afroências nasceu no rádio. Eu, Murillo Camarotto e Wander Otoni montamos um piloto para uma rádio pirata na Puc, um programa de música negra que traria a história dos ritmos e a evolução do som desde a tribo até hoje. Eram afroências de fato. Influências, afluências, afroências. Era como se o som, como &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2009/07/danilo-gentili-escorrega-na-banana-do.html"&gt;Kunta Kinte&lt;/a&gt; de Alex Haley, viesse de navio pelo Kambi Bolongo e desembocasse na América com nada além de seu repertório cultural, que sobreviveu a 500 anos de tentativas de genocídio. Era a música como um rio, vindo da África. A polícia fechou a rádio e confiscou os equipamentos depois de dois programas. Paciência. Combinei com o Murillo que faríamos do programa o trabalho de conclusão do curso de jornalismo e nos ativemos a essa ideia até o último ano de faculdade, quando ele espirrou e me deixou a remo no Oceano Atlântico. Mas isso foi ótimo porque ele produziu um trabalho maravilhoso, ao lado de Juliana Vettore - o documentário "Sociedade Secreta", que transformou um usuário do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) em cineasta. Eu não fiz o Afroências. Para falar a verdade, não fiz praticamente nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Svru4soKCFI/AAAAAAAAAWA/fx8boYen-pw/s1600-h/Pe_Mu_Wa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 266px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Svru4soKCFI/AAAAAAAAAWA/fx8boYen-pw/s400/Pe_Mu_Wa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402893360804005970" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu, Murillo e Wander (não consigo ficar de olho aberto, não tem jeito)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Até o ano passado. Estava eufórico e queria comemorar o Obama num espaço preto. Queria exaltar a negrada pela importância do fato. E queria dar continuidade a isso: queria exaltar a negrada sempre e pra sempre. Queria fazer isso por amor, porque precisava ser feito, porque eu acredito nisso. Por incrível que pareça, não me vinha um nome à cabeça. Marina Morena que, além de leitora assídua e pauteira mais afroente, é minha namorada, sugeriu: "Afroências". Pedi autorização para o Murillo - o nome é ideia dele - ele mandou um típico "lógico, trutão!" e a coisa deu certo. Deu muito certo! Mais de 10 mil pessoas passaram por aqui ao longo deste ano e deixaram contribuições inestimáveis não só ao espaço mas a mim mesmo. Não sei se tinha um objetivo claro quando montei esse blog. Mas, depois que recebi da leitora Naiane o comentário que reproduzo abaixo, tenho certeza de que o Afroências cumpriu seu objetivo. Obrigado, Afroentes leitores. Tamo junto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Gabriel, foi um amigo branco que me falou do seu blog. Eu vim ler e acho sempre foda o que escreve (tb sou exigente viu! rs) Hoje ele me ligou dizendo que seus textos o ajudam com várias questões que tem dúvidas mas não fala comigo porque se sente constrangido. Não tenho o que acrescentar ao seu post, só dizer que sua contribuição é bem maior do que imagina viu. O melhor foi ele dizendo: "Eu entendi!!agora não ficarei mais ofendido quando vc disser que é 100% negra"...rs&lt;br /&gt;Continue nos afroenciando!&lt;br /&gt;Um beijo grande!&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-3530681376627928958?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/3530681376627928958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=3530681376627928958&amp;isPopup=true' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3530681376627928958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3530681376627928958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/11/feliz-aniversario-afroencias.html' title='Feliz aniversário, Afroências!'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SvrsxgdW5tI/AAAAAAAAAVw/9v67nwlG4x4/s72-c/Negaeffect3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-3366251921953924118</id><published>2009-11-03T11:49:00.005-02:00</published><updated>2009-11-03T12:33:18.530-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='racismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ile aiye'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='consciencia negra'/><title type='text'>Ilê Aiyê para abrir o mês da consciência negra</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Afroências&lt;/span&gt; atrás da notícia. Literalmente - essa notícia no caso está atrasada 35 anos e dois dias. Mas são os dois dias que pegam: eu queria começar este mês da Consciência Negra com uma série fina de posts, dedicada a eventos importantes da história negra. Mas, trabalhei, trabalhei, trabalhei e o Afroências ficou numa gaveta angustiada nos últimos dois dias. Por isso, peço a vocês, meus afroentes leitores, um esforço de imaginação: vamos fingir que hoje não é 3 de novembro, mas dia 1º. Vamos fingir que o feriado não foi ontem, mas será amanhã. E sejamos mais felizes pois (dentro dessa nossa ficção) começa hoje o mês da Consciência Negra.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SvA2o3R3z4I/AAAAAAAAAVo/m8JIPQpUTRo/s1600-h/ile+aiye.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 263px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SvA2o3R3z4I/AAAAAAAAAVo/m8JIPQpUTRo/s400/ile+aiye.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399876028878802818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há (quase) exatos 35 anos, em 1º de novembro de 1974, nasceu no Curuzu, em Salvador, o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ilê Aiyê&lt;/span&gt;, não só o mais importante bloco afro do País, mas um dos principais movimentos de inclusão social do negro. Sergios Bianchis e afins dirão que "bater lata não é inclusão social". Pois isso passa longe de definir o Ilê Aiyê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, quando o bloco irrompeu as ruas da capital pela primeira vez no Carnaval de 1975 causou um incômodo.  O bloco cantava a África, cantava as revoltas negras - a própria Bahia concentrou ao longo da história alguns dos principais levantes anti-escravidão -, forçava goela abaixo a auto estima negra. O grito de guerra? "Que bloco é esse/Eu quero saber/É o mundo negro/Que viemos mostrar pra você". Essa música de Paulinho Camafeu, que depois ganhou o Brasil e o mundo nas vozes de Gilberto Gil e O Rappa, enfureceu o Brasil da democracia racial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;a href="http://www.ileaiye.org.br/" target="_blank"&gt;site oficial do Ilê&lt;/a&gt; reproduz um artigo do jornal "A Tarde" sobre essa insurreição afro que foi a primeira aparição do bloco. Peço licença para reproduzi-lo aqui:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;"Bloco racista, nota destoante"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conduzindo cartazes onde se liam inscrições tais como: "Mundo Negro", "Black Power", "Negro para Você", etc., o Bloco Ilê Aiyê, apelidado de "Bloco do Racismo", proporcionou um feio espetáculo neste carnaval. Além da  imprópria exploração do tema e da imitação norte-americana, revelando uma enorme falta de imaginação, uma vez que em nosso país existe uma infinidade de motivos a serem explorados, os integrantes do "Ilê Aiyê" - todos de cor - chegaram até a gozação dos brancos e das demais pessoas que os observavam do palanque oficial. Pela própria proibição existente no país contra o racismo é de esperar que os integrantes do "Ilê" voltem de outra maneira no próximo ano, e usem em outra forma a natural liberação do instinto característica do Carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não temos felizmente problema racial. Esta é uma das grandes felicidades do povo brasileiro. A harmonia que reina entre as parcelas provenientes das diferentes etnias, constitui, está claro, um dos motivos de inconformidade dos agentes de irritação que bem gostariam de somar aos propósitos da luta de classes o espetáculo da luta de raças. Mas, isto no Brasil, eles não conseguem. E sempre que põem o rabo de fora denunciam a origem ideológica a que estão ligados. É muito difícil que aconteça diferentemente com estes mocinhos do Ilê Aiye.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Esse artigo é muito interessante. A começar pelo "apelidado Bloco do racismo". Apelidado por quem, cara pálida? Ou melhor: por &lt;span&gt;qual&lt;/span&gt; cara pálida? Depois vem essa história de democracia racial que é dura de engolir. Segue com a acusação de comunismo ("somar aos propósitos da luta de classes...") e fecha, ironicamente, com um racismo importado dos Estados Unidos. Afinal, aquele WASP de extrema direita dos estados do sul tem mania de chamar o negro de "boy", mesmo que ele tenha 60 anos. Em 1975, o Vovô do Ilê já era vovô demais pra ser chamado de "mocinho".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim, se for bater esse artigo ponto a ponto, vou longe demais e perco o foco, que é o Ilê. Acho que o importante dessa reprodução é mostrar como surgem aparelhos de opressão fortemente armados a cada vez que o negro tenta - mesmo de forma não violenta, como no caso do Ilê - ser negro. Esse texto aí em cima me lembra as reações agressivas que esse blog já recebeu, como daquele Anônimo - esse Anônimo tá em todas, né? - que disse que isso aqui é um espaço de macacos. O problema é que ali em cima, era 1974, em plena ditadura militar. Não tinha Dia da Consciência Negra, não tinha rap, não tinha Ilê e, se acreditarmos na mídia tradicional, não tinha racismo! Dá pra entender tamanho reacionarismo. Impressionante é ver que passados 35 anos, ainda tem quem não acredite em racismo, quem se ofenda com 100% negro, com o cabelo da Taís Araújo na novela, com as afirmações de identidade negra. Quer dizer, passados 35 anos, com todos os méritos, o Ilê Aiyê encara o mesmo desafio da época da fundação: o fortalecimento da identidade negra no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://img.blogs.abril.com.br/1/lenidavid/imagens/ile.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 500px; height: 300px;" src="http://img.blogs.abril.com.br/1/lenidavid/imagens/ile.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-3366251921953924118?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/3366251921953924118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=3366251921953924118&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3366251921953924118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3366251921953924118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/11/ile-aiye-para-abrir-o-mes-da.html' title='Ilê Aiyê para abrir o mês da consciência negra'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SvA2o3R3z4I/AAAAAAAAAVo/m8JIPQpUTRo/s72-c/ile+aiye.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-8195649608235827257</id><published>2009-10-21T12:34:00.019-02:00</published><updated>2009-10-21T15:50:27.837-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religiao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='capoeira'/><title type='text'>Besouro dá ares épicos à estética da capoeira</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confesso que não gostei quando me vi vítima do spam da equipe de divulgação de &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.besouroofilme.com.br/" target="_blank"&gt;"Besouro"&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;, filme do diretor de publicidade João Daniel Tikhomiroff, que mistura ação, mitologia e cultura de matriz africana em um épico de capoeira, com direito a coreógrafo chinês - o mesmo de "Matrix" e "O tigre e o dragão", diga-se de passagem" - e tudo. Tá bom: não gostei, mas adorei. Preferia que eles tivessem me sugerido a pauta por email, mas mesmo assim, o fato de terem entrado neste Afroências para criar um buzz em torno do filme foi bacana. Mostra que o blog está virando o que eu pretendo que ele seja: um canal de comunicação e troca de ideias sobre cultura negra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/St8c7CDla0I/AAAAAAAAAVc/kBKFK9SzS-E/s1600-h/Besouro+Paulo+Mussoi.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/St8c7CDla0I/AAAAAAAAAVc/kBKFK9SzS-E/s400/Besouro+Paulo+Mussoi.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395062679102909250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Besouro (Ailton Carmo) encara os jagunços do Coronel Venâncio (Flavio Rocha)&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto: Paulo Mussoi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por praxe, eu teria excluído o spam e deixado o assunto cair no ostracismo. Mas, dias antes de recebê-lo, fui ao cinema ver "Bastardos Inglórios", do Tarantino - aliás, recomendo geral: se existe bom uso pro revisionismo histórico, é esse - e fui sugado pelo pôster do filme. Nele, um negro vestido em calças largas voa sobre um cânion com pinta de Chapada Diamantina. Depois da entrada do negro como força motora do cinema brasileiro, em "Cidade d&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.besouroofilme.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/07/besouro_alta.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img style="margin: 3pt 3pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 218px; height: 320px;" src="http://www.besouroofilme.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/07/besouro_alta.jpg" alt="" border="2" /&gt;&lt;/a&gt;e Deus", de Fernando Meirelles, faltava dar este passo além e explorar, com a força imagética dessa nossa nova filmografia, a plasticidade da cultura negra. Faltava dar cara aos orixás e tela à estética da capoeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vi "Besouro", já adianto. Mas acho que o esforço em retratar esse nosso legado é sempre bacana. A capoeira foi proibida durante boa parte de nossa história pós-abolição por ser uma luta de resistência negra contra a qual o sistema opressivo eurocêntrico não tinha armas. Não que não se pudesse matar a tiro um capoeirista - embora lendas dêem conta de uns ou outros que tinham o tal "corpo fechado"; caso do próprio Besouro. Mas não havia bala que destruísse o que ele representava. Ele não era apenas um negro forte; era um negro forte e consciente de sua força física e cultural. Um lutador, um artista, um cantor, uma força religiosa. Ele era a personificação de um legado do qual este povo oprimido poderia se orgulhar, a ponte entre a vida no pós-escravidão - que tinha mais de escravidão do que de pós - e a história africana pregressa, usurpada pelo tráfico negreiro. Ele era quem inviabilizava que a abolição caísse na letargia e fosse relegada a uma assinatura no papel. Ele era quem forçava a entrada do negro na sociedade brasileira e cobrava pelos anos de trabalho gratuito. Óbvio, ele foi proibido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/St8cxgiF7-I/AAAAAAAAAVM/9vsepmQ8O3Q/s1600-h/Besouro+Christian+Cravo+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/St8cxgiF7-I/AAAAAAAAAVM/9vsepmQ8O3Q/s400/Besouro+Christian+Cravo+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395062515485241314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sergio Laurentino na pele de Exu. Foto: Christian Cravo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, a capoeira é patrimônio do Brasil. É praticada em escolas particulares e tratada mais como dança do que como luta e movimento afrorresistente. Mas é importante que ostentemos a raiz dessa cultura. Até para que nossa sociedade não ouse repetir sobre outras culturas negras o ataque que promoveu à capoeira. Sim, estou falando especificamente - &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2009/06/desencapetamento-da-cultura-negra.html"&gt;mais uma vez&lt;/a&gt; - do candomblé, religião de matriz africana que tem sido acossada pelo aumento das igrejas evangélicas e que corre risco de extinção caso se concretizem as projeções do crescimento geométrico do protestantismo no Brasil dos próximos anos. Exu, um dos orixás menos compreendidos, é um dos protagonistas do filme e, pelo trailer (reproduzido logo abaixo), não parece ser retratado como um demônio, mas como o que de fato é: um orixá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, reitero que não vi o filme. Por isso, comento apenas os arredores da história e as parcas impressões que tiro do trailer. Depois de assistir, prometo que volto a trocar ideia com vocês, leitores afroentes. Até lá, sem spam, heim? Como havia prometido, vou apagar aquela mensagem agora, certo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="340" width="560"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/W2QgxB5xw-k&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/W2QgxB5xw-k&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="340" width="560"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-8195649608235827257?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/8195649608235827257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=8195649608235827257&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/8195649608235827257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/8195649608235827257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/10/besouro-da-ares-epicos-estetica-da.html' title='Besouro dá ares épicos à estética da capoeira'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/St8c7CDla0I/AAAAAAAAAVc/kBKFK9SzS-E/s72-c/Besouro+Paulo+Mussoi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-5647112828633139707</id><published>2009-10-20T12:02:00.008-02:00</published><updated>2009-10-20T12:15:14.990-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='marge simpson'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='playboy'/><title type='text'>Marge Simpson é negrona na Playboy</title><content type='html'>Minha mãe sempre achou que os Simpsons eram pretos. E eu tinha um pé atrás com essa teoria. "Pô", eu pensava, "preto é o Carl, aquele cara que trabalha com o Homer na usina". Mas ela jurava de pé junto que era tudo negrada: "Bart tem cabelo duro; Lisa e Maggie, idem; Homer, mó beição; e Marge é black power!". Vá lá: Lisa é instrumentista de jazz, Bart gravou uns dois clipes de rap - com direito a produção de Quincy Jones e tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/St3DHT7k-3I/AAAAAAAAAU0/Ihs_LbYbP3Y/s1600-h/margesimpson.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 305px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/St3DHT7k-3I/AAAAAAAAAU0/Ihs_LbYbP3Y/s400/margesimpson.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394682459036384114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na última sexta-feira, Marge Simpson apareceu nua na Playboy americana. Vanguardista que só, é a primeira mulher de desenho animado a estampar a capa da revista. Mas o que me chama atenção nessa história não é o fato em si - que, cá entre nós, tem um quê de bizarrice -; é que a capa é uma reprodução (em cartoon) da célebre edição de outubro de 1971, em que a modelo Darine Stern se tornou a primeira mulher negra a aparecer numa capa de Playboy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/St3DhEp4NpI/AAAAAAAAAU8/en6XvvtpRYo/s1600-h/darine+stern.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 309px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/St3DhEp4NpI/AAAAAAAAAU8/en6XvvtpRYo/s400/darine+stern.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394682901612213906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bom, se a teoria de minha mãe vale ou não, não sei. Mas é certo que Matt Groening dá todas as bases pra ela...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-5647112828633139707?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/5647112828633139707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=5647112828633139707&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5647112828633139707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5647112828633139707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/10/marge-simpson-e-negrona-na-playboy.html' title='Marge Simpson é negrona na Playboy'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/St3DHT7k-3I/AAAAAAAAAU0/Ihs_LbYbP3Y/s72-c/margesimpson.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-2649273152769821146</id><published>2009-10-14T11:12:00.008-03:00</published><updated>2009-10-14T15:00:15.788-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='racismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='moda'/><title type='text'>Vogue ressuscita moda racista</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/StXeaDmXG1I/AAAAAAAAAUk/tbSLB5l-Dsc/s1600-h/niggerface.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 290px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/StXeaDmXG1I/AAAAAAAAAUk/tbSLB5l-Dsc/s400/niggerface.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392460668070206290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quando tenho que recorrer a "A Hora do Show", do Spike Lee, é que a coisa tá feia. Já viram esse filme? Uma obra prima produzida no ano 2000, talvez um dos melhores de Spike Lee - curiosamente nunca lançado em DVD no Brasil. Bom, assim por cima, ele conta a história de um produtor de televisão negro que tenta seguidamente emplacar um sitcom para classe média negra em uma grande emissora. Frustração atrás de frutstração, ele surge com a tese de que a emissora é racista e não quer mostrar gente negra com dignidade. Para provar a teoria, ele recorre a um expediente perigoso - montar um piloto extremamente racista, que tope de frente com as raízes da tensão racial americana. Ele resolve criar um show de menestrel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show de menestrel era um tipo de atração muito popular entre as famílias americanas do pós-abolição. Era mais ou menos o seguinte: atores com a cara pintada de preto com carvão, reforçada apenas pelo batom vermelho bombeiro e pelos olhos que saltavam às órbitas de tão arregalados, interpretavam personagens clássicos da dramaturgia afrodegradante. Tinha Tia Anastácia, Selvagem de osso na cabeça, "Little Black Sambo" (um neguinho burro e pobre que fazia a alegria da garotada em livros didáticos confederados), presidiário e daí por diante. Quer dizer: um show para toda a família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/C45g3YP7JOk&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/C45g3YP7JOk&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;Sequência final de "A Hora do Show" com uma magnífica compilação de estereótipos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nem é preciso dizer que, conforme os direitos civis ascenderam nos Estados Unidos dos anos 60, esse tipo de coisa começou a ficar... Deselegante, digamos. As poucas manifestações da "black face" foram justamente defenestradas como herança de um período em que a Constituição dos Estados Unidos estipulava - com todas as letras - que o negro representava um quarto de ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no Brasil, a black face também teve uma sobrevida lamentável na novela "A cabana do Pai Tomás", exibida pela TV Globo entre julho de 1969 e março de 1970. A trama era encabeçada por Sergio Cardoso, branco pintado de preto, com algodões na boca - pra dar aquele efeito zifiu à voz - e tocos de rolha nas narinas. À época, o maior crítico do papelão de Cardoso foi o dramaturgo Plínio Marcos, que chegou a escrever um artigo dizendo que havia se perdido uma grande oportunidade de colocar um negro na tela em papel de destaque. A emissora contra-argumentou que não havia um negro à altura do personagem. Plínio respondeu de bate-pronto - "Milton Gonçalves" - e a discussão descambou para bravatas do tipo: "O senhor busca inventar racismo onde não há! Somos uma sociedade plural! Bla bla bla".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/StXeiWjjgXI/AAAAAAAAAUs/AF91VMqYwsQ/s1600-h/vogue1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 330px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/StXeiWjjgXI/AAAAAAAAAUs/AF91VMqYwsQ/s400/vogue1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392460810597663090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lara Stone, fotografada por Steven Klein e maquiada pelo racismo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Quando a black face era dada por morta e enterrada, a moda decide lançar moda. A edição deste mês da Vogue francesa causou mal estar no mundo todo com uma sessão de fotos em que a modelo Lara Stone, branca como leite, aparece pintada de preto, à moda dos coon-faces de outrora. "Ora, é arte! Você é um radical! Isso é coisa do passado!"; já dá pra ouvir a enxurrada de contrassenso que vem por aí. Acontece que me assusta a facilidade com que os neo-neo-neo-neo-novos-vanguardistas cospem na história. Por que o negro pode usar camisa "100% negro" e o branco não? Por que negrão americano se cumprimenta "Yo, nigger" e cobre de porrada o primeiro branco que falar isso? Por que Spike Lee pode pintar um ator de preto e a Vogue não pode fazer o mesmo com a modelo? 1) Porque 500 anos de história nos separam; 2) Porque esses que brincam com o legado da escravidão são os descendentes dos algozes de nossos ancestrais. Que necrofilia é essa? Essa gente precisa de um psiquiatra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;PS: Agradeço ao colega jornalista Felipe Gil pela pauta&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-2649273152769821146?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/2649273152769821146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=2649273152769821146&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/2649273152769821146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/2649273152769821146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/10/vogue-ressuscita-moda-racista.html' title='Vogue ressuscita moda racista'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/StXeaDmXG1I/AAAAAAAAAUk/tbSLB5l-Dsc/s72-c/niggerface.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-7610185704284429379</id><published>2009-10-08T20:33:00.006-03:00</published><updated>2009-10-09T11:43:37.304-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica'/><title type='text'>T-Pain produz novo single de Obama</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Ss57czyDItI/AAAAAAAAAUU/8zShpoTOTC4/s1600-h/painbarack.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 261px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Ss57czyDItI/AAAAAAAAAUU/8zShpoTOTC4/s400/painbarack.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390381538875744978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afroentissíssimos leitores, desculpem-me. Sei que andei relapso com este espaço sagrado e sei também que as desculpas se esvaziam à proporção direta  que se repetem. Bem, se fossem um saco, as minhas sairiam voando, eu sei. E aproveitando meu saco vazio de desculpas, encho o saco de vocês com mais uma: não é dessa vez que terão um post digno de vossa leitura. É, eu vou enrolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, só pra não deixar o Afroências morrer ("não deixe o Afroências acabar...") vou lançar um videozinho bobo pra vocês. O programa do Jimmy Kimmel (um talk show a la David Letterman que vai ao ar pela rede de televisão ABC) exibiu, na última sexta-feira, esse sketch na última sesta-feira em que o "cantor" de R&amp;amp;B - as aspas não são pura crueldade e vocês logo vão entender porquê - T-Pain transforma discursos de Barack Obama em música. Até aí, morreu Neves (se não morresse, Sarney não teria sido presidente da república): Will.I.Am se juntou a várias celebridades pra musicar o presidente negrão; e o presidente negrão Fela Kuti musicou a política duzentos bilhões de vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, o que me chamou a atenção nessa história do T-Pain foi o aparelhinho que ele usa pra "melhorar" a voz do Obama. É um gadget chamado &lt;i&gt;Autotune&lt;/i&gt; cujo nome é auto-explicativo - ele faz música automaticamente. Mesmo. Sabe essa doença na laringe que acomete cantores pop, de Britney Spears a Lil' Wayne, passando por Justin Timberlake e companhia inenarravelmente limitada? Aquela mesma que deixa os caras com voz de ringotne. Pois ela é causada pelo vírus do &lt;i&gt;Autotune&lt;/i&gt;. Bons tempos aqueles em que trabalho de cantor era cantar... Hoje em dia, cantor... Cantor... Alguém sabe o que fazem esses cantores?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/xWwZ8Cmyxx8&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/xWwZ8Cmyxx8&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-7610185704284429379?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/7610185704284429379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=7610185704284429379&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7610185704284429379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7610185704284429379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/10/t-pain-produz-novo-single-de-obama.html' title='T-Pain produz novo single de Obama'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Ss57czyDItI/AAAAAAAAAUU/8zShpoTOTC4/s72-c/painbarack.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-6338886871948604155</id><published>2009-09-16T11:51:00.010-03:00</published><updated>2009-09-16T17:54:15.724-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='racismo'/><title type='text'>Sou 100% negro e estou aqui pra mudar o clima</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_oT_Or6ocZc8/SdIkQRb1RnI/AAAAAAAADJs/7Dl833CTPpo/s320/100negro.bmp"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 323px; height: 235px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_oT_Or6ocZc8/SdIkQRb1RnI/AAAAAAAADJs/7Dl833CTPpo/s320/100negro.bmp" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Rapaziada, acho que o texto da MTV tá emparelhado com &lt;a href="http://afroencias.blogspot.com/2009/05/o-papo-de-gloria-coelho-e-demode.html"&gt;Glória Coelho&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://afroencias.blogspot.com/2009/03/sobre-gente-branca-de-olhos-azuis.html"&gt;Eliana Tranchesi&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://afroencias.blogspot.com/2009/04/skaf-is-nigger-of-world.html"&gt;Paulo Skaf&lt;/a&gt; na liderança dos mais polêmicos deste Afroências. Não só pela discussão que ele suscitou de supetão na comentariada, mas pelo que veio depois. Eu recebi e-mails e mais e-mails e teve até nego que me ligou pra falar disso. Então, vou encarar escrever (se vocês encararem ler, é claro) mais uma resposta - como prometi por e-mail ao leitor Marcelo - para reiterar alguns pontos de controvérsia do texto. Não que não tenha feito antes, mas... Vamos lá. Marcelo me faz as seguintes perguntas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Se só passasse pretos, (a MTV) seria correta?  É esse o modelo representante do nosso país? Aí a MTV seria aceitável aos seus olhos?!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não. Simplesmente deixaria de ser incorreta, pela exclusão dos negros. Aqui, provavelmente surge mais um ponto polêmico que remete àquela discussão do "Por que o negro pode usar uma camisa em que se lê '100% negro' e o branco não pode usar '100% branco'?". A resposta é simples: porque achar que a afirmação racial de brancos e negros é igual equivale a distorcer a história e ignorar os 500 anos de destruição cultural que o negro sofreu. Isso deixou o ranço de que é vergonhoso ser negro. O 100% negro é simplesmente a afirmação de que não tem nada de mau em ser negro, que nossa história não é vexatória ou humilhante, mas simplesmente história, como a de todos os povos. Por isso, a MTV não seria "correta" se passasse 100% negros; simplesmente deixaria de ser 100% branca - isso, sim, é incorreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Quando você diz que o VJ ouve (não me lembro agora) the strokes e similares, o que quis dizer com isso? Ele só pode ouvir música negra? (não me sinto a vontade com esse rótulo, como não me sentiria dizendo “música branca”).&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Essa pergunta eu respondi a outro leitor nos comentários do texto da MTV, mas vá lá. Repetindo: cada um pode ter seus gostos e preferências. Quando digo que Léo Madeira está na MTV porque seu jeitão se confunde com os dos brancos, não quero dizer que isso é um problema. Pelo menos, não é problema meu. O que abordo aqui é a questão da representatividade e não do gosto pessoal do cidadão. Os Radioheads, Guns &amp;amp; Roses e Strokes da vida não têm negros, não falam de assuntos que dizem respeito à realidade dos negros - que é bastante diferente da dos brancos -, não têm entre os negros seu maior público. E isso não é separatismo da minha parte; é simplesmente o fruto de 400 (ou mais) anos de exclusão. O negro desenvolveu formas muito próprias de arte nesses 400 anos e criou uma identidade por toda a diáspora. Como você pode ver na entrevista do Renegado, a música negra tem uma mesma raiz, que sobressai em Cuba, no samba brasileiro, no reggae jamaicano, no hip hop e no jazz americanos. Você ouve o primeiro acorde de qualquer um desses ritmos e diz, sem medo de errar: "música negra". Isso independe do país de origem. Quando você coloca como único representante da população negra - e mesmo que não queira, um negro que aparece na televisão é representante da população negra - alguém que não exalta essas raízes, esse alguém deixa de falar com o público negro. Não é culpa dele, é assim que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Se fosse branco o sujeito, o correto seria então ele só colocar música tocada por brancos?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Parafraseando Peter Tosh: "If your black, step back. If you're brown, stay around. If you're white, you're alright" (se você for preto, sai fora; se for marrom, pode ficar por aí; se for branco, tá tudo certo). Branco não tem crise de representatividade. Desde que existe mídia, são os brancos que aparecem nos cargos de destaque, nas boas manchetes, nas propagandas. Por isso, o branco não sofre uma coisa que o negro em cargo de evidência sofre: o estigma. Um branco não carrega o estigma de todos os brancos. Não é porque Hitler era um branco que o mundo encara todos os brancos como se fossem Hitler. Agora, o fato de Idi Amin Dada ser um negro faz com que todos os líderes africanos negros herdem seu legado nefasto. Se o Obama fizer uma grande lambança e afundar os Estados Unidos, não é uma falha pessoal dele, é uma falha da América negra, o fracasso de toda a diáspora. Depois disso, esquece: vai demorar 5 milhões de anos pros caras elegerem outro negro. Isso é culpa do estigma da baixa representatividade. Como não temos referenciais, os poucos referenciais que aparecem carregam o fardo de toda a raça. Com o branco, isso não acontece porque um branco num cargo de destaque não é uma anomalia social - é a via de regra. Se um faz cagada, é culpa dele e só. Ele é uma pessoa, ponto. Não é "o homem branco". O preto em destaque não é uma pessoa em destaque, é um preto em destaque. Ou seja: o branco pode fazer o que quiser, já que o que ele faz não recai sobre todo o seu povo. Ah, por falar em representatividade, recomendo a leitura do texto &lt;a href="http://larajanuario.blogspot.com/2009/09/oi-eu-sou-helena.html" target="_blank"&gt;Oi, eu sou Helena&lt;/a&gt;, da Lara Januário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Outro argumento que não entendi é: “as pessoas veem os eua como exemplo de racismo, quando é justamento o contrário.” Como é isso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro de ter dito isso. Primeiro porque não sei se entendi. Segundo, porque discordo. Os Estados Unidos são um exemplo de racismo, o Brasil é outro, a Guatemala é outro, a Inglaterra mais um, o Haiti mais outro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência do e-mail, o leitor Marcelo diz o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Trago à tona uma discussão maravilhosa que assisti no programa da Oprah. No palco, artistas, produtores e compositores de hip hop. Na platéia, não vi brancos, pessoas de todas as idades. A discussão era sobre o racismo e sexismo de muitas obras do estilo (que sou fã, com a exceção dos supra-citados). O que me marcou foi um senhor que se lenvatou, e chamou os artistas de palhaços e racistas e completou “vocês dizem que são massacrados, que não têm nada, que são tratados como lixo e isso lhes dá direito de agir como agem. Acontece que não muito tempo atrás, homens chamados de ‘lixo branco’ usavam esse mesmo argumento pra matar homens como nós”. Foi a primeira e última vez que ouvi ou vi um programa onde se assumia o racismo negro contra as demais etnias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me faz lembrar que você disse que não acredita em racismo contra brancos. E me veio à mente uma música do Rappa “branco se você soubesse o valor que o preto tem, tomava banho de piche e virava preto também” e me peguei pensando, se invertêssemos a letra ela seria considerada racista, não seria?! Mais do que isso: SERIA CRIME! Então, usando a lógica filosófica, temos racismo nisso... um pode e outro não pode. Exatamente o que diziam os bebedouros de “whites only”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou ainda, imagine se seu site fosse o contrário, um branco que colocasse só “branquices” e as louvasse, seria bacana, ou racista? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Bom, da minha parte, continuo dizendo que não sei o que é racismo de negros contra brancos. E isso não é demagogia, não sei mesmo - nunca fui vítima (evidentemente) e nunca presenciei coisa do tipo. Como disse em algum outro post, nunca vi branco preso pela cor da pele, nunca vi branco proibido de frequentar lugares pela cor da pele, nunca vi branco morrer pela cor da pele. Quanto à lógica filosófica da reciprocidade, creio que ela só se aplique caso os objetos estudados estejam em patamar de igualdade. Não estão. A música do Ilê Ayiê cuja regravação o leitor cita ("Ilê Ayê"), é uma variação do 100% negro de que falei um pouco mais pra cima. O mesmo para o meu site e para a legislação que criminaliza a discriminação do negro. É um paliativo protecionista para reduzir a opressão de um grupo populacional mais vulnerável - é como uma lei trabalhista, que obriga o empregador a ter deveres para com o empregado. É pouco, mas é o reconhecimento de que a sociedade é desigual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, acho que toda nossa discussão aqui se resume a isso. Biologicamente, todos somos iguais. Brancos, negros, amarelos, vermelhos. Tudo a mesma coisa, tudo fruto da África. Mas nossas semelhanças acabam aí: entre a biologia e o mundo contemporâneo existe todo o desenvolvimento intelectual do homem, toda sua história, todas as suas guerras, todas as desigualdades, injustiças, tudo. O aparato específico de opressão que subjugou o negro por 400 anos precisa ser desmantelado nas mínimas e nas máximas instâncias para que a gente consiga conviver lado a lado pacificamente. É preciso conhecer nossa história, reconhecer os erros e reparar as vítimas pelo dano. Não adianta dizer que é coisa do passado, não é. É como uma morte sem corpo. Enquanto você não enterrar quem morreu, você não descansa. O problema é que antes de enterrar, você tem que ter a coragem de reconhecer o corpo. Reconhecer o corpo no caso da nossa sociedade é olhar de frente para a barbárie da escravidão negra... Calma. Daqui a pouco completo esse pensamento. Provavelmente, você vai dizer que todos os povos do mundo foram escravizados. Verdade. A diferença da escravidão negra é que ela acontece em moldes capitalistas. Isso implica, como qualquer sistema de produção capitalista, na necessidade de excedentes - ela precisa produzir mais do que vai vender; ela precisa estocar e fazer a economia girar. Não basta um escravo para cada função; é preciso um escravo que morra rápido para que haja reposição e a economia escravista continue aquecida. Isso não é aceitável aos olhos de Deus.Então, precisa-se criar um artífico religioso para justificar a escravidão negra. Surge a coisificação. Pela primeira vez na história, a escravidão deixa de ser servidão humana e passa a ser servidão animal. No Brasil, por exemplo, a mesma legislação que discorria sobre os escravos falava de bois, ovelhas e objetos pessoais. Quer dizer, por 400 anos, fomos tratados como coisas, não como pessoas escravizadas. Não só a liberdade, mas a alma do negro foi extirparda pela coisificação e pelo racismo. Não bastam uns poucos anos para erradicar essa doença arraigada no corpo social brasileiro. Voltando àquele pensamento lá de trás, a gente precisa assumir que isso criou um vácuo imenso entre o Brasil branco e o Brasil negro. Não tem democracia racial nenhuma, isso é conto da carochinha. Se a gente quiser criar uma democracia racial, é preciso entender que brancos e negros têm realidades e necessidades diferentes no Brasil de hoje. Nos miscigenamos, nos misturamos, temos uma identidade cultural. Verdade. Mas os negros seguem com menos oportunidades de emprego, seguem encabeçando as estatísticas de mortalidade, criminalidade, analfabetismo. Somos protagonistas de tudo o que tem de ruim. E isso não deriva de uma incompetência inata já que, como concordamos ali atrás, biologicamente somos a mesma coisa. O que é esse câncer negro? Durante 400 anos, fomos a manobra financeira que bancou a construção deste país. Está na hora de virar a massa humana que vai transformar isso aqui numa terra mais justa. Por isso, me digo 100% negro, mesmo que na prática, ache difícil que seja mais do 15% ou 20% negro. Como a maioria de nós, sou meio índio, meio branco, meio negro, meio tudo. Capaz até que seja meio japonês, vai saber... Agora, quando a polícia me cruza na madrugada, é "Mão pra cabeça, macaco!", "Cola na parede, neguinho!", esse tipo de coisa. Não sou macaco, não sou neguinho. Sou 100% negro e estou aqui pra mudar este país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-6338886871948604155?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/6338886871948604155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=6338886871948604155&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/6338886871948604155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/6338886871948604155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/09/sou-100-negro-e-estou-aqui-pra-mudar.html' title='Sou 100% negro e estou aqui pra mudar o clima'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_oT_Or6ocZc8/SdIkQRb1RnI/AAAAAAAADJs/7Dl833CTPpo/s72-c/100negro.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-5666209910917763223</id><published>2009-09-02T17:49:00.010-03:00</published><updated>2009-09-02T18:23:37.770-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica'/><title type='text'>Ziggy Marley lança disco para crianças</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sp7bUawkgyI/AAAAAAAAATw/8bCKehx0qU0/s1600-h/ziggyfamilytime.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 285px; height: 278px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sp7bUawkgyI/AAAAAAAAATw/8bCKehx0qU0/s400/ziggyfamilytime.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376976148953858850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Bom, o disco saiu em 5 de maio. Ou seja: minha resenha está quatro meses atrasada. Mas eu só tive acesso a "Family Time" (2009, Tuff Gong International), de Ziggy Marley, agora. E sabe... gostei muito dele.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais nada, é preciso dizer que Family Time é um disco para crianças. Ziggy é filho de uma e pai de cinco inspirações. Ele falou de uma delas em um show acústico que fez em frente à Casa Branca, em Washington. "Eu estava na cozinha de casa quando minha filhinha (Judah Victoria, de quatro anos) apareceu, do nada, e disse: 'I love you'. Fiquei com aquilo na cabeça e compus 'I love you too' (segunda faixa do disco)". E decidiu que ia cantar só pra criançada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez por isso, "Family Time" seja o melhor CD de sua breve carreira solo - antes desse, ele havia lançado Dragonfly (2003) e Love is My Religion (2007). Os dois tiveram uma ou outra joiazinha escondida, mas não eram nada demais. "Love is My Religion", música tema do segundo, é infantil no mau sentido, pra não me estender muito. Agora, Ziggy, que sempre achei honestinho (e só), é infantil com propriedade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/RohKVKYhklo&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/RohKVKYhklo&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele não tem a versatilidade de Stephen Marley, não tem o discurso e a originalidade de Damian. Não fosse ele o primogênito e sósia do Rei do Reggae, provavelmente entraria na vala comum de Julian, Kimany e outros milhares de descendentes que Bob deixou. Mas, faz tempo que ele vem tentando cortar o cordão umbilical paterno. Em Dragonfly, ele apelou para o pop ("Dragonfly", "True to myself"), flertou com o rock ("I Get Out") misturo&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sp7epFNvJjI/AAAAAAAAAUI/OdO1sRvMY8k/s1600-h/marleykids.jpeg"&gt;&lt;img style="margin: 3pt 3pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 249px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sp7epFNvJjI/AAAAAAAAAUI/OdO1sRvMY8k/s400/marleykids.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376979802482746930" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;u violão ao afrobeat ("Looking"), relegou a clássica batida one drop ao segundo plano e cantou uma liberdade muito diferente da que cantava seu pai. Ele queria voar, queria ser criança, queria abrir a janela e ver um arco-íris. Bob Marley queria romper com o legado da escravidão, queria extinção de todas as cadeias e a destituição das regras do capitalismo, do cristianismo e do socialismo, que ele colocava em um mesmo bloco chamado "isms and skisms".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Love is my religion" abria com o afro-reggae "Into da Groove", mas era basicamente um disco de reggae. Embora o ritmo fosse o mais Bob Marley possível, pelas letras Ziggy se distanciava do pai. A faixa título não condenava, não convertia. Bom, Bob Marley fazia os dois, o tempo todo. "I don't want to fight/Let's go fly a kite (Não quero brigar, vamos empinar uma pipa)" é o oposto do "Brother, you're right/We're gonna fight for our rights (Irmão, você está certo/vamos lutar por nossos direitos)" do Zimbabwe de Marley. Quer dizer: Ziggy vem dizendo faz tempo que não faz o gênero Tuff Gong de seu pai ou irmãos. Ele é um hippie do reggae, ele é paz e amor, é sossegado e quer continuar sossegado. Por fora, ele mantém sua ONG de combate à AIDS na África, seu centro para crianças órfãs e toca a vida. Ele não é um revolucionário, mas reverte toda a renda de Family Time para uma escola pública da Jamaica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="25" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Z9aDIo8gqIk&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Z9aDIo8gqIk&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="25" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Walk Tall (Ziggy Marley com Paul Simon)&lt;/span&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quer saber? Não precisa ser. Ele pode ser o que quiser e, agora, Ziggy quer cantar pras crianças. Que cante: conforme ele se aproxima de si mesmo e dos filhos, sua música fica mais honesta e mais gostosa. É por isso que, ouvindo "Walk Tall", por exemplo, parece que estamos numa brincadeira de roda em que Ziggy Marley e Paul Simon são os animadores. Ou que nos divertimos quando a voz cavernosa de Willie Nelson imita o tchoo-tchoo-tchoo de um trenzinho em "This Train". É por isso até que quando ouvimos Ziggy cantar bend down low no refrão de seu alfabeto ("ABCs") nem lembramos da conotação fortemente sexual que essa frase tem na voz de Bob Marley. Tudo parece uma brincadeira mesmo. E, como o próprio Ziggy disse em uma entrevista à &lt;a href="http://www.amazon.com/gp/mpd/permalink/m3VBBRIJWI98LT"&gt;Amazon.com&lt;/a&gt;: "Sei que não sou nenhum gênio, mas consigo fazer um disquinho".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7CrKsEJthzI&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7CrKsEJthzI&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-5666209910917763223?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/5666209910917763223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=5666209910917763223&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5666209910917763223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5666209910917763223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/09/ziggy-marley-lanca-disco-para-criancas.html' title='Ziggy Marley lança disco para crianças'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sp7bUawkgyI/AAAAAAAAATw/8bCKehx0qU0/s72-c/ziggyfamilytime.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-6576560467058948880</id><published>2009-08-24T20:41:00.005-03:00</published><updated>2009-08-24T21:32:07.887-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educacao'/><title type='text'>Cotas para negros: um afropapo com... comigo mesmo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, antes que vocês, meus caros e afroentes leitores, pensem que eu fiquei maluco e entrei numa egotrip doente, deixem-me explicar a origem desse post. Como vocês têm acompanhado, um camarada chamado Julio pintou aqui no Afroências e contestou algumas das ideias que são comumente aceitas pelo público desse blog. Gostei bastante do fato desse cara ter tido a coragem de, sozinho, contestar todo mundo aqui e, com respeito e humildade, vir debater suas ideias conosco. Estimulo isso no Afroências e acho, inclusive, que esse é um dos maiores e mais importantes propósitos desse blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu último comentário, Julio fez quatro perguntas em relação a um tipo específico de ação afirmativa, que é a cota para negros em universidades e cargos públicos. Vou tentar respondê-las abaixo, da melhor maneira possível. Depois, todos estão convidados a debatê-las em nosso espaço de comentários. Então, vai lá meu Afropapo comigo mesmo! hahahahahahaha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: Ao longo do post, pus fotos de algumas pessoas que só se tornaram o que se tornaram, direta ou indiretamente, por causa de Ações afirmativas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Você é a favor das cotas para negros? Porque você acha isso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SpMsg1OroQI/AAAAAAAAATg/BABVZ7IZQgU/s1600-h/cotas3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 213px; height: 305px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SpMsg1OroQI/AAAAAAAAATg/BABVZ7IZQgU/s400/cotas3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373687722939228418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Sim. Sou a favor das cotas porque existe uma dívida histórica deste país com a população negra. Afinal, foram seus braços que, em 400 anos de escravidão, ergueram o país. Durante séculos, toda a economia do Brasil foi baseada no tráfico e exploração do povo de origem africana. Para se ter uma ideia, de acordo com o livro "A Guerra dos Escravos", de Décio Freitas, as condições da escravidão brasileira eram tão hostis que os engenhos tinham de renovar um quinto de sua força de trabalho anualmente - 20% de todos os negros do país morriam em um ano. Segundo a mesma fonte, as taxas de mortalidade infantil entre eles variavam entre 70% e 80% e o termo médio de vida de um escravo era de cinco anos. Depois disso, ele simplesmente morria ou era aposentado por invalidez e entregue à mendicância. A legislação que tratava dos escravos era a mesma que regulava o trato de animais ou bens pessoais. A tortura era sistemática para que o negro esquecesse sua humanidade e aceitasse sua condição de máquina de trabalho. E o Brasil foi a última nação da Terra a abolir essa crueldade. Esse micropanorama da nossa escravidão serve apenas para dizer que o papel assinado pela princesa Isabel foi insuficiente para desenraizar a cultura de coisificação do negro. O negro saiu da escravidão da mesma maneira que deixavam as fazendas aqueles que se invalidavam no trabalho de construção da economia e da nação brasileiras - completamente inaptos para a vida "livre". Haja aspas para esse livre. Ele saiu desempregado, marginalizado e, embora tenha sido o responsável pela construção do país, não se viu dono de uma &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SpMqziibx8I/AAAAAAAAATY/zMl4ucmBQXo/s1600-h/cotas2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 215px; height: 328px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SpMqziibx8I/AAAAAAAAATY/zMl4ucmBQXo/s400/cotas2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373685845316061122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;mínima parte que fosse. O negro não ganhou uma mula sequer para começar sua vida. A gente não começou do zero a vida livre nessa nação. A gente começou do menos mil. Analfabeto, desempregado, abandonado, sem identidade, sem mãe, sem pai, sem história, sem pátria, sem língua, sem nada. E isso não se resolve em 100 anos. Os judeus demoraram 5 mil. O problema é que nós não temos 5 mil anos para nos incluir no mundo; temos que resolver isso agora. E como se resolve o problema de um povo que não tem oportunidade porque não tem autoestima e não tem autoestima porque não tem conhecimento? Com educação. Precisamos de educação e precisamos urgentemente. Precisamos saber quem somos, precisamos aprender de onde viemos, precisamos saber que nossa história não é vexatória como contam os livros da escola. Precisamos escrever nossos livros, salvar nossa história enquanto há tempo. Precisamos cobrar nossa imensa parte na construção deste país para podermos recomeçar, sem rancor, a construir a história das próximas gerações em patamar de igualdade com os brancos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Você não acha que, no sentido figurado, "dar um empurrãozinho" aos negros, o que seriam as cotas, é achar que os negros são menos intelectualmente capazes que os brancos, então eles precisam desse "empurrãozinho"?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Bom, acho que minha primeira resposta serve para essa pergunta. Não somos menos intelectualmente capazes. Só estamos 500 anos atrasados na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Qual sua opinião sobre racismo contra os brancos que é bem comum hoje em dia?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não consigo detectar um único caso de racismo contra brancos, pra te falar a verdade. Os casos que brancos me descreveram como extremos me pareceram pura e simplesmente auto-defesa de gente muito judiada. Nunca vi, por exemplo, caso de branco que foi preso por ser branco. Pra te falar a verdade, nunca ouvi um caso de agressão racista contra brancos. Por isso, não consigo elaborar uma resposta satisfatória sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SpMvmpyXJ7I/AAAAAAAAATo/wI2_t1WYoTw/s1600-h/cotas4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 393px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SpMvmpyXJ7I/AAAAAAAAATo/wI2_t1WYoTw/s400/cotas4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373691121481754546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Você não acha que essa conversa de, ter orgulho de ser negro/branco, ou dar vantagens para os negros, como as cotas, ou ser obrigatório ter funcionários negros em uma empresa, é uma coisa que deveria ser deixada no passado, e começar a pensar em uma sociedade com pessoas iguais, independente de cor, sexo ou religião? Eu penso isso, o que você pensa sobre isso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Cara... Quero cotas agora para que no futuro, elas sejam coisa do passado, entendeu? Quero que um dia, a gente não precise delas para ver negros professores, médicos, advogados. Quero que as cotas coloquem negros em situação de igualdade. Hoje existem cotas: os cargos mais importantes de nosso país tem cotas de 100% para brancos. E isso é porque a gente vive numa sociedade que foi tão opressora com o negro, que tirou da maior parte da população negra o direito de sonhar. Eu quero cotas para que, nas próximas gerações, o filho de um profissional negro possa sonhar ser advogado, artista plástico, professor universitário, o que ele quiser. A ideia é que essa próxima geração tenha o leque aberto diante de si; que ela não precise se ver restrita às únicas três carreiras de destaque que o negro médio brasileiro pode ambicionar: música, futebol e crime. Além disso, imagine quantos cérebros nosso país já perdeu por falta de uma oportunidade na base? Quantos engenheiros, arquitetos e artistas enviesaram pelo crime porque não tinham talento para a música e para o futebol e não conheciam nenhuma outra alternativa? Como você, Julio, eu acredito na igualdade. O problema é que ainda falta muito para o negro ficar em igualdade de oportunidades com o branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SpMqONDs0VI/AAAAAAAAATQ/DJLjOF8ubhI/s1600-h/cotas1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 450px; height: 296px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SpMqONDs0VI/AAAAAAAAATQ/DJLjOF8ubhI/s400/cotas1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373685203894849874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-6576560467058948880?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/6576560467058948880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=6576560467058948880&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/6576560467058948880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/6576560467058948880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/08/cotas-para-negros-um-afropapo-com.html' title='Cotas para negros: um afropapo com... comigo mesmo'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SpMsg1OroQI/AAAAAAAAATg/BABVZ7IZQgU/s72-c/cotas3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-940083779954431409</id><published>2009-08-21T17:12:00.007-03:00</published><updated>2009-08-21T18:21:56.872-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><title type='text'>Afropapo com Renegado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/So8LO5W_v4I/AAAAAAAAATA/pO6Abosg8ZQ/s1600-h/renegadobarbara.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/So8LO5W_v4I/AAAAAAAAATA/pO6Abosg8ZQ/s400/renegadobarbara.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372525231019638658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Renegado, em foto de Bárbara Dutra&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou inaugurar uma sessão aqui no Afro hoje, que vou chamar provisoriamente (ou não) de Afropapo. Nela, vou publicar as entrevistas que faço por aí com uma negrada que tem o que dizer. Como diria Gerson King Combo, o esquema aqui é "Falar! Como fala um black!". E, rapaziada, fico feliz da vida em começar essa ideia pelo rapper mineiro Renegado, um negrão que tá chegando de fininho na área e que, na minha humilde opinião, é o cara que tem carisma, talento e competência pra preencher a lacuna deixada pelo Sabotage. Você achou que exagerei ou que fui ousado demais? Então, olha só o papo do cara aí embaixo e aproveita pra ouvir os sons que estão no meio da entrevista. Só coisa fina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nunca tive muito contato com meu pai", conta o rapper &lt;a href="http://www.arebeldia.com.br/site/home.html" target="_blank"&gt;Renegado&lt;/a&gt;, constatando em si próprio a realidade de milhões de crianças de periferia. "Nas vezes que ele aparecia, sempre aparecia malandrão, né? Chapado e com o Bezerra da Silva debaixo do braço". A mãe, que "limpou muito chão de playboy" para criar os filhos, era solteira aos 21 anos e já alimentava duas bocas. Ao seu redor, surgiam exemplos e mais exemplos do que há de pior: bêbados, bandidos, traficantes, armas. O roteiro é a tragédia clássica do negro pobre. Mas, aos 27 anos, esse mineiro da comunidade Alto Vera Cruz, em Belo Horizonte, contraria as estatísticas: "Não tenho nenhuma perfuração de bala no corpo, nenhuma cadeia e tenho uma perspectiva de vida palpável na música", despeja o rapper.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perspectiva é modéstia e rapper é pouco para defini-lo. Com sua mistura indiscriminada de samba, reggae, ragga, MPB e o que mais lhe vier à cabeça, Renegado é hoje a maior revelação da música de Minas: ganhou dois prêmios Hutuz em 2008 (revelação e melhor site), lançou um disco independente (&lt;i&gt;Do Oiapoque a Nova York&lt;/i&gt;) e outro demo, gravou em Cuba com Cubanito e Alayo, virou garoto-propaganda do programa &lt;a href="http://www.vozesdomorro.mg.gov.br/Home/Default.aspx"&gt;Vozes do Morro&lt;/a&gt; do Governo Estadual, flertou com a MPB de Aline Calixto e já é figurinha carimbada dentro do movimento hip hop. Por fora, é ativista social e presidente da ONG Negros da Unidade Consciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu não tenho gravadora, não tenho grandes investidores, não tenho nada do tipo. Tenho é muita vontade de trabalhar e pessoas que acreditam no mesmo sonho que eu". Apoiado pelos "parceiros de caminhada", Renegado quer ir além - e não só na música. O que ele deseja mesmo é um país mais justo, mais igualitário e com mais oportunidades. E o rap é um dos caminhos para isso porque é a "música da verdade. Pra quem tem verdade a ser transmitida, ele é um mecanismo de libertação". Se o papo lhe parece sério demais até aqui, meio sisudo até, é porque você não conhece o cara ainda: Renegado é todo sorridente. "A gente escuta: 'Tem que ser homem mau pra vencer essa guerra'. Muito pelo contrário, mau é quem nos oprimiu até agora. Nós estamos aqui mostrando que não queremos viver em guerra; queremos alcançar a paz". Por isso, ele garante que sua música não carrega o peso de quem mora na periferia, mas a esperança de mudar. E tudo isso sem perder a ginga, o suíngue e o &lt;i&gt;flow&lt;/i&gt;, como ele gosta de dizer. Com vocês, Renegado:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/So8Mt8FIZaI/AAAAAAAAATI/iG1Wxm49Ldw/s1600-h/dooiapoque.jpeg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 493px; height: 335px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/So8Mt8FIZaI/AAAAAAAAATI/iG1Wxm49Ldw/s400/dooiapoque.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372526863837586850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Reprodução da capa do CD "Do Oiapoque a Nova York"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Afroências: Você prefere ser chamado de rapper, cantor ou prefere não ser chamado de nada?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado:&lt;/span&gt; (Risos) Mano, acho que eu sou músico, tá ligado? E, acima de tudo, rap é a música que eu escolhi cantar. Hoje no meu trabalho, o rap é uma opção de música. Não é a única alternativa; meu trabalho dialoga o tempo inteiro com várias vertentes da música. Busco trazer isso pra dentro do rap. Eu me identifico muito com o rap porque ele é a música da verdade. Pra quem tem verdade a ser transmitida, ele é um mecanismo de libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Renegado era apelido na quebrada ou é nome artístico?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;A princípio, foi um apelido que eu ganhei - eu não curtia muito, não. Minha mãe sempre foi muito sistemática com a nossa criação em casa, ela nunca gostou muito desse esquema de ter vulgo. Depois de um tempo, comecei a refletir melhor sobre esse nome e percebi que várias pessoas da quebrada são renegadas: às vezes, não temos condição de ter uma casa legal, de ter saneamento básico, de ter uma condição de vida digna de dizer que somos cidadãos, tá ligado? São bens comuns de sobrevivência que foram negados e re-negados. Por isso que eu adotei esse nome; para poder falar que, mesmo com todo o descaso e toda a revolta, a opção que nós temos não é portar arma como forma de vida. E é uma palavra forte, né, mano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E ela tem o "nego" no meio, né? Todo mundo fala negação, mas ninguém fala brancação...&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;É... Negação, mas não brancação (risos). Boa! Essa daí eu não tinha pensado, essa foi ótima. E é louco porque, ao mesmo tempo em que é uma palavra que traz essa vibe de ser algo negativo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Outra palavra com nego...&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Tem várias! Se a gente for levantar assim, tipo... Denegrir, mano. Denegrir é f... Vamos denegrir tudo pra ver se fica um pouquinho mais preto. Mas então, essa parada do nome: também tem uma força, tem uma musicalidade dentro dele, que me atraiu muito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/x_lgFyenyT8&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/x_lgFyenyT8&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Bênção", de Renegado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A Dona Regina (mãe) acabou aceitando o vulgo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Ah, hoje ela já fala. Quando ela atende o telefone lá em casa, ela diz: "Aqui quem está falando é a mãe do Renegado!" (risos). Ela já se identifica. E a parada é a seguinte: nessa sociedade em que a gente vive, todo mundo tem que ser bonzinho o tempo inteiro, tem que ser heroi, cara. A gente tem que trabalhar um pouco a questão do anti-heroi, da contracultura... Até pra gente poder refletir um pouco, sair do lugar. Se a gente fica aceitando tudo o que está pronto e acabado, a gente não muda, né? Vamos ver se os renegados acordam aí pra poder escrever a própria história, né, irmão? Porque o tempo inteiro fica essa parada de gente dizer que nós somos descendentes de escravos... Meu ancestral não foi escravo, ele foi escravizado; é diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ninguém nasce escravo, né?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Ninguém nasce escravo, como ninguém nasce Madre Tereza de Calcutá e ninguém nasce Fernandinho Beiramar, tá ligado? É tudo uma questão de sensibilidade e referencial. Nosso referencial, o tempo inteiro, é o cara da quebrada portando fuzil, o pai alcoólatra. Esses são os referenciais do nosso povo. Então, a gente tem que mudar um pouco essa perspectiva. Quando um moleque na quebrada me vê fazendo um comercial ou um show, ele fala: "Pô, aquele mano da quebrada está lá na televisão". E fala pra mim: "Continua aí, o trabalho tá legal". Ele começa a ter ourtas referências sendo construídas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Você mistura samba, rap, reggae, tem um site muito louco, de alta tecnologia, não tem qualquer barreira. De onde vem essa força pra desbravar culturas?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;A primeira coisa que a gente tem que ter é acreditar que sempre é possível sonhar. Se a gente acha que tudo é difícil... Tudo é difícil mesmo, mas se a gente entrar no jogo achando que já perdeu, melhor nem entrar em campo. Eu não tenho gravadora, não tenho grandes investidores, não tenho nada do tipo. Tenho é muita vontade de trabalhar e pessoas que acreditam no mesmo sonho que eu. Então, eu vou colhendo parceiros no decorrer da caminhada e, com isso, o trabalho vai se construindo e se consolidando também. Nessas, tivemos em 2008 a felicidade de ganhar o prêmio de melhor site de hip hop no Hutuz... Também ganhei o prêmio de Rapper Revelação em 2008. Então, saí de Belo Horizonte, ninguém me conhecia e já pude alcançar outro patamar. Hoje, nós estamos circulando o país, fazendo show em Brasília, Goiânia, Cuiabá, São Paulo, Rio, Campinas... O trabalho está se sustentando. E o tempo inteiro, a gente recebe palavras de "desincentivo": "Isso é difícil, isso não dá...". Esse pensamento nós temos que mudar. Eu não construí nenhuma fronteira, você construiu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Então, mano... Minha palavra de ordem é quebrar fronteiras e estabelecer diálogos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Como foi seu primeiro contato com a música?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Meu primeiro contato com cultura de uma forma geral foi quando eu entrei num grupo de capoeira lá na minha comunidade. Fiquei nesse grupo durante cinco anos. Quando eu tinha 13 anos de idade, eu estava na casa de um amigo e estávamos nós dois ouvindo uma rádio comunitária que tocou "Fim de semana no parque", dos Racionais MCs; e "Corpo fechado", de Thaíde e DJ Hum, na sequência. Aí eu falei: "É essa parada que eu quero fazer". Me identifiquei na hora. Mas eu sempre tive contato com a música. Minha mãe ouvia aquelas rádios que tocam música romântica no final da noite. Era Roberto Carlos, Tim Maia... E gravava num gravador que a gente tinha em casa. Meu pai sempre foi muito ausente, nunca tive muito contato com ele, mas nas vezes que ele aparecia, sempre aparecia malandrão, né? Chapado e com o Bezerra da Silva debaixo do braço (meio riso). Essas coisas que foram me pautando pra que, quando eu tive oportunidade de conhecer o rap, eu pudesse aplicar tudo isso dentro da minha música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Então sua formação foi pelo rádio?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Sim. A vida inteira, né, mano? E hoje o meu som toca na rádio também. Então, eu tô sendo referencial pra outros moleques também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E como é que é essa história de Nova York?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Quando eu fui fazer o disco, eu quis trazer a questão da mistura e do diálogo pra dentro do trabalho. Pô, nós temos aqui um rico histórico musical nacional e, naquele momento, o rap nacional ainda não tinha aprendido a se tornar um rap brasileiro. Eu resolvi fazer mistura; e peguei a referência do rap como a música pop do mundo - Nova York como pilar dessa globalização. Eu pensei: "Vou falar do Brasil aos Estados Unidos"; e escolhi esse nome, mais brasileiro e mais world music possível: &lt;i&gt;Do Oiapoque a Nova York&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="340" width="560"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tz7VFtwE0vs&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/tz7VFtwE0vs&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="340" width="560"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Conexão Alto Vera Cruz/Havana, no Estúdio Show Livre&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Entre Oiapoque e Nova York tem Havana, né (uma das músicas de Renegado, chamada Conexão Alto Vera Cruz/Havana, tem participação de músicos cubanos)?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Tem América Latina inteira, irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Falo especificamente da música Conexão Alto Vera Cruz/Havana: começa com batida de terreiro, cita o candomblé, cita a santeria. Quer dizer, é uma música panafricanista. A mensagem que ela me passa é que todos os negros são filhos de uma mesma mãe África.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Sim. Irmão, eu acho que a África é o grande berço de tudo, tá ligado? Quando eu comecei a produzir o disco, ouvi muita coisa do Senegal, do Quênia. Queria uma referência de por onde transitar com o trabalho. Quando a gente busca nossas raízes, a gente tem perspectiva de enxergar o futuro. Quando eu entendi essa parada, falei: "Opa, 'pera aí'. Vamos lá na África, vamos em Nova York, vamos entrar em conexão com tudo que existe". Isso abriu o diálogo. E raiz é isso. Fiz essa música em 2004, quando fui a Cuba. E ela continua atual. Acho que se a gente ouvir daqui a cinco anos, ela vai continuar atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Como foi a viagem para Cuba?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Ficamos 15 dias lá. Nossa, mano, é uma ilha mágica. Você vê o povo sobrevivendo em condições precárias, por causa do embargo e da própria ditadura. Claro que a revolução é bacana, mas ditadura tem suas desvantagens. Mas o povo é igual ao povo brasileiro! Eu fiquei em Vedado (bairro de Havana). Eu andava Vedado, achei que estava no Alto Vera Cruz. Tranquilo: povo rindo, a vibe boa, mulheres bonitas, andando com a auto-estima em alta. Que da hora aquele lugar! Lá não tem essa questão de preconceito racial igual ao que tem aqui: o pessoal lá é cubano e tá tudo certo. Não tem essa vibe, tudo é energia; tranquilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Por falar em preconceito racial, o candomblé tem sido muito judiado, principalmente por algumas igrejas evangélicas que têm, inclusive, convertido muitos negros. Você é um cara que fala livremente do candomblé na sua música. Esse é um caminho pra salvar essa parte cultura negra de tanto preconceito?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;A base de tudo no mundo é a educação. Enquanto a educação no nosso país for ineficiente, nós vamos ter esse retrocesso no sentido de respeitar outras etnias, outras crenças e os outros indivíduos da nossa sociedade. O nosso povo aceita essa coisa das outras religiões serem impostas porque nossa história foi queimada. Ela não foi estudada quando a gente era criança e continua não sendo estudada agora, com a gente um pouco maior. Hoje, nós temos construções que ajudam a melhorar esse processo, como a lei que (obriga) o estudo da história africana nas escolas. Então, daqui a pouco, nós vamos ter uma outra mentalidade sendo construída em torno das religiões de matriz africana - o povo vai começar a entender a nossa história. Porque o povo que não tem história não tem auto-estima, não tem conhecimento, não tem perspectiva. É disso que nosso povo está precisando: conhecer quem são nossos ancestrais e entender para onde o mundo está nos guiando. Acho que aí a gente vai ter a tranquilidade para respeitar a religião e a cultura do outro sem precisar impor a nossa. A fase de colonização já passou, mas a gente ainda vive ela quando liga a televisão ou quando vai a um culto religioso. Mas com o tempo, isso tudo vai ser vencido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Foi com essa ideia na cabeça que você criou a ONG Negros da Unidade Consciente?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Foi com a ideia de ter perspectiva de vida e atuação na comunidade... Tudo isso sem perder o &lt;i&gt;flow&lt;/i&gt;, né (risos)? Porque isso nós temos que ter o tempo inteiro: nossa ginga e o nosso suíngue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Por falar em não perder o flow, você é um rapper que não tem vergonha de sorrir - quem vê a capa do seu disco demo não fala que é rap. Cara feia no&lt;/b&gt;&lt;b&gt; rap é coisa do passado?&lt;/b&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/So8DtnkgntI/AAAAAAAAAS4/XDNQdCh0caY/s1600-h/renegadodemo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 300px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/So8DtnkgntI/AAAAAAAAAS4/XDNQdCh0caY/s400/renegadodemo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372516962727403218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Não vou nem dizer que é coisa do passado. Só acho que o rap está passando por uma fase de transição. A gente escuta: "Tem que lutar, tem que ser homem mau pra vencer essa guerra". Muito pelo contrário, mau é quem nos oprimiu até agora. Nós estamos aqui mostrando que não queremos viver em guerra; queremos alcançar a paz. Por isso, mano, a gente tem que ter sorriso, tem que ter verdade, tem que ter tranquilidade pra poder guiar esse momento. Acho que a minha música não tem o peso de quem mora na periferia; ela tem é a perspectiva de melhora pra quem mora na periferia. Se a gente ficar na bad trip o tempo inteiro, é complicado demais. Nosso povo é batalhador, é guerreiro, mas se diverte também: faz música boa, joga muito futebol, faz samba, tá ligado? É nossa história, é nossa raiz. Não tem como a gente negar isso daí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Você já teve bastante contato com a mídia?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Tive sim. E vou te falar que o meu trabalho é muito bem aceito pela mídia, principalmente a impressa. O pessoal tem uma atenção muito grande, observa e respeita muito. Eu sou muito feliz por isso. Mas eu acho que ainda é pouco. Temos que ter quatro &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Manos &amp;amp; Minas&lt;/span&gt; (programa da TV Cultura), temos que ter vários jornais e várias revistas para divulgar os nossos feitos. E acho que a gente tem que ocupar mesmo a mídia porque são mais de 60 milhões de negros que assistem a TV no domingo à tarde, tá ligado? A gente tem que estar lá pro cara poder olhar e falar: "Opa, olha a gente lá!".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/s7ahDAlu0Ww&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/s7ahDAlu0Ww&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Renegado canta "Do Oiapoque a Nova York" no Manos &amp;amp; Minas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Então dá para fazer da mídia uma aliada?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Eu não diria aliada. A mídia é uma ferramenta que a gente precisa aprender a utilizar, como utiliza hoje Twitter, Facebook, Orkut, email.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Falando especificamente desse show de sexta-feira, o que você vai apresentar para o público de São Paulo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;Vou apresentar o repertório do disco, com algumas músicas inéditas também e algumas releituras - tô começando a trazer isso pra dentro do universo do rap. Acho que está na hora de a gente estabelecer um diálogo maior com a música brasileira. Então, vou cantar Tim Maia, Chico Buarque e vou ter essa participação maravilhosa do Marcelinho da Lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Quando você era moleque lá no Alto Vera Cruz, qual era seu maior sonho?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;(Silêncio) Essa é boa (risos). Eu ainda sonho demais quando eu estou lá no Alto Vera Cruz, tá ligado? Acho que ali eu sou moleque. Mas uma coisa que eu sempre quis fazer foi transformar aquela comunidade de verdade. Hoje a gente já conseguiu várias obras de orçamento participativo, estamos abrindo as ruas na comunidade, canalizando; estamos mudando o cotidiano das pessoas que estão lá. O meu sonho era ser referência na minha comunidade. Acho que até comecei a extrapolar, começamos a quebrar as fronteiras do Alto Vera Cruz e ir pra outras - pra cidade, pro estado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Pra BH, pro Brasil, pro Oiapoque, pra Nova York?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renegado: &lt;/span&gt;(Risos) Por exemplo, né, mano? A próxima tentativa é isso. Acho que é isso, bicho, acho que a cada dia o sonho se renova. E isso é o mais importante: a gente sempre tem que sonhar para alcançar um outro sonho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Essa entrevista foi publicada originalmente no &lt;a href="http://www.obaoba.com.br/noticias/Renegado-canta-a-realidade-com-um-sorriso-no-rosto"&gt;!ObaOba&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-940083779954431409?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/940083779954431409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=940083779954431409&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/940083779954431409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/940083779954431409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/08/afropapo-com-renegado.html' title='Afropapo com Renegado'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/So8LO5W_v4I/AAAAAAAAATA/pO6Abosg8ZQ/s72-c/renegadobarbara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-7684718145603430096</id><published>2009-08-19T17:48:00.003-03:00</published><updated>2009-08-19T17:54:28.001-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='televisao'/><title type='text'>A coisa fica preta para os Simpsons em Angola</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SoxlO5BsMuI/AAAAAAAAASw/3TZP7uhk2so/s1600-h/simpsonsangola.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 418px; height: 279px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SoxlO5BsMuI/AAAAAAAAASw/3TZP7uhk2so/s400/simpsonsangola.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371779762046644962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os Simpsons vão estrear em Angola, pelo canal via satélite Bué e agência de publicidade local Executive Center lançou o desenho acima como teaser do lançamento. Muito louco, né? Vi a notícia no blog da &lt;a href="http://oglobo.globo.com/cultura/kogut/posts/2009/08/19/os-simpsons-mudam-para-agradar-publico-angolano-veja-215382.asp"&gt;Patrícia Kogut&lt;/a&gt;, na Globo.com. A descrição dela é a seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A mais americana de todas as famílias dos desenhos animados se transformou: tem caixas de som gigantescas na sala, Homer bebe um cerveja diferente e Bart e Marge ganharam novo penteado. Repare no quadro na parede, que, no desenho original de Matt Groening é de um veleiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ô, dona Kogut... Não faltou nada não? Eles estão pretos, criatura! Será que ela não reparou ou não conseguiu achar uma palavra suficientemente politicamente correta pra dizer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-7684718145603430096?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/7684718145603430096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=7684718145603430096&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7684718145603430096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7684718145603430096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/08/coisa-fica-preta-para-os-simpsons-em.html' title='A coisa fica preta para os Simpsons em Angola'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SoxlO5BsMuI/AAAAAAAAASw/3TZP7uhk2so/s72-c/simpsonsangola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-2002766376642876517</id><published>2009-08-17T13:52:00.003-03:00</published><updated>2009-08-17T13:59:09.936-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica'/><title type='text'>Kind of Blue, obra prima de Miles Davis, faz 50 anos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SomL5BAhAoI/AAAAAAAAASo/8UfWYIuc0nE/s1600-h/miles.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 311px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SomL5BAhAoI/AAAAAAAAASo/8UfWYIuc0nE/s400/miles.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370977842255430274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"É como a Bíblia - você simplesmente tem uma cópia em casa". Foi assim que o rapper Q-Tip sintetizou &lt;i&gt;Kind of Blue&lt;/i&gt;, de Miles Davis, em uma entrevista em 2008. Antes dele, a crítica foi prolixa, tentando por em palavras o som do álbum mais vendido da história do jazz. O editor sênior do Allmusic Stephen Erlewine, por exemplo, disse que "Kind of Blue não é meramente o ápice da arte de Miles Davis; é um álbum que se ergue sobre seus pares, o definitivo álbum de jazz, um padrão de excelência universalmente reconhecido". O escritor Ashley Kahn, que dedicou ao disco um livro inteiro (&lt;i&gt;Kind of Blue&lt;/i&gt;, Ed. Barracuda, 2007), disse: "Quatro décadas depois da gravação, Kind of Blue é o melhor disco de sua era, de jazz ou de qualquer estilo".&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, há exatos 50 anos, Kind of Blue foi uma revolução (quase) silenciosa na música. Se até Charlie Parker teve um tempo de maturação para estabelecer o padrão de seu bebop, Miles Davis inventou o novo jazz numa tacada só. Ok, isso foi exagero: desde que teve contato com o conceito musical do pianista George Russell - que defendia a improvisação sobre a tonalidade da música e livrava os instrumentistas da preocupação com rápidas e complexas mudanças de acordes -, Davis começou a experimentar a nova forma que ganhou, no jargão jazzístico, o nome de modal. Ele tentou aqui e ali, nos álbuns de 1958, &lt;i&gt;Milestones&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;1958 Miles&lt;/i&gt;, colocar um pouco daquela simplificação do jazz.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qlIU-2N7WY4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/qlIU-2N7WY4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sexteto de Miles tocando "So What", em abril de 1959&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Mas em Kind of Blue, foi além, como conta Bill Evans nas notas de contracapa do LP original, lançado a 17 de agosto de 1959: "Como um pintor que precisa da tela, um grupo de improvisação musical precisa das partituras. Miles Davis nos trouxe esboços que eram esquisitos em sua simplicidade, mas que continham tudo que é necessário para estimular a performance dos músicos. E Miles fez isso apenas algumas horas antes das sessões de gravação". Quer dizer, aqueles sete músicos do mais grosso calibre de sua época - Cannonball Aderley (sax alto), John Coltrane (sax tenor), Wynton Kelly (piano), Bill Evans (piano), Paul Chambers (baixo) e Jimmy Cobb (bateria) - se viram no estúdio, prontos para gravar com o temperamental e perfeccionista Miles Davis sem a mínima referência a que estavam acostumados. Uma pressão de gelar os ossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o band leader deu sua colher de chá: já que eles teriam de tocar praticamente às cegas, livres das partituras e improvisando sobre uma fórmula atípica, eles tocariam o mais básico dos ritmos negros americanos; o blues. Foi assim que Miles Davis conseguiu extrair o máximo da noção melódica daqueles músicos; trouxe à tona seus medos, angústias, alegrias, traumas. Escancarou aquelas sete almas em dois dias de estúdio. E mais: criou um novo caminho para o jazz que, no fim dos anos 50, patinava sobre formas cada vez mais complexas e se encerrava nos ouvidos treinados dos músicos. Recolocou no eixo popular um gênero musical que havia ficado técnico e barroco demais para o público normal. Criou uma porta de entrada para um novo jazz. Por isso, quase 50 anos depois, um sábio crítico musical pode dizer: "Se você não gosta de Kind of Blue, não gosta de jazz".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-2002766376642876517?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/2002766376642876517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=2002766376642876517&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/2002766376642876517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/2002766376642876517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/08/kind-of-blue-obra-prima-de-miles-davis.html' title='Kind of Blue, obra prima de Miles Davis, faz 50 anos'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SomL5BAhAoI/AAAAAAAAASo/8UfWYIuc0nE/s72-c/miles.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-4849633506254214367</id><published>2009-08-05T01:07:00.007-03:00</published><updated>2009-08-05T10:33:49.623-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='racismo'/><title type='text'>MTV: fique com seus brancos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SnkIP_y8i3I/AAAAAAAAASg/6RmToXsP_RM/s1600-h/mtvracista.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 471px; height: 325px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SnkIP_y8i3I/AAAAAAAAASg/6RmToXsP_RM/s400/mtvracista.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366329501904833394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Vocês sabem que a MTV nasceu deliberadamente como um canal exclusivo para a classe média branca. Evitar negros na tela era política da empresa. Isso mudou quando um jovem gênio de sapato preto e meia branca andou na lua e transformou videoclipe em filme de Hollywood. Até o público branco queria ver Michael Jackson na tela. A alta cúpula do canal tolerou o preto em nome das verdinhas; hoje, a MTV americana é praticamente negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MTV Brasil, pelo contrário: é o canal menos preto da TV aberta. É o único em que você liga e não vê preto figurante, preto cantando, preto dançando, preto VJ - tem lá seu Leo Madeira, mas o negrão ouve Radiohead e The Strokes. Deixo a pergunta, já sabendo a resposta, pra negrada que lê: representa a gente? Enfim, gostos musicais à parte, a verdade é que a MTV não põe preto nem pra varrer o chão. E, como eu não quero ver preto varrendo chão na tela da MTV, digo logo: MTV, fique com seus brancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou me explicar melhor: essa noite tive o desprazer de acompanhar o programa de debate (mal) apresentado pelo Lobão. Não sei se a ideia é fazer uma sátira das mesas redondas de futebol, em que todo mundo fala ao mesmo tempo, o convidado boia e o espectador mais ainda. Se é sátira, é ruim: não tem graça. Essa última edição discutiu o tema do post abaixo, sob o GC (aquele textinho que aparece no pé da tela), mal formulado "O mundo está muito politicamente correto?" - o ideal para o que eles queriam dizer era "O mundo está politicamente correto demais?". Fosse como fosse, não passaria de eufemismo. Porque a bola que eles queriam levantar era: "Por que não pode fazer piada de preto?"; e a resposta que eles queriam obter era que essa minoria é muito chata e cria caso com qualquer caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estratégia para forjar o veredicto foi botar um negro político (da Secretaria de Igualdade Racial), que não poderia chutar o pau da barraca por trabalhar em um órgão público que é visto como macaquice pelo Brasil branco, cercado de descoladinhos. Descoladinhos são aqueles brancos que não têm racismo, que defendem a liberdade de expressão, que fazem piadas politicamente incorretas, mas que se lhes despirmos o racismo, sobra só o all star. Eles são terminantemente contrários às cotas - acreditam que seja reforçar o racismo ("que existe!", fazem questão de frisar... Me pergunto onde). Dizem que o problema da educação tem que ser resolvido na base, não com paliativos. Mas fazem questão de dizer que, pra resolver o problema do mundo, é preciso derrubar tudo e começar de novo. Quer dizer, eles são como o Rambo, o rebelde que alimenta o status quo, o lúmpen de um Brasil pseudo-pós-racial; são a cara da MTV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, deixem-me voltar ao debate. A mesa era mais democrática do que fiz parecer no último parágrafo - o negro não estava tão só. Ao lado (físico) dele, estava um homossexual que, coitado... Não conseguia fazer o "O" com um copo, como diria uma colega jornalista. Terminou sua participação dizendo uma preciosidade: "Não deixe que o racista te atinja, não importa o que os outros acham de você". É difícil ignorar o racismo dos outros, heim? Ele cospe na sua cara, dá tapa, dá tiro, te chama de macaco. Tinha também, à esquerda do negrão, um advogado branco - esse sim, um cara bacana. Mas que, cercado por tanta gente descolada, parecia um chato de terno e gravata, um inimigo do humor e da liberdade de expressão. No meio, o Lobão - que duas vezes, que eu me lembre, tentou balizar a conversa para o racismo dos negros contra os brancos - e do outro lado a turma descolada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coube ao branco solitário o papel de dizer que não, chamar negro de macaco não é bacana. O que mais me chama atenção nessa peculiar escolha de personagens são esses dois papéis: do negro de mãos atadas pelo cargo político e do branco defensor do negro. Dois papéis que, há 130 anos, poderiam ser representados da mesma forma, nas figuras do escravo e do abolicionista. O que a MTV promoveu ontem foi um circo bizarro da sociedade escravocrata: colocou o negro na posição de espectador passivo, um branco cruzadista a favor do negro, três sinhozinhos bem formados e um juiz em prol da ordem vigente. Todos esses últimos em defesa da liberdade de um coitado que foi privado, por hordas de minorias moralistas, de seu direito de expressar racismo. Quer dizer, a voltar às capitanias hereditárias da MTV, prefiro continuar com nossas Palmares - Cadernos Negros, Raça, Manos &amp;amp; Minas, Faculdade Zumbi dos Palmares, Hip Hop, Ilê Aiyê e tantos outros -, que foram conquistados e não cedidos pelos descoladinhos. Não precisamos da MTV descoladinha em nossos assuntos; que ela aproveite que Michael Jackson morreu e fique com seus brancos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-4849633506254214367?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/4849633506254214367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=4849633506254214367&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/4849633506254214367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/4849633506254214367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/08/mtv-fique-com-seus-brancos.html' title='MTV: fique com seus brancos'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SnkIP_y8i3I/AAAAAAAAASg/6RmToXsP_RM/s72-c/mtvracista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-2444286685816553164</id><published>2009-07-27T18:28:00.008-03:00</published><updated>2009-07-28T17:59:43.802-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='racismo'/><title type='text'>Danilo Gentili escorrega na banana do macaco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agradeçam ao racista: ele me tirou de uma certa letargia afroente. Não que eu tivesse desistido do blog nem que um comentário débil mental fosse motor de algo construtivo. Como diria Bob Marley, "Babylon ain't got no fruits". Mesmo assim, vou colher post desse fruto da babilônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa era a introdução do post que eu publicaria na semana passada, depois que recebi um comentário de um gremista injuriado porque nesse país de macacos, pode-se chamar loira de vagabunda, puta e um ou outro adjetivo mais que ele usou, mas chamar preto de macaco é crime inafiançável. Se vocês quiserem ler o comentário dele, fiquem à vontade, não excluí. Só acho que é meio perda de tempo...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sm4ec6xj9AI/AAAAAAAAASQ/4MGcV46uNBA/s1600-h/Gentili.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sm4ec6xj9AI/AAAAAAAAASQ/4MGcV46uNBA/s400/Gentili.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363257688407143426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda bem que não escrevi essa besteira. Afinal, um racistinha injuriado não faz primavera, muito menos afroência. Mas um racistão bem humorado faz, isso faz. O CQC Danilo Gentili é um humorista de H maiúsculo, cara que faz piada e fica sério, se faz de morto pra comer o ... do coveiro. É dos bons mesmo. Ele é o cara daquele quadro do repórter inexperiente, é figurinha carimbada no congresso nacional, o terror da alta política brasileira. O campeão de fazer perguntas sérias como se fossem triviais e perguntas triviais como se fossem sérias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, nesse fim de semana, o cara postou no &lt;a href="http://twitter.com/DaniloGentili" target="_blank"&gt;Tuíter&lt;/a&gt; uma pergunta muito da séria como se fosse trivial. E eu, como trivial que sou, me arrisco a responder. Antes de mais nada, à historinha: Danilo Gentili não estava fazendo nada no sábado à noite, quando trombou com King Kong passando no Telecine. E postou: “Agora no TeleCine King Kong, um macaco q depois q vai p/ cidade e fica famoso pega 1 loira. Quem ele acha q é? Jogador de futebol?”, como informa &lt;a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/mauricio_stycer/2009/07/27/o+politicamente+correto+esta+deixando+as+pessoas+idiotas+diz+danilo+gentili+7523964.html" target="_blank"&gt;Mauricio Stycer&lt;/a&gt;, do iG.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, achei boa a piada. E não vi nada de racista até aqui. O problema é que um monte de gente caiu de pau e ele, ao invés de responder que a piada não tinha nada de racista, escorregou na banana do macaco e fez a mesma pergunta que o injuriado gremista louronacionalista:  “Alguém pode me dar 1 explicação razoável pq posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa mas nunca um negro de macaco?”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À historinha, mais uma vez. Era uma vez um negrinho muito simpático chamado Kunta Kinte. Kinte gostava de correr, brincar de luta, ouvir histórias. Não era muito dado aos estudos - tinha tanta dificuldade para entender as letras do alcorão como tinha facilidade em ler as palavras dos tambores da tribo -, mas era um moleque inteligente. Aos sete anos de idade fez fama em toda região do Kambi Bolongo depois de criar uma armadilha de extrema eficácia contra predadores de ovelhas. Era uma promessa para a vida adulta e seu pai, Omoro, se orgulhava disso. Um dia, com quinze anos recém-completos, ele saiu pra buscar madeira e sumiu. Ninguém nunca mais ouviu falar dele. A vida que ele esperava ter se dividia em quatro etapas: infância, idade adulta, velhice e morte. Continuaram quatro etapas, mas elas mudaram de nome e ordem: liberdade, morte, carga e mercadoria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sm4evmDEdYI/AAAAAAAAASY/71tlvBCwjnY/s1600-h/kunta.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sm4evmDEdYI/AAAAAAAAASY/71tlvBCwjnY/s400/kunta.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363258009260946818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Kinte passou pela morte e embarcou como carga em um navio negreiro. E lá, conheceu uma coisa chamada racismo. Enquanto para o alto comando do capitalismo mercantil, não passava de um ardil para justificar à Igreja a escravidão negra, para aqueles marinheiros brancos, chucros e mal-cheirosos, era fato consumado. Os negros eram inferiores porque assim quis Deus: subdesenvolvidos, falantes de dialetos primitivos, viviam nus em árvores como macacos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo era mentira, lógico. O dialeto e a língua são diferenciados por seu uso oficial - como as línguas africanas não tinham uso oficial para o mundo branco, todas eram chamadas de dialetos, mesmo que tivessem gramáticas complexas e bem-estruturadas. Os negros não eram subdesenvolvidos nem pelos moldes eurocêntriocs e impérios como o Zulu e o Ashanti são prova disso. E por fim, acreditar que o negrão no calor da África subsaariana vai se cobrir de pano como o europeu é uma viagem absurda. Enfim, morre o fato, fica o mito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mito se perpetua há 500 anos. O mito faz com que a polícia dê tapa na minha e na sua cara e não dê tapa na cara do branco. O mito faz com que sejamos a maior parte da população carcerária. O mito faz com que encabecemos todas as estatísticas de assassinatos de jovens. O mito faz com que não consigamos emprego e, quando conseguimos, somos menos remunerados que brancos na mesma posição. O mito faz com que cotas para negros sejam tratadas por racismo às avessas, enquanto as cotas de 100% brancos que se praticam hoje sejam tidas por normais. O mito faz com que sejamos associados ao feio, ao sujo, ao vagabundo. É por isso, gremista anônimo e Danilo Gentili, que não se pode chamar o negro de macaco. Porque nossa sociedade foi cunhada no racismo predatório do negro e sofre com seus ecos até hoje. A cada vez que um Gentili, um Ali Kamel ou mesmo um anônimo ressuscita essas ideias, o mundo dá um passo atrás. E isso não é o politicamente correto que deixa o mundo mais chato, é só uma tentativa de sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: o colega jornalista Felipe Gil me mandou o link de um post do Casseta Hélio De La Peña sobre o mesmo assunto. Vale a leitura, a começar pelo excelente título &lt;a href="http://tvglobo.casseta.globo.com/helio-de-la-pena/2009/07/28/a-coisa-ficou-afrodescendente-para-o-humor-negro/" target="_blank"&gt;"A coisa ficou afrodescendente para o humor negro"&lt;/a&gt;!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-2444286685816553164?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/2444286685816553164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=2444286685816553164&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/2444286685816553164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/2444286685816553164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/07/danilo-gentili-escorrega-na-banana-do.html' title='Danilo Gentili escorrega na banana do macaco'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sm4ec6xj9AI/AAAAAAAAASQ/4MGcV46uNBA/s72-c/Gentili.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-2805331462363044639</id><published>2009-07-07T11:10:00.015-03:00</published><updated>2009-07-07T17:12:53.927-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='FLIP'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Gay Talese, FLIP e crise de identidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SlNYJFbZy5I/AAAAAAAAASA/UtKSNnc1QDE/s1600-h/inspiracao+de+sao+mateus.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 289px; height: 458px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SlNYJFbZy5I/AAAAAAAAASA/UtKSNnc1QDE/s400/inspiracao+de+sao+mateus.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355721294972832658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Inspiração não existe", foi a primeira frase que o professor disse em sala de aula, logo depois de escrever versos de Pedro Pedreiro, de Chico Buarque, na lousa. Não gostei daquilo. Já lá, nos anos colegiais, era um estudioso de Bob Marley e sentia-me, por isso, testemunha ocular da inspiração. Claro, tinha fitas dele cantando até no banheiro, criando e compondo. Aquilo ERA inspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o veredicto do professor me intrigou e fui ouvir com mais calma. Vi, pela sequência de fitas, que as músicas se desenvolviam de formas simples a outras mais complexas, que era um trabalho constante, árduo, persistente. E vi também que não havia desistências. Aquelas fitas, passadas de mão em mão por aficionados do mundo inteiro, só sobreviveram porque seu criador optou por preservá-las. Guardou os rascunhos, mesmo que fosse para aprender com seus próprios erros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, eu cheguei da FLIP com uma ideia na cabeça: escrever um texto taleseano sobre a festa. Como vocês sabem, sou fã do Gay Talese e minha mãe era fã do Gay Talese antes de mim. Adoro quando ele diz que não escreve para informar ninguém no café da manhã. Escreve textos perenes, que possam ser lidos com o mesmo interesse e fruição estética que se tem à leitura de literatura. Só que Gay Talese é Gay Talese. Eu sou um moleque e minha proposta era pretensiosa demais para ser levada a cabo, como depois eu constatei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, rachei minha cabeça para tentar fazer o tal do texto ("sem o benefício da ficção", como diz Talese). Gastei três horas de trabalho, escolhi três vítimas para testá-lo. A primeira, jornalista veterano, mas comprometido comigo pelo sangue, disse ter adorado. A segunda e a terceira, também jornalistas - embora jovens, de altíssimo gabarito - disseram que patinei. Uma disse que não gostava dos tempos verbais e que meu texto havia ficado frio. Outra disse que eu firulei. Passei a concordar com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, folheava o livro "Vida de Escritor", do Gay Talese, para tentar captar o mistério de suas palavras. Evidentemente, não passei muito perto disso, mas me deparei com uma frase que me fugira aos olhos na primeira leitura: "escrevo com a facilidade de um paciente que expele pedras dos rins". Dentro do mistério das palavras de Talese, encontrei aquele velho professor, que nunca gostou de mim nem eu dele. Juntei tudo com o Bob Marley e resolvi: que se dane. Vou publicar o texto que nunca foi porque inspiração não existe. Fica o rascunho. Quem sabe daqui a alguns anos, ele se torne arte final. Com vocês, meu texto taleseano que não deu certo:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SlNYoqlyG_I/AAAAAAAAASI/NogFT0rmEFI/s1600-h/talese.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 303px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SlNYoqlyG_I/AAAAAAAAASI/NogFT0rmEFI/s400/talese.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355721837524425714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Gay Talese, fonte da inspiração que não existiu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nascido e criado em Paraty, Edmilson não desceu ao centro da cidade enquanto durou a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty). Alugou sua casa a um grupo de paulistanos e se manteve isolado em uma edícula com a mulher, duas filhas e mais de mil passarinhos de competição. "Alguns cantam até 150 vezes entre meio dia e quinze pra uma", se gabou. Observou aquela gente - eu incluso - que ocupava sua casa com naturalidade, sentada em suas cadeiras, usando seus pratos, garfos e facas, cercado de seus quadros, os trofeus de seus passarinhos e as fotos de suas filhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não gosto dessa festa", disse Edmilson descompromissadamente, enquanto reabastecia a caixa d´água dos turistas e recomendava a mim que moderássemos no uso porque 100 litros não bastariam aos 12 hóspedes. "Bom mesmo é o Festival da Pinga, que acontece em agosto. Todos os alambiques descem para expor no centro, o povo fica louco, louco, louco", contou sorridente. "A FLIP é festa pra quem gosta de estudar, de ler", desdenhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naqueles quatro dias, Edmilson foi um pária em sua cidade-natal. Não por seu gosto declarado pelo álcool. Nesse quesito, a turma que tomou as ruas de Paraty não ficou atrás. O próprio Gay Talese, jornalista americano que foi estrela maior da festa, não passa um dia sem um Dry Martini - que ele mesmo prepara - contou sob condição de anonimato uma fonte que trabalhou próxima ao homem. "Ele desceu em São Paulo e se deu conta de que havia esquecido sua garrafinha de uísque, carregada de gin. Tivemos que sair correndo para comprar a bebida e a garrafa", disse. Beber, na FLIP, todo mundo bebeu. Mas o que excluiu Edmilson foi o fato de ele não ver na leitura qualquer função pós-escolar. Na escola, havia lido o mínimo necessário para passar de ano e não apanhar dos pais. Atingiu idade de trabalho - entre seis e sete anos - e passou a vender bananada aos turistas de Paraty. Adulto, garantiu um emprego público onerado em R$ 2 mil mensais e seguiu a vida. Quando "seu" vereador perdeu as eleições locais, passou a trabalhar na Secretaria de Esportes, a R$ 600 por mês. "Uma merreca, mas dá pra viver. O resto completo com meus passarinhos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Edmilson enchia a caixa d´água, Talese, lenda viva do texto literário não ficcional, encheu os ouvidos de milhares de intelectuais com frases como "as pessoas ordinárias são extraordinárias". Disse que, se tivesse entrevistado Sinatra em sua célebre reportagem de 1966 ("Frank Sinatra está resfriado"), faria um texto ruim. Para ele, as melhores histórias saem da boca de gente comum, que geralmente passa despercebida do faro jornalístico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um bom jornalista deve ser capaz de transitar entre as mais diversas classes sociais e conviver normalmente com gente diferente de si", disse. Reproduzindo ideias de seu mais novo livro, Vida de Escritor (Cia. das Letras, 2009), ele disse acreditar que todas as pessoas têm um primeiro e um segundo andares - imagem inspirada na loja que seu pai mantinha com sua mãe e que ocupava o térreo de sua casa. No primeiro andar, andar do dia e do trabalho, só se falava inglês e o apoio aos Estados Unidos na Segunda Guerra era incondicional, mesmo quando choviam bombas americanas sobre a Itália, terra natal de seu pai. No segundo andar, da intimidade, o italiano imperava e o velho Talese mostrava preocupação com a invasão aliada na Itália. Um andar era das convenções, o outro, da vida pessoal. Como em Platão, um da prática, um das ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois a FLIP do primeiro andar foi de vento em popa: em uma coletiva de imprensa, o diretor geral da Festa, Mauro Munhoz, disse que pelo menos R$ 5 milhões foram injetados na economia de Paraty. Enquanto a festa literária custou cerca de R$ 3,7 milhões, mais de R$ 1,3 milhão foi destinado a programas sociais, urbanísticos e educacionais, como a Flipinha (atividade para crianças que se desenvolve ao longo do ano) e a FLIPZona (cobertura jornalística do evento feita por 200 jovens da cidade). Os dois projetos levaram a um aumento de 30% do público do evento. É um resultado de se orgulhar. Mas, no segundo andar platônico taleseano da FLIP, mora uma discussão complexa que (não) abriga o Edmilson dos passarinhos e foi encampada logo no início de FLIP, no lançamento do Manifesto por um Brasil Literário, de autoria do poeta Bartolomeu Campos de Melo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que o Brasil não lê? Mesmo alguém que trabalha em um órgão público de uma cidade que recebe milhões de reais anuais graças à literatura não dá importância alguma a ela. O problema está na base, nas escolas, nas crianças? Ou é uma chaga que se perpetua de geração em geração? Como fazer para aproximar a periferia do centro intelectual? E mais: como aproveitar o choque cultural entre o literato e o semi-analfabeto? Gay Talese dá uma fórmula certeira: "hang out" (enturmar-se, em tradução anarquicamente livre).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-2805331462363044639?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/2805331462363044639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=2805331462363044639&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/2805331462363044639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/2805331462363044639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/07/gay-talese-flip-e-crise-de-identidade.html' title='Gay Talese, FLIP e crise de identidade'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SlNYJFbZy5I/AAAAAAAAASA/UtKSNnc1QDE/s72-c/inspiracao+de+sao+mateus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-2813572604842624421</id><published>2009-07-03T10:26:00.004-03:00</published><updated>2009-07-03T10:37:43.764-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='racismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>Em coro com Maxi López, torcida do Grêmio xinga cruzeirense de macaco</title><content type='html'>Ontem, a UEFA anunciou um pacotinho de medidas para coibir o racismo nos estádios de futebol. Agora, quando o preconceito emergir nas arquibancadas, os juízes são orientados a parar o jogo e pedir educadamente, pelo sistema de som, que os racistas calem as bocas.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Se optarem por levar a discriminação adiante, é direito do juiz interromper a partida por dez minutos e pedir a cessão das manifestações de novo. Se isso não der em nada, o juiz chuta o pau da barraca, suspende o jogo e leva o caso para as autoridades competentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sk4JJ180qeI/AAAAAAAAAR4/WGKbQGXHu6o/s1600-h/maxieli.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 209px; height: 137px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sk4JJ180qeI/AAAAAAAAAR4/WGKbQGXHu6o/s400/maxieli.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354227071695759842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Bom, isso é lá na Europa. Aqui no Brasil, a gente não tem muito lá como coibir o racismo nas arquibancadas. E nem creio que isso seja uma preocupção muito grande. Embora preconceito seja reincidente nos gramados, é difícil que eles tomem as arquibancadas. Até porque, somos um país de maioria negra; a própria arquibancada se regula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A torcida do Grêmio foi no jogo de ontem contra o Cruzeiro uma exceção digna de nota. Na partida de ida da semifinal da Libertadores, no Mineirão, o gremista &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2009/06/paulo-autuori-minimiza-caso-de-racismo.html"&gt;Maxi López chamou o adversário Elicarlos de macaco&lt;/a&gt;. Ontem, no jogo de volta, ganhou o coro da torcida. Quando Elicarlos, que começara a partida no banco de reservas, se preparou para entrar, a surpreendente nação gremista começou a imitar sons de macaco. Isso perdurou quase até o fim do jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sk4IWAa9hdI/AAAAAAAAARw/16-s-ah2kQ4/s1600-h/Cruzeirenses.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sk4IWAa9hdI/AAAAAAAAARw/16-s-ah2kQ4/s400/Cruzeirenses.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354226181153326546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Cruzeirenses "ouvem" silêncio da torcida gremista; melhor seria se tivessem continuado quietos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Quer dizer, se a gente adotasse aqui a recomendação da UEFA, os dez minutos teriam sido insuficientes e o Grêmio seria julgado. E, se fosse justo, o time perderia o mando de campo e seria multado. Eu iria além: prisão para Maxi Lopez não apenas pelo crime inafiançável de racismo, mas por fazer apologia do racismo. Fica a dica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-2813572604842624421?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/2813572604842624421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=2813572604842624421&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/2813572604842624421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/2813572604842624421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/07/em-coro-com-maxi-lopez-torcida-do.html' title='Em coro com Maxi López, torcida do Grêmio xinga cruzeirense de macaco'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sk4JJ180qeI/AAAAAAAAAR4/WGKbQGXHu6o/s72-c/maxieli.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-2575023505470355827</id><published>2009-06-30T19:48:00.004-03:00</published><updated>2009-07-02T21:14:36.626-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica'/><title type='text'>Stevie Wonder chora por Michael Jackson</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkqecH6m0jI/AAAAAAAAARo/peD_ewhkECQ/s1600-h/22729699-22729701-large.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 265px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkqecH6m0jI/AAAAAAAAARo/peD_ewhkECQ/s400/22729699-22729701-large.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353265313081643570" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Quincy Jones, Dione Warwick, MJ, Stevie Wonder e Lionel Ritchie depois de ganhar o grammy de melhor música de 1986 por "We are the World". Foto: Rolling Stone&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Disse bem o blog &lt;a href="http://www.kcconfidential.com/?p=5301" target="_blank"&gt;KC Confidential&lt;/a&gt;. O show de Stevie Wonder em Kansas City, na última sexta-feira, tinha tudo para ser "h"istórico. Isso porque o gênio da soul music não pisava na cidade desde 1986, quando fez uma de suas performances mais memoráveis - se é que alguma não é - na Kemper Arena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Michael Jackson morreu na quinta-feira e o show do Little Stevie virou "H"istórico, com agá maiúsculo. Quem já viu show do Stevie Wonder conhece o roteiro: começa uma explosão de som com luzes ainda apagadas, geralmente um hit daqueles. Em São Paulo, no Palace, foi "Dancing to the Rhythm". Explodiram as cornetas, as cordas, os vocais e ouviu-se pura e límpida a voz de Stevie: "Lonely/My life used to be lonely". E ele veio, tomado pelo braço de um roadie, sentar-se em seu teclado e presentear os ouvidos e olhos com duas horas de explosão sonora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois na sexta-feira, o itinerário seria parecido, ainda que a música de abertura fosse "All Blues", seguida por "As If You Read My Mind" e o estouro "Master Blaster". Não foi nada disso. Primeiro que, quando a luz do teatro Starlight brilhou pela primeira vez, Stevie já estava no palco, ao lado da filha Aisha. Depois, os acordes que a banda tocou eram estranhos a um show de Stevie Wonder. Pareciam extraídos de uma estonteante performances de... Isso: Michael Jackson.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-LOX7OMAjis&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/-LOX7OMAjis&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Stevie abriu o show fora do microfone, com "Never can say Goodbye", emendou (drowned in his own tears, diga-se de passagem) "Shake your body (Down to the Ground)", "Rock With Me" e "Thriller", que virou coro. Stevie Wonder não cantou uma única nota do microfone. Fez do público seu instrumento. E, ao fim dessa prece coletiva, pediu que as crianças tapassem os ouvidos que vinha palavrão: "Não escutem esse monte de merda que dizem sobre Michael, mesmo depois de sua morte. O importante é que ele trouxe alegria com sua música, sua dança e seus vídeos. O resto é merda". Histórico com agá maiúsculo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/d0DTJSrc_D4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/d0DTJSrc_D4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Para encerrar o show, Stevie mandou ver no Billie Jean, com direito a vocal e tudo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-2575023505470355827?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/2575023505470355827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=2575023505470355827&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/2575023505470355827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/2575023505470355827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/06/stevie-wonder-chora-por-michael-jackson.html' title='Stevie Wonder chora por Michael Jackson'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkqecH6m0jI/AAAAAAAAARo/peD_ewhkECQ/s72-c/22729699-22729701-large.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-1449635802093029102</id><published>2009-06-25T19:43:00.003-03:00</published><updated>2009-06-25T19:51:02.633-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica'/><title type='text'>Michael Jackson morre em Los Angeles</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkP_P-NmAnI/AAAAAAAAARg/KUUKBrska-g/s1600-h/michael_jackson%2Byoung-1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 366px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkP_P-NmAnI/AAAAAAAAARg/KUUKBrska-g/s400/michael_jackson%2Byoung-1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351401432109417074" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;O Afroências está de luto. Morreu nesta quinta-feira, 25 de junho, um dos maiores artistas de todos os tempos. Michael Jackson tinha 50 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em homenagem a ele, vou simplesmente por um &lt;a href="http://www.afroencias.com.br/2009/02/motown-50-anos-jackson-five.html"&gt;link para um post antigo&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que ele esteja em paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-1449635802093029102?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/1449635802093029102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=1449635802093029102&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1449635802093029102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1449635802093029102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/06/michael-jackson-morre-em-los-angeles.html' title='Michael Jackson morre em Los Angeles'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkP_P-NmAnI/AAAAAAAAARg/KUUKBrska-g/s72-c/michael_jackson%2Byoung-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-5855359520188153065</id><published>2009-06-25T12:43:00.006-03:00</published><updated>2009-06-25T13:11:15.391-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='racismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>Paulo Autuori minimiza caso de racismo no Mineirão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="392" width="480"&gt;&lt;param value="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" name="movie"&gt;&lt;param value="high" name="quality"&gt;&lt;param value="midiaId=1067121&amp;amp;autoStart=false&amp;amp;width=480&amp;amp;height=392" name="FlashVars"&gt;&lt;embed flashvars="midiaId=1067121&amp;amp;autoStart=false&amp;amp;width=480&amp;amp;height=392" type="application/x-shockwave-flash" quality="high" src="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" height="392" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Todo dia existem casos de racismo, vamos acabar com essa hipocrisia. Isso é apenas um jogo de futebol. A gente deveria se preocupar com coisa mais séria". Certeza, seu Paulo Autuori. O fato de seu atacante Maxi Lopez ter chamado o colega de profissão cruzeirense Elicarlos de macaco, no jogo que aconteceu ontem no Mineirão, válido pela semifinal da Libertadores da América, não merece lá muita atenção. É "apenas" um jogo de futebol. É mesmo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gay Talese é um cara que nem gosta de futebol. Mas partiu em uma viagem à China para tentar uma entrevista com a jovem futebolista da seleção nacional chinesa que perdeu o pênalti que definiu a favor dos Estados Unidos a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 1999. Pouco interessavam a ele as repercussões esportivas do caso. O fato é que poucos meses antes, uma incursão americana havia destruído - alegadamente sem querer - a embaixada chinesa em Belgrado, causando três mortes e prejuízos da ordem de US$ 28 milhões. Isso gerou reação: a embaixada americana em Beijing foi atacada com pedras e coquetéis molotov. A tensão política crescia entre os dois países, que se acusavam mutuamente de espionagem, violação dos direitos humanos e outros bichos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo isso estava na marca do cal, em território americano. E a China perdeu a guerra política em campo, por culpa de uma única jogadora, a volante Liu Ying, que bateu um penal fraco, no meio do gol, fácil para a corpulenta goleira americana. Agora, essa chinesinha que acabara de cruzar a adolescência deveria voltar para casa e encarar a família, os conhecidos, os colegas de profissão, os capos do regimão. E ela, sozinha, era a imagem do fracasso chinês. Aquilo não era "apenas" um jogo de futebol.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkOcDi1OyJI/AAAAAAAAARY/rq2vlZu0ar8/s1600-h/Barbosa+Vasco.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkOcDi1OyJI/AAAAAAAAARY/rq2vlZu0ar8/s400/Barbosa+Vasco.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351292366949894290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E um jogo de futebol, meu caro Autuori, nunca é "apenas" um jogo de futebol. Ele envolve valores, habilidades, éticas. É como uma novela da vida real, que expõe as diferenças do nosso país, elege herois e monstros. Monstros como Barbosa, goleiro inocente que pagou o pato pelo Maracanazzo em 1950. Um coitado cuja (não) falha causou 50 anos de desconfiança com goleiros negros. Ele próprio morreu velho, pedindo desculpas sem saber bem porquê. Herois como Bellini, que pôs o Brasil no mapa ao levantar a taça Jules Rimet na Suécia, em 1958, gesto descompromissado ("Os fotógrafos eram baixinhos e não conseguiam ver o trofeu", declarou mais tarde) que ficou eternizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso ajudou a moldar nossa sociedade, nossos valores, nossos sonhos, orgulhos, tristezas, complexos. Boa parte do que somos deriva do futebol. E, se há racismo até num campo de futebol, cercado de câmeras e mais câmeras, comentaristas, juízes, torcedores, imagine o que acontece nos becos do Brasil e do mundo? Isso não é "apenas um jogo de futebol", Paulo Autuori; é um retrato preocupante do nosso mundo e uma oportunidade de debates.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-5855359520188153065?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/5855359520188153065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=5855359520188153065&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5855359520188153065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5855359520188153065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/06/paulo-autuori-minimiza-caso-de-racismo.html' title='Paulo Autuori minimiza caso de racismo no Mineirão'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkOcDi1OyJI/AAAAAAAAARY/rq2vlZu0ar8/s72-c/Barbosa+Vasco.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-3566412370670797489</id><published>2009-06-24T21:21:00.007-03:00</published><updated>2009-06-25T12:51:03.388-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='racismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religiao'/><title type='text'>Desencapetamento da cultura negra</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkLEko_XChI/AAAAAAAAARA/dxQqEtg3LeM/s1600-h/desencapetamento.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkLEko_XChI/AAAAAAAAARA/dxQqEtg3LeM/s400/desencapetamento.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351055441027074578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz alguns anos já. Cheguei em casa meio mamado e não conseguia dormir porque o mundo girava. Resolvi ligar à televisão, mas na época não tinha a regalia da TV a cabo. Passava um programa da Igreja Universal, tipo "Fala que eu te escuto", mas não sei se era bem isso - como disse, eu estava meio mamado. Sei que tinha uma história com pinta de verídica, mais ou menos como "Linha Direta", cujo roteiro me chamou atenção. Era algo assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plano fechado; cara de terno e gravata fala ao telefone, aos sorrisos, aparentemente com sua mulher. Ele está numa mesa bonita, com computador, telefone, um escritório. Depois de desligar, acaricia uma foto da família e manda um rapaz que aparece de repente lhe trazer um café. O rapaz de trejeitos afeminados sai da sala, fecha a porta, suspira e faz uma cara mal intencionada. Até uma mulher-fruta entenderia que o cara é gay, está apaixonado pelo executivo e tem ódio daquela família. A cena corta para o que parece ser um terreiro de candomblé, todo em vermelho e preto. Vários negros dançam enquanto o rapaz - agora a bicha mais afetada do planeta! - amaldiçoa a foto da família do engravatado. Na cena seguinte, o executivo aparece discutindo com a mulher e dando uns tabefes no filho. Ele sai de casa irritado e passa rápido pelo rapaz, que esfrega as mãos com um sorriso malévolo no rosto. Encurtando: os dois terminam juntos numa cama de motel, também vermelho e preto.Volta para o pastor que, sério em uma bancada, esbraveja: "Vocês viram o poder do 'pai de encosto'! Vocês viram do que são capazes os espíritos do mal! Às vezes, um comportamento estranho é fruto de feitiço, meu senhor e minha senhora! São os demônios dessas religiões amaldiçoadas que tomam conta das pessoas de bem!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho nada contra ou a favor do protestantismo, ainda que não confie um centavo furado a certos pastores, cujos nomes nem preciso citar - nem dizer que o Kaká dá 10% de sua renda milionária a dois deles e que outro, dono de uma rede de televisão, abriu um canal de notícias para "cutucar o fígado" de um suposto monopólio concorrente. Não apontar ninguém. Continuando: o que mais me irrita é esse ataque incessante às religiões afrobrasileiras (não vou falar da homofobia que renderia outro post). Essa propagação de preconceitos por um canal de TV, que como já discutimos neste mesmo Afro, é uma concessão do Estado, não é ilegal?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkLGZSb2LEI/AAAAAAAAARI/FyJQsBZBe1M/s1600-h/idoneos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 183px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkLGZSb2LEI/AAAAAAAAARI/FyJQsBZBe1M/s400/idoneos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351057445017234498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não estou apontando ninguém...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o que me assusta é que este tipo de religião midiática se espalha como fogo no cerrado no Brasil. De acordo com uma projeção feita na edição de aniversário (11 anos) da Revista Época, nosso país terá maioria protestante em 2020. Será que essa maioria também repudiará esse elemento chave da nossa cultura que são as religiões de origem africana? Será que até 2020, entre cotas e inserções nos mercados de trabalho e consumo, perderemos a identidade religiosa negra para o preconceito? Em outras palavras: numa sorrateira contramão de todos os avanços está o ocaso do nosso legado cultural?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torço para que não. O Mano Brown (que se declara evangélico) também torce para que não, como disse no constrangedor Roda Viva de que participou dois anos atrás. Mas fiquei feliz da vida em ver o MV Bill agir para que não. Recebi hoje da &lt;a href="http://pensamentostransitivos.blogspot.com/"&gt;Marina Morena&lt;/a&gt;, minha pauteira mais afroente, o release do primeiro DVD (de música) do rapper, documentarista, escritor e ativista carioca, batizado "Despacho Urbano", com a maior propriedade. Diz no release o diretor e produtor do filme, Bruno Bastos, que  “as religiões afro-brasileiras sofrem um forte ataque das igrejas cristãs. Vi nessa realidade um excelente paralelo com o movimento Hip Hop, que também é marginal”. Viu bem. Tomara que mais gente veja para que um dia a cultura negra deixe de ser marginal e vire simplesmente cultura.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Clipe do filme:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="291" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.dailymotion.com/swf/x9eywl_mv-bill-estilo-vagabundo_music&amp;amp;related=0"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.dailymotion.com/swf/x9eywl_mv-bill-estilo-vagabundo_music&amp;amp;related=0" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" height="291" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-3566412370670797489?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/3566412370670797489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=3566412370670797489&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3566412370670797489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3566412370670797489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/06/desencapetamento-da-cultura-negra.html' title='Desencapetamento da cultura negra'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkLEko_XChI/AAAAAAAAARA/dxQqEtg3LeM/s72-c/desencapetamento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-824820314359891171</id><published>2009-06-23T15:39:00.006-03:00</published><updated>2009-06-23T18:00:57.304-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='moda'/><title type='text'>Calça de veludo ou bunda de fora</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkElOPlf5CI/AAAAAAAAAQ4/LGWK8ALtGeY/s1600-h/bundadefora.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 484px; height: 249px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkElOPlf5CI/AAAAAAAAAQ4/LGWK8ALtGeY/s400/bundadefora.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350598758925067298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ai, o desfile da Neon na São Paulo Fashion Week foi lindo! Trouxe caftãs, macacões, vestidos, blusas, saias de modelagens amplas, estampas étnicas, listas prestas e vermelhas... Tudo isso eu copiei de um site especializado porque, desculpem a ignorância, não entendo bulhufas de moda. Mas sei que a grife de Dudu Bertholini e Rita Comparato (famosos quem?) aderiu às cotas. Festa pra eles!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que me chamou atenção mesmo foi a caretice do desfile: todas as modelos estavam cobertas de pano da cabeça aos pés. Pô, o barato de primavera verão é ver mulher pelada, né? Pois na única mulher pelada que vestiu Neon, não achei lá muita graça. Pode parecer coisa de negrão perseguido, mas por que a modelo Malana - cujo único desfile na SPFW foi esse - apareceu na passarela de bunda de fora? Se a bunda de fora fosse o mote do desfile, vá lá. Mas a nega foi nádega solitária!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="392" width="480"&gt;&lt;param value="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" name="movie"&gt;&lt;param value="high" name="quality"&gt;&lt;param value="midiaId=1064173&amp;amp;autoStart=false&amp;amp;width=480&amp;amp;height=392" name="FlashVars"&gt;&lt;embed flashvars="midiaId=1064173&amp;amp;autoStart=false&amp;amp;width=480&amp;amp;height=392" type="application/x-shockwave-flash" quality="high" src="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" height="392" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não posso afirmar nada categoricamente, mas achei que essa parada ficou com cara de provocação. Algo do tipo: "Obrigaram a gente a colocar preto, pois olha lá o que a gente faz com seus pretos!". Corda na bunda de preto só me lembra uma coisa e me desculpem se meu pensamento for estreito:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkEiX70DDlI/AAAAAAAAAQw/f7i5z4vWcSI/s1600-h/estralanegao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 261px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkEiX70DDlI/AAAAAAAAAQw/f7i5z4vWcSI/s400/estralanegao.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350595626881191506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-824820314359891171?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/824820314359891171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=824820314359891171&amp;isPopup=true' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/824820314359891171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/824820314359891171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/06/calca-de-veludo-ou-bunda-de-fora.html' title='Calça de veludo ou bunda de fora'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SkElOPlf5CI/AAAAAAAAAQ4/LGWK8ALtGeY/s72-c/bundadefora.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-1028650592813639006</id><published>2009-05-22T21:21:00.003-03:00</published><updated>2009-05-22T21:42:22.564-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica'/><title type='text'>O renascimento de Blackheart Man, obra-prima de Bunny Wailer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na hora em que os três tomaram o palco, o Estádio Nacional veio abaixo. Desde que o Santos de Pelé estivera lá, quatro anos antes, que a arena não via público tão grande. Não era para menos: além da atração principal, o gênio americano do soul Stevie Wonder, aquele show marcaria o reencontro dos três Wailers originais - Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer. Ninguém sabia, mas aquela noite de outubro de 1975 seria a última vez que os três dividiriam um palco.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShdBzi10BeI/AAAAAAAAAQg/Zxg-So5mtQA/s1600-h/wonder.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 459px; height: 285px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShdBzi10BeI/AAAAAAAAAQg/Zxg-So5mtQA/s400/wonder.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338808237052659170" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Wonder Dream: a última vez que Peter, Bunny e Bob dividiram o palco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eles vieram a toda: relembraram velhos clássicos como One Love, Rastaman Chant, Nice Time e até Simmer Down, o primeiro hit do trio na ilha. Quando o show atravessava sua primeira meia hora, Bob Marley largou o microfone principal e foi para o fundo do palco. Postou-se ao lado do baixista Aston Barrett e deixou a guitarra a postos. Bunny Wailer assumiu o vocal principal e calou a Jamaica na primeira prévia de seu primeiro disco solo. "I find myself growing in an environment/Where finding food is just as hard as paying the rent/In trodding these roads of trials and tribulations/I've seen where some have died in desperation (Eu cresço em um ambiente/onde encontrar comida é tão difícil quanto pagar o aluguel/Cruzando essas estradas de provações e problemas/Vi onde muitos morreram em desespero)".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="25" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/lbGZkcdp8-I&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/lbGZkcdp8-I&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="25" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Bunny Wailer - Fighting Against Conviction&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era "Fighting Against Conviction", uma narrativa feroz sobre o ano em que ele ficou encarcerado no corte de cana, em uma penitenciária rural da Jamaica. Era o prenúncio de uma obra-prima em dez faixas. Era o velho Bunny Wailer de volta, mas com um ar mais militante. Um Bunny que ficara escondido nos últimos anos, à sombra do recém-promovido band leader Bob Marley. Era o compositor "Dreamland", "Brain Washing", "Riding High", "Hypocrites", "One Love", "Pyaka" e "Keep on Moving". Era ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meses depois, o rasta confirmou a expectativa em oito composições inéditas e duas regravações dos tempos de Wailers. "Blackheart Man" abria com a estrondosa faixa homônima, que contava, sob a perspectiva de uma criança, a lenda jamaicana do homem do coração negro - um preto maltrapilho com cabelos de serpente que sequestrava crianças mal educadas. Um folclore maligno que, com o tempo, Bunny descobriu ganhar ressonância na figura do rastaman, vista sob a lente preconceituosa do senso comum. "Now I trod the same road of oppression, just like the blackheart man (Agora, eu caminho a mesma estrada de opressão/Tal qual ao homem do coração negro)", entoava.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zjtYKPC58tg&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/zjtYKPC58tg&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Defendia as vítimas do sistema capitalista em um choro desesperado por redenção ("The Oppressed Song"); cantava o apocalipse bíblico entremeado pelos conflitos políticos da ilha ("Armagedeon"); conclamava os todos os pretos do mundo a seguir os passos do líder anti-colonial congolês Patrice Lumumba ("Rastaman"); narrava o retorno espiritual à África ("This Train"). Tudo isso, em sua melhor forma vocal, musical e espiritual.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShdCyE7n5VI/AAAAAAAAAQo/LL2rUMbC9Pw/s1600-h/bunny.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 327px; height: 332px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShdCyE7n5VI/AAAAAAAAAQo/LL2rUMbC9Pw/s400/bunny.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338809311355725138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;À época, Bunny associou o teor afrocêntrico do disco à responsabilidade de todo negro de "preservar sua própria história". E a essa responsabilidade, Bunny atribui seu trabalho atual: a restauração, remixagem e re-gravação de Blackhear Man. "A nova tecnologia permite que o baixo fique mais grave, que a voz fique mais limpa", disse Bunny por meio da assessoria de imprensa do selo Zojak World Wide, que fará a distribuição do álbum em parceria com a gravadora do próprio artista, Solomonic Records. "Estou limpando o trabalho para torná-lo mais informativo. Se eu não fizesse isso, não seria honesto com a próxima geração".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Blackheart man de 2009, com alguns novos arranjos, faixas-bônus, dubs e sobras de estúdio excluídas do original será lançado via iTunes na próxima terça-feira, 26 de maio. Quem me conhece sabe que eu não sou de cantar a bola, mas dessa vez, vale: não tem como dar errado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-1028650592813639006?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/1028650592813639006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=1028650592813639006&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1028650592813639006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1028650592813639006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/05/o-renascimento-de-blackheart-man-obra.html' title='O renascimento de Blackheart Man, obra-prima de Bunny Wailer'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShdBzi10BeI/AAAAAAAAAQg/Zxg-So5mtQA/s72-c/wonder.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-9040458075764722063</id><published>2009-05-19T11:51:00.022-03:00</published><updated>2009-05-19T23:33:37.855-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='design'/><title type='text'>Escolha as novas cores do Afroências</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShNqQbkyteI/AAAAAAAAAQE/4o5K2uZ4JSc/s1600-h/Icones2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 567px; height: 62px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShNqQbkyteI/AAAAAAAAAQE/4o5K2uZ4JSc/s400/Icones2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337726813876696546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;UPDATE: para ver as imagens inteiras, clique nas descrições abaixo. Vou fazer um post na sequência, apenas com as imagens votadas. Obrigado a todos pela adesão maciça ao "invente, tente, faça a internet mais afroente"! Heheheheh&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguinte: uns sabem, outros não. Mas o Afroências vai mudar e vai mudar bastante. Eu já comprei o domínio www.afroencias.com.br, estou reestruturando o design da página e programando tudo de novo. Como vocês viram, ao longo desses meses em que o Afroências esteve no ar, eu não parei de fazer inovações. Acho que é uma inquietação assim intrínseca, uma coisa transcendental... Ou não.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Sei que tudo começou com o favicon (o iconezinho no topo da página). Depois, a velha lista de tags virou a nuvem negra aqui ao lado; o som afroente da hora deixou de ser uma lista, virou um player; pintou o Afroglobal, tradutor instantâneo, e o Afrovídeo do dia (que tá desatualizado, eu sei); também apareceram as Últimas Afroências e a busca subiu pra barra superior. Enfim, o site não parou um minuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma! Ele não vai parar... O negócio é que, agora, eu resolvi que está faltando espaço pras minhas estripulias afroênticas. E, como nesses meses, aprendi um pouquinho mais de design, SEO e outras paradinhas de internet, me injuriei com a cara de velho desse blog. E já que a parada aqui é democrática, meus caros, chegou a hora de vocês escolherem qual vai ser do novo Afro. Certo? Eu já criei o novo logotipo - que também fará as vias de Favicon - mas ando em dúvida quanto às cores. E quem vai escolher as cores são vocês, fidelíssimos afroentíssimos leitores. Peço que vocês levem em conta que a mesma gama usada no logo será incorporada ao pantone do site. Ou seja, se a gente escolher cores que cansam, que complicam a leitura ou que enjoam, a gente afunda o Afro. Hahahahaha! Responsa, heim? Então, aos logos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, PS: Claro que aceito comentários mil, mas também coloquei no pé da página uma enquete pro pessoal votar. Encarem como uma urna; é só pra facilitar a apuração... Tô falando: esse site é democrático que só!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShNqAFliePI/AAAAAAAAAP8/SugOBRxMRhM/s1600-h/icones1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 567px; height: 62px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShNqAFliePI/AAAAAAAAAP8/SugOBRxMRhM/s400/icones1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337726533096339698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLMuoSAiAI/AAAAAAAAAPc/3eC-I6P39BU/s1600-h/Nega17.jpg"&gt;1. Essas são as cores do Afroências hoje. Black &amp;amp; blue como na descrição do blog. Eu gosto delas, acho um arranjo elegante. Mas tava na febre da mudança, sabe?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLMua0J2oI/AAAAAAAAAPU/nrcROO4357w/s1600-h/Nega16.jpg"&gt;2. Esse arranjo tem um jeitão mais setentista, combina com a figura da mulher e tal. Mas não sei se funcionaria para o Afro: ele me remete muito à música e é meio bichona, né? Hahahahaha Sem preconceitos, é claro!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLLm5Hs6dI/AAAAAAAAAPM/tKLbtTMOSOA/s1600-h/Nega15.jpg"&gt;3. Vermelho, amarelo, verde e preto. É a África, né? Vocês já repararam na quantidade de bandeiras africanas que levam essas cores? Me agrada.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLLmrNt5NI/AAAAAAAAAPE/_FRFChU0P2k/s1600-h/Nega14.jpg"&gt;4. Não tenho uma explicação para essas cores. Acho que montei isso porque gosto do contraste das cores chapadas. Mas não usaria um logo desse nem a pau, acho... Parece velho, né?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLLmKBzgEI/AAAAAAAAAO8/0uAua3j_KYk/s1600-h/Nega13.jpg"&gt;5. Essas cores, apesar de não parecerem nada agradáveis devem dar boa leitura. Como logo, acho fraco.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLLlvXOvPI/AAAAAAAAAO0/RhvgQUUkh68/s1600-h/Nega12.jpg"&gt;6. Voltam o vermelho, amarelo e verde, só que em tons menos berrantes. Apesar de o outro logo nessas cores me parecer mais impactante, esse pantone pode dar mais leitura.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLLlIMT6ZI/AAAAAAAAAOs/s79RHdQaaJY/s1600-h/Nega11.jpg"&gt;7. Eddie Kendricks, tá ligado? Hahahaha Tem aquele disco do Eddie Kendricks que tem a silhueta dele contra o sol na capa. Louco demais... Eu gosto, me lembra também uma coisa meio anos 70.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLLRaKDucI/AAAAAAAAAOk/lMAtvy_0398/s1600-h/Nega10.jpg"&gt;8. Ave Maria, que coisa estranha. Não sei onde eu estava com a cabeça. Realmente, não sei...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLLRHfTMSI/AAAAAAAAAOc/HkW-x_wJkGU/s1600-h/Nega9.jpg"&gt;9. Mais um que aconteceu meio por acaso. Não me agrada muito misturar verde e azul. Era só um teste, não me crucifiquem!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLLQn39aoI/AAAAAAAAAOU/caoMS1Q2sUg/s1600-h/Nega8.jpg"&gt;10. Mais um com cara de anos 70. E desse, eu gosto, apesar desse rosão aí que é meio treta. Mesmo assim, essa cor de burro quando foge no fundo, não me parece cansativa.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLLQMtkKHI/AAAAAAAAAOM/bKYBzS368Zw/s1600-h/Nega7.jpg"&gt;11. That 70's show, já viu? Só que essa é em tons pasteis. Tipo, Woodstock antes do primeiro ácido.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLLQP0CxOI/AAAAAAAAAOE/5TykKOX_iYU/s1600-h/Nega1.jpg"&gt;12. Apesar de essa não ser a número 1, foi a primeira que eu fiz. Eu gosto dessas cores e acho que elas dão uma boa leitura. Talvez com efeitinho pra ficar mais "pan" esse logo seja bacana...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLJ9_SafoI/AAAAAAAAAN8/8HH4Gw3jC_k/s1600-h/Nega6.jpg"&gt;13. Cinza é f... Não gosto disso. Realmente, não gosto. Nem sei porque fiz.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLJ9mQZ8bI/AAAAAAAAAN0/a4ozkF6zTzQ/s1600-h/Nega5.jpg"&gt;14. Azul calcinha já é triste. Contraposto a esse laranja com cara de nada e esse rosa mais calcinha ainda... Coitada dessa negrona aí na frente.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLJ9qgyaNI/AAAAAAAAANs/jgn-Dff4Yus/s1600-h/Nega4.jpg"&gt;15. Uma versão um pouco mais fosca do vermelho, amarelo e verde. Não é a coisa mais bonita do mundo, mas acho que dá mais leitura do que aquela lá da África, não?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLJ9UJcFDI/AAAAAAAAANk/kDW4ywWtiLQ/s1600-h/Nega3.jpg"&gt;16. Big Black Africa. Hehehehe. Vocês já viram "A Hora do Show" do Spike Lee? O personagem do Mos Def chama Big Black Africa, muito bem traduzido por "África Negrona". Hahahaha. Isso aí em cima me faz lembrar dele.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLJ9e7kmyI/AAAAAAAAANc/SaLVjE-PhqY/s1600-h/Nega2.jpg"&gt;17. Isso foi uma tentativa (não muito feliz, como vocês veem) de mesclar o azul atual com o vermelho, amarelo e verde da África. Ficou uma m...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLMvl5kIdI/AAAAAAAAAP0/QpOXg892pvE/s1600-h/Negaeffect3.jpg"&gt;18. Essas são as cores do Afroências hoje, só que com um efeitinho de sombra. Eu acho da hora...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLMvjT1xvI/AAAAAAAAAPs/BRHPKHtbMEA/s1600-h/Negaeffect2.jpg"&gt;19. Pô, bonito, heim? Esse é bonito...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShLMvBy__HI/AAAAAAAAAPk/gcaMTprCDjA/s1600-h/Negaeffect1.jpg"&gt;20. Outro que me agrada bastante. Acho a sobreposição dos vermelhos em oposição ao branco e preto cabulosa. Não tem nada a ver com o fato de eu torcer para o maior, mais importante e mais glorioso time do mundo, é claro... Hehehehehe&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, rapaziada. Tão dadas as opções! Aguardo ansiosamente os pareceres de vocês, meus caríssimos críticos de arte!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-9040458075764722063?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/9040458075764722063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=9040458075764722063&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/9040458075764722063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/9040458075764722063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/05/escolha-as-novas-cores-do-afroencias.html' title='Escolha as novas cores do Afroências'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ShNqQbkyteI/AAAAAAAAAQE/4o5K2uZ4JSc/s72-c/Icones2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-5252897370725668964</id><published>2009-05-12T21:42:00.013-03:00</published><updated>2009-05-13T16:33:51.948-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='consciencia negra'/><title type='text'>13 de maio, dia de celebrar a abolição</title><content type='html'>&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="165"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=10389830"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=10389830" width="100%" align="middle" height="165"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgoZhX8FG9I/AAAAAAAAAMk/4ntE-DCNemY/s1600-h/beneditomulher.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 298px; height: 448px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgoZhX8FG9I/AAAAAAAAAMk/4ntE-DCNemY/s400/beneditomulher.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335104769726159826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;- Não vou.&lt;br /&gt;- Vamos, vô. O senhor vai ficar aqui sozinho?&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Prefiro ficar do que sair. Eu não vou.&lt;br /&gt;- Mas, pai...&lt;br /&gt;- Rosa, minha filha, você vai, pega seus filhos, vai viver a sua vida. Eu não vou, já disse que não vou. Não tenho nada para fazer lá fora. Sou velho, quero morrer aqui.&lt;br /&gt;- O que eu vou fazer sem o senhor?&lt;br /&gt;- O que vai fazer comigo? Eu só vou atrapalhar, não sei fazer nada fora dessa cerca. E vocês têm que ir logo que daqui a pouco o sinhozinho taí pra por os pretos pra correr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não houve tempo para mais indecisão: o jovem advogado a quem tinham acostumado chamar de sinhozinho desde que mamava no peito de Rosa já estava ali, de chicote em riste, pondo os preguiçosos para correr a grito de couro. Rosa pegou os dois pequenos nascidos livres, crescidos cativos por falta de opção; e pôs-se a andar, carregada com uma pequena trouxa. Era rica, em comparação aos que caminhavam a seu lado: trazia uma muda de roupa para cada um, um velho lampião de ferro, uma panela de barro, uma faca pequena, surrupiada de última hora à mesa da cozinha, um pouco de charque, meio quilo de pão, seis velas e até mesmo umas moedas de latão. Era rica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para trás, deixava a fazenda. Devia sentir alegria, todos diziam. Aqueles brancos que se rasgavam desajeitados sob as cercas e corriam da bala do capataz diziam que ela tinha de sentir alegria. Não havia alegria maior do que a liberdade. “Liberdade é a autonomia de estabelecer racionalmente suas próprias regras a serem seguidas”, profetizava aquele branco de sorriso meigo, monóculo e roupas elegantes. Rosa gostava de ouvir aquela conversa, achava bonito o jeito de falar daqueles brancos e, mais do que isso, achava engraçado o jeito sem jeito dos brancos de fazer coisas de preto. Tudo por uma tal “causa dos pretos”, que ela não entendia direito. Ela também não entendia o que era “autonomia”, mas sabia que compraria a sua tão logo soubesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entristecia abandonar seu velho pai Bento. Virou-se para dar um décimo tchau e encontrou os movimentos nervosos do advogado em volta do velho. “Ele não é um homem ruim”, pensou. Não conseguia sentir ódio daquele homem de quem cuidara como filho. Mas achava que deveria sentir. Todos à volta sentiam. De todos os lados, alguém lhe dizia o que achar, o que sentir, o que pensar. Ela achava, sentia e pensava diferente de tudo que diziam, mas não tinha coragem de dizer pra ninguém. Preto ou branco, não falava pra ninguém. Sempre dizia concordar com todo mundo. E achava graça lá no fundo que não concordava era com ninguém. Só com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nhô ta bateno ni seu Bento, ‘osa! – berrou Telônio, preto retinto, chegado da África a preço de ouro, sem que inglês nenhum visse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgoYHa1opyI/AAAAAAAAAMU/iDnf2zSSgXY/s1600-h/beneditofiguras.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 482px; height: 304px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgoYHa1opyI/AAAAAAAAAMU/iDnf2zSSgXY/s400/beneditofiguras.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335103224316208930" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Rosa sentiu as pernas moles e o coração frio. Nunca vira seu pai tomar uma chibatada que fosse. Mesmo ela, em menina, sentira o peso do couro quando o ódio da finada sinhá pelos apetites sexuais de seu marido caíra sobre ela. Destes apetites, aliás, nascera a menorzinha que saracoteava ao seu lado, vestida em pano xadrez amarrotado, brincando com uma boneca de feno. Alheia ao sofrimento do avô. Rosa abandonou a trouxa no chão e pôs-se a correr irracionalmente de volta à Fazenda. Lentamente, outros pretos viraram-se de volta também. A princípio, caminharam, caminharam de volta para o lugar de onde sempre sonharam sair. Apertaram o passo, passaram a correr. De repente, corriam e gritavam. Corriam e gritavam e xingavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinhozinho Doutor Frederico de Ramos e Sousa olhava para seus dois capatazes. Um índio, um caboclo. Dois homens bravos, machos a toda prova. Eles pareciam sem cor, agarrados de súbito a seus paus de fogo. Natário com o pé sobre a cabeça do velho negro teimoso que respirava com força, de olhos bem abertos. Viu medo nos dois homens armados; viu pânico em si próprio. Nunca tinha reparado como eram muitos aqueles pretos de seu pai. Não sabia se tinham nome, o que comiam, nunca fincara pé em uma senzala. Vivera com aqueles pretos a vida inteira, mas agora suava frio à visão deles. Queria que fossem embora, que sumissem, que morressem sem deixar vestígio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eles caminhavam para a saída, submissos como sempre foram, gostou da nova lei. Só ali percebeu o quanto não gostava deles. Não gostava da cara deles, da cor deles, das vozes, das músicas, não gostava de tê-los por perto. Mas nunca lhe havia passado pela cabeça temê-los. Pois bem, agora, a verdade é que se borrava de medo deles. Perdido em seus pensamentos, mal percebeu quando os homens a sua volta deixaram cair as armas e puseram-se a correr na direção contrária daquele mar azeviche que rompera as barragens e descontrolara-se. Correu também, correu sem olhar para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosa parou em seu pai, filhos ao lado, ajudou o velho a erguer-se. Virou as costas e caminhou lentamente. Pegou sua trouxa no chão, cruzou o portão, juntou-se aos pretos de outras fazendas, que já tomavam as ruas de terra rumo ao desconhecido. Policiais do Estado passaram a galope, nervosos, derrubando alguns dos muitos pretos cabisbaixos. Gritavam que havia uma revolta de pretos na fazenda Ramos e Sousa. Brancos que observavam aquela procissão maltrapilha trataram de esconder-se em suas agora alvas casas-grandes. Entre murmúrios, gritos assustados e xingamentos, Rosa ouviu um dos guardas montados dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgoZ-oXueYI/AAAAAAAAAMs/E1vLDmjJR_s/s1600-h/bjtobias2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 277px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgoZ-oXueYI/AAAAAAAAAMs/E1vLDmjJR_s/s400/bjtobias2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335105272353290626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;- Agora que acabou a moleza, esses pretos vão sentir o peso da lei. Eles acham que é fácil assim? Com a liberdade é que vem a obrigação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Rosa entendeu o que era a tal da lei áurea dos brancos, o motivo de toda a felicidade que ela não sentia nem via: era ser preto sem casa nem comida. Imersa em seus pensamentos, custou a reparar em seu pai. Quando o fez, viu-o empertigar-se, limpar um fio de sangue que lhe escorria a boca, respirar fundo, soltar o ar e sorrir genuinamente, como sorriem as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Levante a cabeça, filha. – disse o velho – Levante a cabeça. Mesmo que você tenha de baixá-la mais mil vezes; levante a cabeça. Levante a cabeça para que seus filhos aprendam a andar de cabeça erguida. Eu e você bem vamos morrer escravos, não importa quantos papéis os brancos assinem. Meus netos, não. Eles vão conquistar o direito de ser negros livres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="165"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=10389912"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=10389912" width="100%" align="middle" height="165"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Obs&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;:&lt;/span&gt; Todas as ilustrações deste texto são reproduções de obras do artista plástico negro Benedito José Tobias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-5252897370725668964?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/5252897370725668964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=5252897370725668964&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5252897370725668964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5252897370725668964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/05/13-de-maio-dia-de-celebrar-abolicao.html' title='13 de maio, dia de celebrar a abolição'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgoZhX8FG9I/AAAAAAAAAMk/4ntE-DCNemY/s72-c/beneditomulher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-7167110418685280330</id><published>2009-05-12T18:00:00.006-03:00</published><updated>2009-05-12T18:16:19.931-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Politica'/><title type='text'>General defende ditadura, Medici e outros bichos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgnkNF1vDgI/AAAAAAAAAL8/NlWel7YPKVI/s1600-h/General.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 180px; height: 304px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgnkNF1vDgI/AAAAAAAAAL8/NlWel7YPKVI/s400/General.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335046147154054658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Os arautos da sarna marxista continuam em ação"; "[Emilio Garrastazu] Medici constituiu um exemplo de coragem, moral e audácia"; "Cuidado: ele (quem? O inimigo astuto e insidioso, é óbvio) procurará afirmar e convencer os inocentes e incautos de que o Exército de 2009 é diferente do Exército que os derrotou no passado. Pobres almas." Se não fosse por essa última frase daria pra dizer que esse discurso data da promulgação do Ato Inconsti... Digo, Institucional nº 5. Mas não, essa pérola foi proferida ontem, no Palácio Duque de Caxias, pelo general-de-exército Paulo César de Castro, cabeça de todo o ensino no exército pelos últimos dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra ele, o Brasil não teve uma ditabranda, mas uma "revolução democrática". E, diz a Folha de hoje, o homem foi aplaudido com entusiasmo pelo respeitável público do circo de Caxias, formado por oficiais da ativa, da reserva e reformados. Gente da maior estirpe. Mas essa conversa furada de milico é o de menos, é o que a gente sabe que eles pensam mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fez o homem dar as caras aqui no Afroências é que, na única frase em que ele está certo (o exército de 2009 deve ser muito mais parecido com o de 1964 do que se imagina), ele está errado. O Exército de  1964 nunca ouvira falar em cotas e também não era muito dado a ironias. Pois ele se modernizou pra caramba. E César, um menino de 64 anos, é prova viva: ele entrou no Colégio Militar em concurso. "Sem que jamais me tivesse sido exigida a cor de pele de meus pais, avós e demais ascendentes". Que alfinetada, heim, seu César? Trofeu progressista do ano pra ele! Ainda bem que o discurso foi despedida e não de posse...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sgnk7oCd45I/AAAAAAAAAME/h7op4hf6lJY/s1600-h/bozo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 72px; height: 89px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sgnk7oCd45I/AAAAAAAAAME/h7op4hf6lJY/s400/bozo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335046946608243602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;PS: Você achou que eu fosse rebater o discurso dele? Ah, não... Já respondi pra &lt;a href="http://afroencias.blogspot.com/2009/05/o-papo-de-gloria-coelho-e-demode.html"&gt;Glória Coelho&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://afroencias.blogspot.com/2009/03/sobre-gente-branca-de-olhos-azuis.html"&gt;Eliana Tranchesi&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://afroencias.blogspot.com/2009/04/skaf-is-nigger-of-world.html"&gt;Paulo Skaf&lt;/a&gt;, pô! Se eu brigar com Paulo César de Castro, daqui a pouco estou discutindo com Mulher Melancia, Valeska Popozuda, Bozo, Papai Noel...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-7167110418685280330?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/7167110418685280330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=7167110418685280330&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7167110418685280330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7167110418685280330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/05/general-defende-ditadura-medici-e.html' title='General defende ditadura, Medici e outros bichos'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgnkNF1vDgI/AAAAAAAAAL8/NlWel7YPKVI/s72-c/General.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-8340914392529777407</id><published>2009-05-11T20:15:00.003-03:00</published><updated>2009-05-11T20:37:33.944-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica'/><title type='text'>Aniversário de morte de Bob Marley</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sgizv2XXy7I/AAAAAAAAAL0/wc3LDfB3LZ0/s1600-h/06-bob-marley-082107.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 330px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sgizv2XXy7I/AAAAAAAAAL0/wc3LDfB3LZ0/s400/06-bob-marley-082107.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334711393249119154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Poxa... Falei tanto de morte no post abaixo que acabei lembrando: postei o texto errado. Hoje não é dia de Peter Tosh, mas dia de Bob Marley. Fazem exatos 28 anos que Marley morreu de câncer. E eu fiquei me sentindo particularmente triste pois sabe-se que Peter Tosh sempre se sentiu diminuído pela liderança de Bob Marley. Pois hoje, dia de meu primeiro post inteiramente dedicado (“liv”icado) a Peter Tosh, ele será diminuído pela morte de Bob Marley. Foi puro esquecimento e não maldade... Que Peter Tosh me perdoe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, vamos de Marley. Sem muitas delongas porque esse negócio de morte não combina com rastafari, vou mandar só um videozinho do cara, coisa leve, pra data não passar batida. Se você quiser ler mais sobre Bob Marley, clique &lt;a href="http://afroencias.blogspot.com/2009/02/motown-50-anos-nao-um-intervalo-bob.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, ou &lt;a href="http://afroencias.blogspot.com/2009/01/one-love-dois-mil-e-nove.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, ou &lt;a href="http://afroencias.blogspot.com/2008/11/dreadlocks-ina-babylon.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, uma observaçãozinha sobre esse vídeo: reparem na música que Marley começa a tocar, antes de ser interrompido pelo (burro!!!) entrevistador. É uma bossa. Essa música chama-se Pray for Me, foi composta por Bob no Brasil e nunca gravada oficialmente. Existe uma gravação de péssima qualidade em uma fita que o jornalista &lt;a href="http://www.radiolaurbana.com.br/index.asp?Fuseaction=Conteudo&amp;amp;ParentID=4&amp;amp;Menu=4&amp;amp;Materia=86" target="_blank"&gt;Roger Steffens&lt;/a&gt; encontrou no porão da casa da mãe de Bob. Poderia existir mais uma, documentada em vídeo, se um entrevistador cabeçudo não tivesse cortado!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/53U_6JcmbRA&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/53U_6JcmbRA&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-8340914392529777407?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/8340914392529777407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=8340914392529777407&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/8340914392529777407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/8340914392529777407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/05/blog-post.html' title='Aniversário de morte de Bob Marley'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sgizv2XXy7I/AAAAAAAAAL0/wc3LDfB3LZ0/s72-c/06-bob-marley-082107.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-5067568309811183682</id><published>2009-05-11T19:14:00.004-03:00</published><updated>2009-05-11T19:26:55.681-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica'/><title type='text'>Peter Tosh e os fantasmas da morte</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgillQ-8DVI/AAAAAAAAALk/xnj-3lkf1-8/s1600-h/TOSH1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 272px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgillQ-8DVI/AAAAAAAAALk/xnj-3lkf1-8/s400/TOSH1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334695818253045074" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;“Bumboclaat! Bumboclaat! Bumboclaat!”. O palavrão mais mal-fadado da Jamaica ecoava na cabeça, mas não cruzava a porta dos lábios. Estava preso. Tudo estava preso, braços, pernas, tronco, tudo. Pânico. “Bumboclaat!”. Um peso enorme colava as costas à cama e as mãos pareciam acorrentadas a cepos invisíveis. Respirou profundamente, travou os olhos, janelas solitárias para o mundo dos vivos, e expurgou o fantasma com um berro que irrompeu a favela: “BUMBOCLAAT!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um duppy, uma alma perdida que errara pela Terra até que um feitiço de Obeah lhe concedesse destino. E que destino: a cabeça a prêmio mais valiosa da Jamaica. Desde o bandido Rhygin – que se fez heroi do gueto caçoando da lei na Jamaica dos anos 40 – que a polícia da ilha não tinha tanta raiva de alguém. E também pudera! Peter Tosh era uma pedra no sapato. Falava mais que a boca, agitava massas, tinha apelo popular e um desdém pela política vigente que assustava o poder. Gostava de fumar maconha em público – em qualquer público –, era faixa preta de caratê, tinha 1,90 de altura, trazia atrás de si um exército de pretos injuriados e proferia aos quatro ventos frases como: “Eu vivo em guerra com a Babilônia e não quero paz. Quero direitos iguais e justiça. Paz é o diploma que você ganha no cemitério”. Nas palavras de seu filho Andrew: “Not an easy guy”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=10202075"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=10202075" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, a polícia fez por onde esculachar o rasta: ele foi preso pela primeira vez aos 18 anos, voltou para a cana pouco depois, foi espancado e dado como morto depois de um show, foi exilado. Mas não era a polícia que lhe botava medo. Era a morte. Essa sim assustava. E Tosh acreditava que sua relação com a morte era intrincada num plano espiritual. Havia planos de morte para ele, a morte o rodeava. Ora pelas mãos da polícia, ora por executivos de gravadoras – que boicotavam a distribuição de seus discos mais politizados –, ora por ataques de Obeah, como aquele, numa madrugada quente de 1967.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgimCj5cFrI/AAAAAAAAALs/2o4jLSJ-V4Q/s1600-h/tosh.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 303px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgimCj5cFrI/AAAAAAAAALs/2o4jLSJ-V4Q/s400/tosh.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334696321546458802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Com a Bíblia aberta em João 1:1 (“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”), Tosh chegou a uma conclusão – meio cartesiana, meio fanática religiosa – tão óbvia quanto bizarra: se a palavra era o início, haveria de ser o fim. Todas as palavras provêm de uma só, a criadora. Era preciso traçar a raiz das palavras para entender as aspirações malévolas da morte. Ele começou a reescrever o dicionário, dando sentido próprio às palavras. Mas não seguiu a ordem alfabética. Seguiu sua própria ordem ideológica. Se ia falar de palavras, começaria pelo conjunto de todas elas. Sempre que ouvia falar de línguas africanas – inclusive de seu próprio patois jamaicano – ouvia que eram dialects (dialetos). “They call my language die-alect because it is meant to die (Chamam minha língua de die(morte)-alect, porque ela foi feita para morrer)”. Na cabeça de Tosh, era óbvio: foi o branco que inventou isso pra começar a assassinar a cultura do negro na raiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=10202575"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=10202575" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esse prisma, o homem refez o dicionário. E acabou abolindo a palavra morte. “Dead-icate (dedicate)” virou “livicate”; “diatribe”, “livatribe”; e assim por diante. Reiterou em música (“Burial”) que nunca mais iria a um velório. Fez questão de queimar todas as fotos que tinha de Bob Marley, depois que ele morreu – “Não quero um homem morto em minha casa”, se enraivecia. Gravou toneladas de fitas K7 narrando sua vida, para que alguém lhe escrevesse uma biografia quando morresse. Mas não terminou nada disso. Não terminou a biografia, não terminou o dicionário, não terminou a obra musical. Em 11 de setembro (que data!) de 1987 foi assassinado numa “tentativa de assalto”. Nada foi roubado, o rasta tomou seis tiros na cabeça. A polícia prendeu um tal de Leppo, bandido raso, e não se falou mais nisso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-5067568309811183682?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/5067568309811183682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=5067568309811183682&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5067568309811183682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5067568309811183682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/05/peter-tosh-e-os-fantasmas-da-morte.html' title='Peter Tosh e os fantasmas da morte'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgillQ-8DVI/AAAAAAAAALk/xnj-3lkf1-8/s72-c/TOSH1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-1998063211425380961</id><published>2009-05-04T19:36:00.009-03:00</published><updated>2009-05-04T20:24:21.146-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='racismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='moda'/><title type='text'>O papo de Glória Coelho é démodé</title><content type='html'>Antes de mais nada, aos fiéis leitores, peço desculpas. Tive duas semanas mais do que cruéis de trabalho e sequer consegui olhar para nosso – acho que já posso chamar assim, né não? – querido Afroências. E me desculpe, é claro, a assessori... Digo, a Glória Coelho, que mandou uma resposta meio maomeno, mas merecia a consideração de um repost.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sf9veuWjc-I/AAAAAAAAALc/5uDEy7HJG0A/s1600-h/6201-principal3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 271px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sf9veuWjc-I/AAAAAAAAALc/5uDEy7HJG0A/s400/6201-principal3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332103057459344354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Glória Coelho usando sua cota de negro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Bem, essa resposta da Glória foi replicada por toda a blogosfera, o que me leva a crer que foi um ligeiro – e legítimo, é claro – gerenciamento de crise. Mas, o problema do gerenciamento de crise é que ele, por mais aconchegante que seja o “Caros” com que se inicia é invariavelmente impessoal. No caso do Afroências, beira a esquizofrenia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, a questão das cotas era basicamente um post scriptum opinativo no meu texto anterior. A questão central era o racismo. Se ela é favorável ou contrária – como é e bem explicitou o Murillo nos comentários – às cotas nos desfiles, tanto faz. Eu não faria um post por ela ter uma opinião contrária à minha. Opinião é que nem bunda, já dizia o poeta. Cada um tem a sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema foi o argumento que a moça usou, que está tão fora de moda (sem ironias). Esse negócio de dizer que negro é bom para o trabalho manual data do Século XIX. Há quase duzentos anos, é démodé, para usar um termo certamente familiar à prezada estilista. Quanto aos problemas dela com relação aos negros, pra mim, mantêm a discussão no derrière (chique no talo esse crioulo!) do poeta. “Não posso ter preconceito com negros, mesmo porque tenho avô negro”. Se avô negro fosse argumento pra não ser racista, o Brasil seria uma democracia racial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é, como a Folha meio que argumentou em seu editorial de 27 de abril ("é preciso adotar, como único critério nacionalmente válido nas políticas de ação afirmativa, o fato, objetivo, de o vestibulando ser egresso de escola pública") são outros quinhentos... De preferência, outros 500 anos; dessa vez, sem escravidão. Quanto aos maiores esclarecimentos, Glória, dispenso. O que pedimos é mais escurecimento, viu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-1998063211425380961?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/1998063211425380961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=1998063211425380961&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1998063211425380961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1998063211425380961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/05/o-papo-de-gloria-coelho-e-demode.html' title='O papo de Glória Coelho é démodé'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sf9veuWjc-I/AAAAAAAAALc/5uDEy7HJG0A/s72-c/6201-principal3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-7963160606895703994</id><published>2009-04-14T12:45:00.006-03:00</published><updated>2009-05-13T11:12:47.779-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='racismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='moda'/><title type='text'>Glória Coelho e a aptidão do negro ao trabalho manual</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SeS1XF4krxI/AAAAAAAAALM/yBq9UZaOByo/s1600-h/Jeremias+Batuqueiro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 257px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SeS1XF4krxI/AAAAAAAAALM/yBq9UZaOByo/s400/Jeremias+Batuqueiro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324580067779850002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Little, o pretinho de cabelo vermelho – red nigger, como os amigos o chamavam –, queria ser médico. Sempre quis. Era o melhor aluno da escola só de brancos que frequentava. Desempenho primoroso, de fazer inveja aos colegas. Ele até teria conseguido, mas foi dissuadido da ideia por um professor que sugeriu algo mais adequado a sua raça: “Você é negro, Little. Tem mãos grandes e fortes. Deveria seguir carreira de carpinteiro, pedreiro, algo mais adequado às pessoas de sua raça”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malcolm Little não gostou muito da sugestão, mas sua cabeça de dez anos não soube caçar alternativas. Virou ladrão. Na cadeia, converteu-se ao islamismo, trocou o sobrenome Little pela incógnita aritmética X – já que, ao descer do navio, os pretos eram rebatizados com o nome dos seus donos, seus verdadeiros nomes se perdiam com suas almas na travessia do Atlântico –, foi libertado e virou uma das maiores lideranças negras de toda a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o argumento do professor primário de Malcolm X parece racista e anacrônico. Ninguém em sã consciência abraçaria uma baboseira dessas em pleno século XXI. Será? “Na Fashion Week já tem muito negro costurando, fazendo modelagem, muitos com mãos de ouro, fazendo coisas lindas, tem negros assistentes, vendedoras, por que têm de estar na passarela?”. Essa pérola, digna de um craniomestrista – cientistas que julgavam ser possível conhecer a aptidão de uma pessoa com base na medição de seu cérebro e cuja conclusão geral apontava para a habilidade manual do negro – do século XIX, foi dita pela estilista Glória Coelho à Folha de S. Paulo do último dia 12 de abril.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SeS1jvH6f0I/AAAAAAAAALU/xoBIx_irOo0/s1600-h/protesto+negro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 250px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SeS1jvH6f0I/AAAAAAAAALU/xoBIx_irOo0/s400/protesto+negro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324580285008478018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Modelos negros em protesto contra discriminação, em SPFW do ano passado (Foto: Ana Branco/Agência O Globo)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa foi a resposta da auto-intitulada artista a proposta da promotora Déborah Kelly Affonso, que pede cotas para negros nos desfiles da Fashion Week. Realmente, a proposta deve ser absurda, já que os 3% de negros que desfilam na Fashion Week são mais do que suficientes para representar essa gente que corresponde a 49,7% da população brasileira, segundo o IBGE. Vale lembrar que esse dado exclui marrrons-bonbons, chocolates sensuais, mulatas globelezas, pretinhos bombas e outras designações raciais pertinentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se juntar tudo isso, devemos ser uns dois terços do Brasil. Será que dois terços do Brasil são muito feios para subir a uma passarela? Ou será que as pessoas que hoje julgam – e ditam – a beleza só têm como referenciais loiros de olhos azuis e pele alva? Como tendo a creditar a segunda hipótese, abandono a ironia para dizer que, sem cotas, a beleza negra não será reconhecida. Sem cotas, teremos que continuar a ouvir pseudo-ciências envelhecidas em 200 anos para justificar puro e simples racismo. E o que é pior é que, sem cotas, essa Glória Coelho nem sabe que é racista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-7963160606895703994?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/7963160606895703994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=7963160606895703994&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7963160606895703994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7963160606895703994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/04/gloria-coelho-e-aptidao-do-negro-ao.html' title='Glória Coelho e a aptidão do negro ao trabalho manual'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SeS1XF4krxI/AAAAAAAAALM/yBq9UZaOByo/s72-c/Jeremias+Batuqueiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-8201317613630794470</id><published>2009-04-07T11:28:00.006-03:00</published><updated>2009-05-13T11:13:18.311-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Politica'/><title type='text'>Skaf is the nigger of the world</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SdtjtCk0WoI/AAAAAAAAAKk/OtcfDb7QxZw/s1600-h/G3EB97EF862224DE6B99F420897CC6085.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 290px; height: 290px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SdtjtCk0WoI/AAAAAAAAAKk/OtcfDb7QxZw/s400/G3EB97EF862224DE6B99F420897CC6085.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321957010104932994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Fiquei com pena do Paulo Skaf hoje. Não sabia que ele era preto como eu, sem terra como o José Rainha, pobre como Mano Brown, idôneo como Frei Betto. Não sabia mesmo. Mas na Folha de hoje, ele se colocou no mesmo patamar de toda essa gente, ao conclamar a sociedade a participar da política nacional. "Da mesma forma que trabalhadores, professores, aposentados, sem-terra, ruralistas, religiosos, estudantes e todos os demais segmentos da vida brasileira estimulam a ajuda aos políticos que advogam suas causas, é também justo que os dirigentes de entidades de classe preconizem o apoio àqueles que se empenham pelo desenvolvimento do Brasil". Guardadas as proporções, não é, seu Skaf? Tem diferença entre meu grito de "Vai que é sua, Lula", no Fórum Social de 2000, e as doações que você, intermediando a também idônea Camargo Corrêa, fez aos senadores José Agripino (DEM) e Flexa Ribeiro (PSDB), cuja idoneidade foi atestada por gente do calibre de Romeu Tuma e José Sarney. Ou não tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Sei que "o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nunca se omitiu - e jamais abdicará do direito e do dever intrínsecos à sua missão - de defender os interesses da indústria e da produção, em particular, e da sociedade, em geral, quanto ao crescimento econômico sustentado, a criação de empregos, a geração de renda e a promoção de justiça social no Brasil". Bonito, né? Mas não sou quem tá dizendo não, é Paulo Skaf (parafraseando personagem de Lázaro Ramos em "Ó Paí Ó"). E tem mais: "Nesse sentido, mantém transparente diálogo com congressistas de todas as correntes ideológicas e partidos. Como também, no exercício de seus desafios, em épocas de eleições, não foge ao gesto - para o qual não há impedimento legal e/ou moral - de promover legítimas relações institucionais entre empresas e agremiações políticas e seus candidatos". Em outras palavras: qual o problema de a FIESP dar uma recheadinha na campanha de um parlamentarzinho ou outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, não foi bem isso que a própria FIESP disse em 30 de março, quando a Operação Castelo Branco incluiu em seus autos o nome de Guilherme Cunha Costa, antigo assessor de Skaf e que, reza a lenda, atua como intermediário político do presidente da FIESP até hoje. À época, o comunicado da entidade dizia: "A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo é uma entidade apolítica, independente, voltada aos interesses coletivos da indústria paulista e da sociedade brasileira. A Fiesp não se envolve, de maneira alguma, em eventuais relações entre empresas do setor que representa e partidos políticos ou os candidatos deles". Na época, a Federação informou que Paulo Skaf estava viajando. Não quero tirar qualquer conclusão disso aí, mas tô começando a achar que Paulo Skaf é a ovelha negra da FIESP. Para parafrasear outro baiano genial: ou não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-8201317613630794470?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/8201317613630794470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=8201317613630794470&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/8201317613630794470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/8201317613630794470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/04/skaf-is-nigger-of-world.html' title='Skaf is the nigger of the world'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SdtjtCk0WoI/AAAAAAAAAKk/OtcfDb7QxZw/s72-c/G3EB97EF862224DE6B99F420897CC6085.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-1789500245885093508</id><published>2009-04-06T18:23:00.008-03:00</published><updated>2009-05-13T11:13:37.531-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Politica'/><title type='text'>Obama discursa em país islâmico pela primeira vez</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sdp1PSvOdkI/AAAAAAAAAKU/CLVrnsR-hco/s1600-h/Obama.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 480px; height: 293px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sdp1PSvOdkI/AAAAAAAAAKU/CLVrnsR-hco/s400/Obama.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321694815280068162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Obama com o presidente turco Abdullah Gul, em Ankara. (Foto: AP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Barack Hussein Obama”. Foi assim que o presidente negro se apresentou em sua primeira visita a um país de maioria islâmica. O país em questão foi a Turquia e o peso das palavras custou cinco minutos de tradução para ser sentido. É a primeira vez que Obama reforça seu nome do meio, amplamente camuflado durante as eleições presidenciais, por motivos óbvios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele foi além, reforçou seus laços com o islã: “Muitos americanos têm muçulmanos em suas famílias ou viveram em países de maioria muçulmana. Eu sei porque sou um deles”. E disse que as relações entre os Estados Unidos e o islã não podem ser baseados na oposição à Al Qaeda. É apenas um discurso preliminar, em um país aliado dos Estados Unidos, orgulhoso de ser uma democracia secular – mesmo que tenha promovido o genocídio de quase um milhão de armênios entre 1915 e 1917.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sdp2nxfq8mI/AAAAAAAAAKc/fAKeOJMBSNs/s1600-h/Obama2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 437px; height: 288px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sdp2nxfq8mI/AAAAAAAAAKc/fAKeOJMBSNs/s400/Obama2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321696335364813410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Barack em Michelle em missão europeia. (Foto: AP)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aliás, Obama foi corajoso em seu discurso inaugural no mundo árabe ao tocar no assunto do massacre. Como bem se sabe, quando senador, ele apoiou uma proposta dentro do Congresso americano para classificar o massacre como genocídio e não como consequência da guerra, como a Turquia insiste em dizer. Desta vez, ele não topou falar em genocídio, mas deu uma espécie de conselho, vinda de uma nação experiente em genocídios, de índios a japoneses, passando por negros como Obama: “a história mal resolvida por pesar bastante”. E olha que os Estados Unidos, assim como a Alemanha, foram um dos poucos países a encarar de frente a questão, mesmo que muitos mais tenham morrido pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós ainda insistimos em chamar de racismo o que eles têm lá e de democracia o que nós temos aqui. Bom, Israel se diz democrata; os Estados Unidos se dizem livres; os militares se dizem revolucionários; cada um se diz o que se quer dizer. O que me agrada é que o primeiro discurso de Obama no mundo islâmico não é revisionista, não é autoritário e não é hipócrita. Pra uma nação que, há oito anos, falava em guerra cirúrgica pelo direito à liberdade - e há oito anos permanece preso a essa guerra - é um belo adianto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-1789500245885093508?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/1789500245885093508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=1789500245885093508&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1789500245885093508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1789500245885093508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/04/obama-discursa-em-pais-islamico-pela.html' title='Obama discursa em país islâmico pela primeira vez'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/Sdp1PSvOdkI/AAAAAAAAAKU/CLVrnsR-hco/s72-c/Obama.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-5714029205263958945</id><published>2009-04-02T20:07:00.007-03:00</published><updated>2009-05-13T11:14:01.446-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica'/><title type='text'>Aos 70 anos de Marvin Gaye</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SdVFqIIZekI/AAAAAAAAAKM/NPwd9YSumkE/s1600-h/marvin.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 285px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SdVFqIIZekI/AAAAAAAAAKM/NPwd9YSumkE/s400/marvin.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320235124847639106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Berry Gordy queria porque queria fazer um filme sobre Sam Cooke. Era 1964, Sam tinha acabado de ser assassinado em Motel da grande Los Angeles, em circunstâncias estranhíssimas. Berry Gordy teve um de seus &lt;i&gt;feelings&lt;/i&gt; empresariais. E, com ele, uma certeza inexorável: só Marvin Gay poderia interpretar Sam Cooke. Marvin era cantor, ator, aclamado pelas mulheres, invejado pelos homens; amado pelos dois – assim como Sam Cooke.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Marvin, você tem que fazer Sam Cooke”, Berry tentou. Embora negasse a si próprio que prenunciava uma negativa, prenunciava uma negativa. Ela veio, galopante e rasgada como tudo que vinha de Marvin Gay (justa exceção à voz de veludo): “Não faço. O cara acabou de morrer, essa ideia é mórbida”. No fundo, mais do que preocupado com o karma que brotaria do arroubo capitalista de Berry Gordy, Marvin ficara assustadíssimo com a morte de Sam Cooke. “Um cantor de soul como ele ter sido assassinado a tiros foi algo que me deixou extremamente nervoso”, disse anos depois em uma entrevista de televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que Marvin Gay não fez o filme – ninguém fez –, mas não deixou de prestar sua homenagem póstuma ao ídolo: colocou um “e” ao fim do nome, como Cook fizera no início de sua carreira. Triste e ironicamente, Gaye acabou interpretando Cooke na vida real: foi assassinado a tiros. Para piorar, pelo próprio pai – em circunstâncias tão ou mais esquisitas do que aquelas de seu ídolo. Não fosse esse fim trágico, Marvin Gaye completaria hoje 70 anos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/rb77kK-2d64&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/rb77kK-2d64&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, à mea-culpa: Sei que este post não está... Digamos assim: suficientemente afroente. Acontece que eu estou bastante cansado e não achei que seria justo deixar passar batido o aniversário do Marvin Gaye... Ainda mais o de 70 anos. Alguns posts pra baixo, como sabem os mais assíduos, tem um textinho que chega um pouquinho mais próximo dos pés deste gênio. Recomendo! Hehehehehe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e ao agradecimento: Minha queridíssima amiga e colega jornalista Juliana Vettore foi quem cobrou uma menção ao aniversário de Marvin Gaye neste Afroências. Missão (quase) afroida! Valeu, Juliana!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-5714029205263958945?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/5714029205263958945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=5714029205263958945&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5714029205263958945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5714029205263958945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/04/aos-70-anos-de-marvin-gaye.html' title='Aos 70 anos de Marvin Gaye'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SdVFqIIZekI/AAAAAAAAAKM/NPwd9YSumkE/s72-c/marvin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-6527182006990430562</id><published>2009-03-30T10:53:00.012-03:00</published><updated>2009-04-08T21:31:47.172-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='racismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Politica Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eliana Tranchesi'/><title type='text'>Sobre gente branca de olhos azuis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SdDQA2uQJrI/AAAAAAAAAKE/44RxF8evM0o/s1600-h/daslu_favela.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 255px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SdDQA2uQJrI/AAAAAAAAAKE/44RxF8evM0o/s400/daslu_favela.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318979873032644274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;Foto: Daslu, vista da vizinha favela Coliseu&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;"Vítima" (haja aspas) da Operação Narciso, Eliana Tranchesi acha feio o que não é espelho. Como ela disse em 2006 à Folha de S. Paulo, "A crise da Daslu e o câncer me fizeram sentir como se eu fosse uma criança deixando abruptamente a Disney. A Daslu é a Disney, onde tudo é lindo, as vendedoras são lindas, o cabelo é lindo, a roupa é linda, é tudo bonito. É tudo agradável. Até então, eu imaginava a vida como uma grande brincadeira...". A Daslu é branca de olhos azuis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E branca de olhos azuis foi também a cobertura do caso. Acho curiosa a facilidade com que se condena pretos de olhos pretos. É fácil você ver escrito nos jornais que o "Traficante fulano foi preso", que "os ladrões invadiram não sei o que"; você nunca vê "O pedreiro fulano acusado de tráfico de drogas". Pois bem, ninguém também chama a tranqueira branca de olhos azuis de bandida, ladra ou qualquer equivalente - o que seria muito justo já que sua "empresa" foi classificada pela Justiça como "Organização Criminosa". Ela é a "Empresária com câncer que gera não sei quantos empregos" - eles sempre frisam a geração de empregos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eliana Tranchesi demorou um tempão para entrar na cana porque faltava uma cela adequada. Acho curioso isso. Falta cela adequada para todo mundo: o sistema prisional brasileiro é uma piada de péssimo gosto. Mas eu nunca vi ninguém defender que um preto de olhos pretos não aguarde julgamento trancafiado porque faltam-lhe condições na cela. Me poupe... Olha só o caso de Valeska Karla, fonte de uma excelente &lt;a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/03/28/presa+ha+mais+de+um+ano+detenta+de+santana+nao+sabe+qual+sera+sua+pena+5131993.html" target="_blank"&gt;matéria&lt;/a&gt; de Marina Morena Costa, do iG, sobre o sistema prisional feminino em São Paulo. Valeska é mãe de três filhos pequenos, está presa há mais de um ano - no mesmo Carandiru que não tinha condições para Tranchesi - e não tem noção de sua pena. Na entrevista à Marina, ela diz: "Não tive nenhuma audiência com o juiz, não pude apresentar minha defesa e não sei quanto tempo ficarei aqui. Não sei se cumpri metade da pena, um terço, um quinto ou um décimo". Nem preciso dizer que Valeska não é branca de olhos azuis nem achava que vivia na Disneylândia antes de ser presa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Valeska, suspeita de tráfico de drogas; Eliana, condenada por fraudes que custaram mais de R$ 1 bi ao Estado, de acordo com &lt;a href="http://www.valoronline.com.br/ValorOnLine/MateriaCompleta.aspx?codmateria=5483707&amp;amp;codcategoria=5&amp;amp;dtMateria=2009-3-26&amp;amp;tp=1" target="_blank"&gt;matéria&lt;/a&gt; de Murillo Camarotto para o Valor Econômico. A primeira, presa há mais de um ano, deve ficar presa por sabe-se lá quantos mais. A segunda, solta mediante habeas corpus excepcionalmente expedido durante o fim de semana. A primeira (vale frisar, acusada), traficante pelo padrão jornalístico; a segunda (condenada), empresária. A primeira, preta de olhos pretos; a segunda loira de olhos azuis. Coloco tudo isso na balança e a única pergunta que me vem à mente é: Por que estão chamando o Lula de racista?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="415" height="336"&gt;&lt;param value="http://storage.mais.uol.com.br/embed.swf?mediaId=188342&amp;amp;start_loading=false&amp;amp;start_paused=true" name="movie"&gt;&lt;param value="always" name="allowscriptaccess"&gt;&lt;param value="transparent" name="wmode"&gt;&lt;embed type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" src="http://storage.mais.uol.com.br/embed.swf?mediaId=188342&amp;amp;start_loading=false&amp;amp;start_paused=true" wmode="transparent" width="415" height="336"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-6527182006990430562?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/6527182006990430562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=6527182006990430562&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/6527182006990430562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/6527182006990430562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/03/sobre-gente-branca-de-olhos-azuis.html' title='Sobre gente branca de olhos azuis'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SdDQA2uQJrI/AAAAAAAAAKE/44RxF8evM0o/s72-c/daslu_favela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-189335111714044472</id><published>2009-03-24T09:57:00.005-03:00</published><updated>2009-04-08T12:36:13.584-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Apocalypse Now'/><title type='text'>Apocalypse Now: há 30 anos, Coppola visitava os Estados Unidos via Camboja</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ScjZ9zf_seI/AAAAAAAAAJ0/R4DdiZltVc4/s1600-h/Apocalypse_Now-1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 540px; height: 277px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ScjZ9zf_seI/AAAAAAAAAJ0/R4DdiZltVc4/s400/Apocalypse_Now-1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316739015930524130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Domingo, 17 de agosto de 1969. O sol já baixava sobre Bethel, Nova York, quando Jimi Hendrix subiu ao palco, encarregado de encerrar o Woodstock, maior festival de rock da história e ícone máximo do movimento hippie. Pouco antes do fim do show, durante a faixa “Purple Haze” – que faz alusão ao consumo de LSD –, o guitarrista fez sinal para que a banda parasse de tocar e o deixasse a sós com sua guitarra e seu público. Em poucas notas, deixou o mundo boquiaberto. Ligou a distorção no limite do suportável e dedilhou os primeiros acordes do hino nacional norte-americano, rasgado por berros de guitarra, tão distorcidos que lembravam o som de bombas, metralhadoras, gritos; guerra. Hendrix manchou a bandeira dos Estados Unidos de sangue sem dizer uma palavra.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/pLKKGHrGMxQ&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/pLKKGHrGMxQ&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Dez anos depois, no Vietnã de Francis Ford Coppola, “Purple Haze” volta à tona, quando o fuzileiro naval de terceira classe Lance B. Johnson, alucinado de ácido lisérgico, entra numa viagem com um sinalizador que solta fumaça roxa. Numa cena simples, que pode passar batida a olhos despercebidos, o diretor disseca um dos movimentos políticos de oposição à guerra do Vietnã. Do início ao fim, é assim que Apocalypse Now se constroi. Sobre pequenas parábolas psicológicas, sempre conduzidas pelo fio da loucura, destrincham-se os paradigmas de uma sociedade norte-americana cansada de uma guerra em que não vê sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o capitão Benjamin Willard, interpretado por Martin Sheen, sobe o rio Nung à caça do oficial condecorado Walter Kurtz (Marlon Brando), a selva cambojana se estreita. Nela, os quatro soldados que ocupam o Bote Patrulha de Willard, perdem seus corpos e cabeças. A cada légua navegada, a acusação do comando naval que justifica a operação – de que Kurtz teria ficado louco – passa a fazer menos sentido. Afinal, nenhum dos americanos em solo inimigo tem a mais vaga ideia do porquê daquela guerra. A loucura não está em um general ou soldado; ela se apoderou do corpo social americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ScjbUBrKuXI/AAAAAAAAAJ8/INtlZL1zmr8/s1600-h/apocnow.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 400px; height: 263px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ScjbUBrKuXI/AAAAAAAAAJ8/INtlZL1zmr8/s400/apocnow.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316740497204230514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O filme mostra os extremos da resistência à guerra. Se de um lado há a completa alienação diante da carnificina e o uso desenfreado de alucinógenos, de outro, há a loucura guiada pela esquerda radical. Quando o barco se aproxima do último posto avançado na selva antes de penetrar o território proibido do Camboja, há uma algazarra sem tamanho. Ninguém sabe quem é o comandante, alguns soldados brancos fogem desesperadamente, embarcando para qualquer lugar, americanos atiram uns contra os outros. A embriaguez da guerra está por toda parte, principalmente nos olhos de alguns negros que enfrentam um inimigo invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um flash rápido e genial, vê-se uma bandeira preta, com um punho cerrado no meio. É o logo do BPP (Partido dos Panteras Negras) – uma sacada extraordinária de Coppola. Isso porque, embora o filme tenha sido produzido apenas em 1979, a história se passa em 1968. Em agosto de 1967, o Black Panther, jornal do partido dos panteras negras, havia publicado um editorial, assinado pelo líder Huey Percy Newton, que conclamava os negros a lutar ao lado dos vietcongues, contra os Estados Unidos. Ou simplesmente se abster dos combates porque “os comunistas não são inimigos do negro. Nossos grandes inimigos são de fato os porcos capitalistas brancos que nos arrancaram da África e nos forçaram a viver em condições sub-humanas em uma América que não nos aceita como cidadãos”.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/AeDq_tCCj3o&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/AeDq_tCCj3o&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Olha lá a bandeira no minuto 1:48 do vídeo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Nessa construção psicológica e fisicamente tortuosa, Apocalypse Now circunda todos os conflitos políticos de uma geração, sem cair no discurso panfletário. Evidentemente, o filme condena a Guerra do Vietnã. Mas não o faz de maneira rasa ou unilateral; ele dá vida a todos os opositores da época, por meio de personagens que não têm uma postura política definida. Eles simplesmente vivem o caos, se valem da loucura e da alienação para burlar a anomalia da guerra por meio da loucura e da alienação. Neles, vemos representado todo o discurso de esquerda americana na década de 60.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-189335111714044472?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/189335111714044472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=189335111714044472&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/189335111714044472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/189335111714044472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/03/apocalypse-now-ha-30-anos-coppola.html' title='Apocalypse Now: há 30 anos, Coppola visitava os Estados Unidos via Camboja'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ScjZ9zf_seI/AAAAAAAAAJ0/R4DdiZltVc4/s72-c/Apocalypse_Now-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-9183410086159977850</id><published>2009-03-23T15:53:00.011-03:00</published><updated>2009-04-08T12:35:35.374-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Wailers'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reggae'/><title type='text'>Wailers fazem cover de Wailers em São Paulo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ScfbtzI45kI/AAAAAAAAAJs/Hx-_PBy5bWw/s1600-h/alg_wailers.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 293px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ScfbtzI45kI/AAAAAAAAAJs/Hx-_PBy5bWw/s400/alg_wailers.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316459465002247746" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sim, esse cara de bombeta faz as vias de Bob Marley na nova formação (não quero soar preconceituoso, mas...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Greetings in the name of His Imperial Majesty, Jah Rastafari-I", a saudação veio, clamorosa e sentimental como sempre. Mas Bob Marley não estava lá; era uma gravação que prenunciava o triste pastiche de si próprios que são hoje The Wailers. Como marido traído, último a saber, este repórter - fã declarado da banda, como não nega cabeleira rasta - relutava em acreditar que a antiga banda de Bob Marley é, há pra lá de duas décadas, um cover triste e nostálgico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez, até cego viu. O Espaço das Américas se encheu de jovens, ávidos por ter um gostinho do que um dia foi o maior grupo de reggae de todos os tempos. É fato que ninguém é ingênuo a ponto de acreditar que veríamos o furacão que saiu de uma ilha miserável no Caribe para conquistar o mundo. Mesmo assim, queriam todos ouvir clássicos como "Get Up, Stand Up", "Exodus", "No Woman No Cry" e "Rebel Music", nas cordas do Fender Bass de seu arranjador original, Aston “Familyman” Barret, acompanhado do melhor time de reggae hoje existente. Bom, que o arranjador era o original, disso não restam dúvidas: o show repetiu, com incrível precisão, o álbum &lt;i&gt;Exodus&lt;/i&gt;. Na íntegra, igualzinho, sem tirar nem por.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/5FHPtcxMi1Y&amp;amp;hl=pt&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/5FHPtcxMi1Y&amp;amp;hl=pt&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada mais chato. Quem vai a um show quer ser absorvido por uma atmosfera musical, quer se deleitar com o virtuosismo de grandes músicos, freado em estúdio por planos comerciais das gravadoras. Quem vai a um show quer ver a música brotar. Ninguém precisa sair de casa para ouvir um CD. Os Wailers deram ao público paulista a péssima experiência de ouvir um disco inteiro em uma pista de show.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se assim foi - tirando o bis que deu uma breve variada, sem nunca sair da mesmice - o set do que um dia foi a banda de Bob Marley suscita uma pergunta: por que &lt;i&gt;Exodus&lt;/i&gt;? Alguém poderia dizer que é uma comemoração retardatária dos 30 anos do disco, completados em 2007. Mas por que fazê-lo agora, se há dois anos, a banda esteve aqui e apresentou um repertório sólido e variado? Em 2004, em entrevista a este mesmo repórter, o band leader Aston Barret disse: "&lt;i&gt;Exodus&lt;/i&gt; foi eleito o álbum do século pela revista Time; é eterno, assim como a música e sua mensagem". Tudo bem, Familyman. Mas, depois deste domingo, arriscaria tese menos romântica: &lt;i&gt;Exodus&lt;/i&gt; foi o carro chefe comercial de Bob Marley &amp;amp; The Wailers, com mais de um milhão de cópias vendidas; entrou para o Top 200 da &lt;i&gt;Rolling Stone&lt;/i&gt;; foi considerado um dos mais importantes da história; teve quatro singles entre os Top 40 da Billboard. &lt;i&gt;Exodus&lt;/i&gt; foi a fórmula de sucesso comercial da banda. Detalhe: há trinta anos!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/hOvXGIzDYGQ&amp;amp;hl=pt&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/hOvXGIzDYGQ&amp;amp;hl=pt&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De Exodus para cá, caiu o muro de Berlim, boa parte da África conquistou sua independência, aconteceram atentados terroristas de larga escala, minguaram as guerras ideológicas, floresceram guerras de mercado, fortaleceram-se conflitos religiosos; foi eleito um presidente negro nos Estados Unidos. Nos últimos 30 anos, onde estiveram os Wailers, notórios cronistas políticos e religiosos dos anos 70? A triste resposta saltou aos olhos neste domingo: remoendo os restos mortais de Bob Marley.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jbcwh5FTL_w&amp;amp;hl=pt&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/jbcwh5FTL_w&amp;amp;hl=pt&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Vídeos: Thiago Miagy&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-9183410086159977850?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/9183410086159977850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=9183410086159977850&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/9183410086159977850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/9183410086159977850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/03/wailers-fazem-cover-de-wailers-em-sao.html' title='Wailers fazem cover de Wailers em São Paulo'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ScfbtzI45kI/AAAAAAAAAJs/Hx-_PBy5bWw/s72-c/alg_wailers.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-5145928121824315611</id><published>2009-02-10T18:01:00.005-02:00</published><updated>2009-04-08T21:32:04.615-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marvin Gaye'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Motown'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica Americana'/><title type='text'>Motown 50 anos: Marvin Gaye</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nem fodendo. Este é o pior single que eu já ouvi.&lt;br /&gt;- Você não vai me deixar gravar?&lt;br /&gt;- Jamais. Isso é uma merda.&lt;br /&gt;- Então, passa para cá a rescisão do contrato.&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- Mas nada. Passa pra cá a porra do contrato. Se você não vai gravar, tem quem grave.&lt;br /&gt;- Calma, vamos conversar.&lt;br /&gt;- Estamos conversados, dá essa merda para cá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela discussão a portas fechadas no QG da Motown foi uma avalanche de palavrões. Do lado de fora do escritório, Mary Wells se acotovelava com Stevie Wonder e Smokey Robinson para tentar captar alguma coisa. Nem Robinson, maior compositor da Motown e braço direito de Berry Gordy, ousava interferir. Nem precisou. A porta foi aberta com violência, derrubando os enxeridos no chão. Todo mundo se levantou e Smokey partiu atrás do homem que ganhava a rua pisando o chão com ira. “Marvin!”, chamou. O outro parou recostado em seu Cadillac, tirou as chaves do paletó branco e sorriu. “Ele vai gravar”, disse em resposta a não-pergunta e entrou no carro. Fitou o outro por cima dos óculos escuros, inquiriu com os olhos: “Não falei?”; e partiu acelerado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SZHd4vQMTCI/AAAAAAAAAJc/8O24Ils4vNY/s1600-h/marvintammi.1170633486.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 303px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SZHd4vQMTCI/AAAAAAAAAJc/8O24Ils4vNY/s400/marvintammi.1170633486.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301262203218578466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Smokey Robinson ia começar a rir, quando viu Gordy apoiado na porta, bufando. “Filho da puta teimoso. Vem, Smokey, a gente tem uma música de merda pra vender”. Os dois entraram no escritório e todo mundo – até o cego Stevie – fingiu que estava fazendo alguma coisa. Marvin Pentz Gay Jr. era dado a estouros desde moleque. Mas a coisa havia piorado desde que fora constatado câncer no cérebro de sua parceira musical – e, rezam línguas afiadas, amante – Tammi Terrell. Marvin passara dois anos sem gravar; pensara em desistir da música; se opusera a lançar “Heard it Through the Grapevine”, um single que seria hit na certa; tentara tornar-se jogador de futebol americano. Houve quem dissesse que um dos maiores hit makers da Motown estava louco. Tammi Terrell morreu em 16 de março de 1970.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=3553509"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=3553509" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, passados três meses do enterro, ele estava de volta, ávido por gravar aquele single entristecido, diferente de tudo que fizera até então. Ameaçou até largar a Motown! Mas só um louco deixaria Marvin Gaye ir embora pela porta da frente assim, sem mais nem porquê. E Berry Gordy não tinha nada de louco. Pelo contrário. Ele deixaria que o homem lançasse aquela porcaria se isso fizesse sua estrela recuperar o juízo. A estratégia foi não divulgar o disco. Em janeiro de 1971, o single chegou discretamente às prateleiras. Mas houve quem encontrasse a nova faixa de Marvin Gaye perdida entre “Ain’t no Sunshine” (Bill Whiters) e “I’ll Be There”, dos Jackson Five. Foi o suficiente. No boca a boca, Marvin Gaye passou cinco semanas no topo do Top 100 da Billboard. Anos depois, a faixa seria considerada a quarta melhor de todos os tempos pela revista Rolling Stone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta à Motown em tempo integral, Marvin foi chamado ao escritório de Berry Gordy:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você já tem um nome pro long play que vai gravar nesse seu novo estilo?&lt;br /&gt;- Claro, é o mesmo nome do single: “What’s Going On”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=3553572"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=3553572" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-5145928121824315611?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/5145928121824315611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=5145928121824315611&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5145928121824315611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5145928121824315611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/02/motown-50-anos-marvin-gaye.html' title='Motown 50 anos: Marvin Gaye'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SZHd4vQMTCI/AAAAAAAAAJc/8O24Ils4vNY/s72-c/marvintammi.1170633486.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-6424397843807694562</id><published>2009-02-06T15:45:00.011-02:00</published><updated>2009-04-08T12:29:09.685-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reggae'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bob Marley'/><title type='text'>Motown 50? Não, um intervalo: Bob Marley, 64</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYx31yqulxI/AAAAAAAAAJM/LHfituN0gb0/s1600-h/Bob+Interna+225.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 225px; height: 252px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYx31yqulxI/AAAAAAAAAJM/LHfituN0gb0/s400/Bob+Interna+225.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299742627525990162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Numa pausa das risadas, Bob Marley ficou subitamente sério. “Eu vou morrer aos 33 anos, idade de Cristo”, disse aos amigos com quem se refrescava sob a sombra de uma árvore, em Nine Miles, interior da Jamaica. Todos se entreolharam assustados, aquilo não era normal. Muito menos vindo de um adolescente, com 14 anos recém-completados. Na Jamaica, soava mais estranho ainda: dificilmente um jamaicano fala em morte. No rastafarianismo, segunda religião mais popular na ilha (atrás do protestantismo), até Deus é vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marley passou perto: morreu de câncer aos 36 anos de idade. Há quem diga que esta fala – reproduzida na biografia oficial, “Queimando Tudo”, de Timothy White – seja um indício da vocação auto-infligida a salvador da humanidade. Se Marley, tal qual os Beatles, é comparável a Cristo, não cabe discutir. Mas que seu legado cultural, religioso, político e – claro – musical tem peso incomparável, isso tem. Desde que Bob Marley morreu, suas ideias cresceram, dominaram mentes de novas gerações, renderam devoção quase religiosa de gente tão diversa quanto Mano Brown, Paul McCartney e Stevie Wonder.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=3413551"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=3413551" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, para seguir a linha jamaicana de raciocínio, não é morte o tema deste post. O rei do reggae completaria 64 anos nesta quinta-feira, 6 de fevereiro. E se ele estivesse aqui para contar a história dessas seis décadas, certamente a história da música – para não dizer do mundo – seria outra. Em seus últimos dois discos, Bob Marley flertou com caminhos inéditos para sua música e visão política. Em “Survival” (1979), cantou uma África embrutecida por guerras civis, pediu que o mundo olhasse para os pobres e se disse um guerreiro sobrevivente da escravidão. Foi seu álbum mais contundente. Não à toa, a 14 de abril de 1980, Marley foi convidado para tocar na independência da Rodésia que, também não à toa, adotaria o nome “Zimbábue”, título de uma das mais importantes músicas do rasta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYx4_n9fGdI/AAAAAAAAAJU/XkT73lqhlx4/s1600-h/Marley+446-2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 258px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYx4_n9fGdI/AAAAAAAAAJU/XkT73lqhlx4/s400/Marley+446-2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299743895962196434" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Bob em show da turnê Kaya, 1978&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No seu último disco, “Uprising” (1980), Bob Marley se aproximou musicalmente do pan-africanismo radical de Fela Kuti. Fez um afrobeat (“Could You Be Loved”), ressuscitou o ska, ritmo pioneiro da Jamaica (“Bad Card”) e, pela primeira (e última) vez na vida, gravou uma faixa só com voz e violão (“Redemption Song”). Em um tom melancólico, Marley disse que tudo o que teve na vida foram “sons de liberdade, sons de redenção”. Verdade... Em parte. Marley também teve 11 filhos com oito mulheres diferentes; teve músicas gravadas por artistas do mundo inteiro; teve uma mansão/comunidade em Kingston; teve legiões inacabáveis de seguidores; teve dois discos de platina; foi o primeiro artista do Terceiro Mundo a ser aceito no Hall of Fame do rock; teve dinheiro, fama e sucesso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=3413775"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=3413775" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas foi um detalhe que transformou o legado de Bob Marley em uma fonte inesgotável de admiração: nem depois de tantas conquistas, ele deixou de ser o rude boy (gíria jamaicana para a juventude do gueto) de Trenchtown. O garoto humilde da favela que pregou o retorno espiritual à África, que denunciou a atualidade da discriminação racial e a vida dura no Terceiro Mundo, com a mesma competência com que cantou o amor, o sexo e a integração racial. Parabéns a Bob Marley que, aos 64 anos, continua jovem e atual.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-6424397843807694562?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/6424397843807694562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=6424397843807694562&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/6424397843807694562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/6424397843807694562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/02/motown-50-anos-nao-um-intervalo-bob.html' title='Motown 50? Não, um intervalo: Bob Marley, 64'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYx31yqulxI/AAAAAAAAAJM/LHfituN0gb0/s72-c/Bob+Interna+225.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-7183802692912086890</id><published>2009-02-05T11:39:00.011-02:00</published><updated>2009-05-11T20:28:22.921-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Motown'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='The Supremes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica Americana'/><title type='text'>Motown 50 anos: The Supremes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYsyIs2x9GI/AAAAAAAAAI8/LbYDbXOldhg/s1600-h/suprms2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 349px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYsyIs2x9GI/AAAAAAAAAI8/LbYDbXOldhg/s400/suprms2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299384511592789090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Dias antes da cerimônia do Oscar de 2007, a Paramount e a Dreamworks publicaram um pedido de desculpas em duas páginas do Los Angeles Sentinel. O recado era endereçado a Berry Gordy e Smokey Robinson que, desde o lançamento de Dreamgirls vinham protestando contra o que diziam ser uma "inaceitável distorção na história da Motown". No anúncio, as produtoras diziam: '"Dreamgirls" é uma obra de ficção, além de ser uma homenagem à Motown. Usamos muitas das maravilhosas conquistas que pertencem à rica história da Motown. Por qualquer confusão que tenha resultado de nosso trabalho ficcional, pedimos desculpas ao sr. Gordy e todas as incríveis pessoas que fizeram parte deste grande legado. É fundamental que o público compreenda que a verdadeira história da Motown ainda está por ser contada". Berry aceitou publicamente as desculpas e ficou tudo bem. Tudo bem? Nada. O buraco é muito mais embaixo. Chegamos à história mais intrincada que a Motown viveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a história não tenha começado com Florence Ballard, como o filme dá a entender (a suposta gordinha que tinha mais voz do que Diana Ross). Mas a confusão certamente sim. Smokey Robinson jura de pé junto que Ballard nunca foi líder das Supremes, posto reservado a Ross - com muita justiça, diga-se de passagem. Mas é fato que a voz mais forte e mais encorpada do grupo era mesmo de Florence Ballard. E é fato também que o primeiro single delas - ainda como Primettes - a obter algum destaque ("Buttered Popcorn") era liderado por Florence. Então, quando e como Florence Ballard foi relegada à posição de alcoólatra, encrenqueira e desertora? Se Berry Gordy não tentar fechar o Afroências (hahahahahahahahahaha, falou, neguinho enjoado!), me encorajo a contar o que sei e o que deduzi dessa história.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=3364275"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=3364275" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fato é que as Supremes são o case de negócio perfeito da Motown. Elas são exatamente o que Berry Gordy idealizou desde que entrou no mercado musical: um grupo negro que misturava consistentemente números musicais e coreografias e que agradava tanto a audiências negras quanto brancas. E a chave para a integração racial foi também a semente da cizânia dentro das Supremes. Enquanto a maledicência acusa Berry Gordy de ter privilegiado Diana Ross por causa de seu caso amoroso com ela, ele próprio tem uma explicação que me parece mais plausível (considerando que ele é um empresário sagaz e empresário sagaz é foda). "Diana tinha uma voz mais aveludada, menos identificada com o padrão de voz negro. Achei que ela teria mais apelo com o público branco". Verdade ou mentira, Berry Gordy acertou. Quanto ao critério ser a beleza, é contestável, já que Florence Ballard não era nem tão gorda nem tão feita quanto retratada no filme. E outra coisa interessante: Diana Ross, magra até para os padrões atuais, não era padrão estético na época; as mulheres um pouco mais gordinhas faziam mais sucesso do que as magrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYsyup9DBXI/AAAAAAAAAJE/AF06PWtS2p0/s1600-h/suprms1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 247px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYsyup9DBXI/AAAAAAAAAJE/AF06PWtS2p0/s400/suprms1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299385163648796018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;As Supremes saindo da escola: Diana Ross, Mary Wilson e Florence Ballard&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, há um esforço por parte de Gordy e Robinson para mostrar que a história foi às mil maravilhas, quando não foi. Se fosse, Florence Ballard não teria morrido bêbada e pobre aos 32 anos, enquanto via suas ex-colegas despontarem para o estrelato mundial. Ela era sim uma cantora talentosa e ela não apenas liderou as Primettes, como foi fundadora do grupo. Foi ela quem chamou Diana Ross para participar do então quarteto vocal. E, por anos, elas foram amigas íntimas que dividiram as durezas da vida no gueto fabril de Detroit, de amores mal sucedidos e toda sorte de tristezas. Mas, desde que realizaram o sonho máximo de assinar com a Motown, Florence sentiu-se excluída e renegada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=3373590"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=3373590" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faltou a boa, velha e simples psicologia: fazer a moça entender que seu posto agora era fundamental, mas não mais principal. Ao invés disso, Berry Gordy e Smokey Robinson optaram por apagar o passado e fingir que o grupo sempre havia sido liderado por Diana Ross. Sem que Ross percebesse direito o que acontecia, Florence entrou em uma disputa meio doente com ela: passou a cantar mais alto com sua potente voz de tenor, fazendo a parceira desaparecer de palcos e gravações. Quem desapareceu de cena foi ela própria - foi demitida da Motown por Berry Gordy, casou-se com o motorista da empresa que, da noite pro dia, tornou-se também produtor e empresário. Caiu em depressão, definhou, morreu. Sobrou a "história que ainda está por ser contada". Por enquanto, só podemos tentar adivinhar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-7183802692912086890?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/7183802692912086890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=7183802692912086890&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7183802692912086890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7183802692912086890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/02/motown-50-anos-supremes.html' title='Motown 50 anos: The Supremes'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYsyIs2x9GI/AAAAAAAAAI8/LbYDbXOldhg/s72-c/suprms2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-3091007925466595428</id><published>2009-02-03T17:18:00.008-02:00</published><updated>2009-04-08T21:32:48.770-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Motown'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica Americana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='The Temptations'/><title type='text'>Motown 50 anos: The Temptations</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYibmNzU6zI/AAAAAAAAAIs/s2Gk8t7XaK4/s1600-h/Untitled-1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 176px; height: 281px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYibmNzU6zI/AAAAAAAAAIs/s2Gk8t7XaK4/s400/Untitled-1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298656042443664178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Edward era um moleque curioso. Não entendia – e nem se preocupava com – questões raciais, lei de segregação, pan-africanismo; nada disso. O barato dele era a curiosidade. A curiosidade de saber o que saía do bebedouro dos brancos. Porque ele, pretinho do Alabama, só havia experimentado a água que vinha da bica denominada “Colored”. Por isso, quando ninguém estava olhando, ele dava uma bebericada na água branca. E achava muito mais gostosa. Gostava mesmo era da emoção de contrariar a regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso também, de banco em banco, sentava-se na frente do ônibus – ala reservada para o bom protestante branco. Ele e seus amigos eram Rosa Parks de calções – anos antes de Rosa Parks se tornar um ícone do movimento pelos Direitos Civis. Mas não demorou para que Eddie James – como passou a se auto-denominar na adolescência – descobrisse algo muito mais emocionante do que a transgressão: a música. Ao lado de seu amigo Paul Williams – também delinquente juvenil pelas leis torpes do Alabama segregado –, o tenor Eddie roubou a cena no coral da igreja local. Viraram ídolos das meninas, ganharam olhares atravessados do velho pastor, que via muito doo-woop, bee-ba-dee-ba e oooooh nas interpretações que os moleques faziam da música santa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYicJT8cKyI/AAAAAAAAAI0/EvDrQeIYyEQ/s1600-h/Temptations.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYicJT8cKyI/AAAAAAAAAI0/EvDrQeIYyEQ/s400/Temptations.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298656645387922210" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;The Temptations: Paul Williams, Melvin Franklin, Otis Williams, Elbridge "Al" Bryant e Eddie Kendricks&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era hora de pular fora da Igreja, antes que a Bíblia virasse porrete. Resolveram se juntar a outros dois jovens canários – Kel Osbourne e Willie Waller – e cantar em um grupo pop. Logo, a pequena cidade de Birmingham ficou ainda menor para eles. Mudaram-se para Cleveland, Ohio, que não tardou a encolher frente à potência vocal dos quatro. Era hora de alçar voos mais altos. E qual era o voo mais alto que um músico negro poderia sonhar no início dos anos 60? Uma audiência com Berry Gordy na lendária Motown. E pra lá, sob o nome The Primes, os garotos rumaram, ao lado de seu grupo de apoio feminino, The Primettes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=3302716"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=3302716" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por azar (ou sorte), um outro grupo pintou na área no mesmo dia. Eram The Distants, um trio vocal da melhor qualidade. Os Primes não fizeram lá muito sucesso com Gordy, mas os Distants... Ah, os Distants foram contratados na hora. Mas, se Gordy não gostou, Otis, líder da mais nova banda da Motown, adorou os falsetes de Eddie. Correu atrás do negro caipira que saía cabisbaixo da casa/estúdio carregando o paletó surrado no ombro. “Ei, Eddie Kendricks!”, gritou, sem saber que colocara um “s” a mais no sobrenome. O outro se virou arisco, esperando um esculacho. Aqueles negros da cidade gostavam de tirar onda com a cara dos outros. “Quero que você complete nosso grupo vocal”, cuspiu Otis Williams, de primeira. “Só se Paul puder ir junto”. Feito: nasceram os Temptations, o melhor quinteto vocal masculino da história.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=3302634"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=3302634" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“E as Primettes?”, você deve se perguntar. Eventualmente, as Primettes também conquistaram seu espaço na gravadora. Só trocaram seu nome para um mais impactante: The Supremes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-3091007925466595428?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/3091007925466595428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=3091007925466595428&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3091007925466595428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3091007925466595428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/02/motown-50-anos-temptations.html' title='Motown 50 anos: The Temptations'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYibmNzU6zI/AAAAAAAAAIs/s2Gk8t7XaK4/s72-c/Untitled-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-7969768116604790757</id><published>2009-02-02T17:25:00.013-02:00</published><updated>2009-04-08T21:33:07.365-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Motown'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jackson Five'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica Americana'/><title type='text'>Motown 50 anos: Jackson Five</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYdJ5kqyQWI/AAAAAAAAAIU/0oM8Y7fywtA/s1600-h/Jackson02.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 269px; height: 332px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYdJ5kqyQWI/AAAAAAAAAIU/0oM8Y7fywtA/s400/Jackson02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298284740069179746" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYdauSg2CcI/AAAAAAAAAIk/jKgr8gPd8t4/s1600-h/Jackson02.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 250px; height: 336px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYdauSg2CcI/AAAAAAAAAIk/jKgr8gPd8t4/s400/Jackson02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298303237914757570" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Jackie é o vocalista", determinou o pai, Joe, depois de muito custo. Desde que encontrara um violão escondido no porão do sobrado em que morava, em Gary, Indiana, passara a vigiar os filhos de perto. Ele próprio se aventurara pelas cordas (e estradas) ressonantes do blues e temia que os filhos embarcassem na onda musical. Um dia voltou mais cedo da siderúrgica em que trabalhava e colou o ouvido na porta, tentando flagrar um acorde ou outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviu as belas vozes de Tito, Jackie e Jermaine harmonizando sucessos de Sam Cooke, Ray Charles e James Brown. Era soul, era hip, era novo, era diferente. Era grana no bolso, certeza. Sorriu, pensativo. Até que uma nota saiu do lugar e seu ouvido de músico flagrou a falha. Invadiu o porão de cinto em riste e proferiu um discurso que marcou a cabeça (e a pele) dos três moleques. "Se vocês vão fazer música, vão fazer bem feita. Nem que eu tenha que passar dez dias seguidos com vocês nesse porão". A brincadeira de criança virou trabalho profissional; os côveres despretensiosos, música pra parada de sucesso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=3267783"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=3267783" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYdPDL_i58I/AAAAAAAAAIc/fcndUstYx2o/s1600-h/Michael.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 306px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYdPDL_i58I/AAAAAAAAAIc/fcndUstYx2o/s400/Michael.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298290402802198466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A contragosto do rabugento Joe, os caçulas Michael e Marlon resolveram pegar na percussão e entrar na onda. O Jackson Family virou Jackson Five. E o Jackson Five voou alto: partiu dos clubes black de Gary para os clubes black de todo o estado; de Indiana para Chicago; de Chicago para as concorridíssimas audiências da Motown. O primeiro teste não foi grande coisa, os "capos" da gravadora sacaram potencial no menorzinho. E só. Joe ficou inconformado e resolveu tirar a ideia de que "Jackie é o vocalista" da cabeça. "O menorzinho é o vocalista", determinou. Pobre Michael. Debaixo de porrada, ele aguentou o fardo de toda a família. Cantou, apanhou, dançou, apanhou, deixou de dormir para ensaiar, apanhou, deixou de brincar para ensaiar, apanhou, liderou o grupo na derradeira audiência da Motown, com uma versão estrondosa de "I Got The Feelin'", de James Brown, apanhou, conseguiu o contrato, apanhou, atingiu o primeiro lugar da Billboard, apanhou, resolveu seguir carreira solo, apanhou, virou o maior ícone pop do planeta e passou a apanhar de si próprio e do mundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=3267929"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=3267929" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, no fundo, entre todas as esquisitices que cercam a carreira e a vida dele, Michael Jackson sempre foi um menino extremamente talentoso. Um gênio precoce que pagou com corpo e a alma o preço de sua genialidade. E não se deu conta disso. Mas as especulações acerca do excêntrico e possivelmente criminoso Michael são muito menos interessantes do que seu legado musical. Este sim, bastante nutritivo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Uma atualização fundamental, indicada pelo meu amigo Ramiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_ks1ReegnQw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_ks1ReegnQw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-7969768116604790757?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/7969768116604790757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=7969768116604790757&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7969768116604790757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7969768116604790757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/02/motown-50-anos-jackson-five.html' title='Motown 50 anos: Jackson Five'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYdJ5kqyQWI/AAAAAAAAAIU/0oM8Y7fywtA/s72-c/Jackson02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-6629924258065001386</id><published>2009-01-30T19:16:00.007-02:00</published><updated>2009-04-08T21:33:50.616-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Motown'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica Americana'/><title type='text'>Os 50 anos da Motown</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYNuoW_t6sI/AAAAAAAAAIM/QfdhcK2RA80/s1600-h/Motown.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 360px; height: 274px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYNuoW_t6sI/AAAAAAAAAIM/QfdhcK2RA80/s400/Motown.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297199226364488386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Confesso que me atrasei. Este post deveria ter sido escrito em 12 de janeiro deste, data exata em que Berry Gordy fundou sua Tamla Records. Numa perspectiva muito otimista, estou adiantado: foi só em 1960, que a Tamla virou a lendária Motown. De qualquer forma, estou fora de hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é dizer que, neste ano de 2009, a primeira gravadora de sucesso a ser fundada e administrada exclusivamente por negros completa 50 anos. E já que este blog (mea culpa) deixou passar a data precisa, vou me redimir na semana que vem, fazendo uma batelada de posts sobre histórias, músicas e artistas da Motown. Então, já que estou de partida para meu fim de semana, deixo os caros e afroentes leitores que careceram de uma homenagem digna à Motown com um pedido clamoroso da própria Motown. Por Jackson Five, I Want You Back, que há quem diga ser a melhor música pop de todos os tempos. Há controvérsias. Mas é fato que, segunda-feira, I'm back com mais Motown!&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=3236025"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=3236025" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post scriptum &lt;/span&gt;fundamental: Valeu, Mirella Fonzar, por me lembrar!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-6629924258065001386?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/6629924258065001386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=6629924258065001386&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/6629924258065001386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/6629924258065001386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/01/os-50-anos-da-motown.html' title='Os 50 anos da Motown'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYNuoW_t6sI/AAAAAAAAAIM/QfdhcK2RA80/s72-c/Motown.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-3415528878090829836</id><published>2009-01-29T15:44:00.007-02:00</published><updated>2009-04-08T21:34:09.284-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ile ayie'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='moda'/><title type='text'>Justiça seja feita</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYHrUsGEN_I/AAAAAAAAAIE/rtA-Pr96we4/s1600-h/estheri09carolina597.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 241px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYHrUsGEN_I/AAAAAAAAAIE/rtA-Pr96we4/s400/estheri09carolina597.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296773377430927346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: Carolina Vasone/UOL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Pra um lado ruim, há sempre um lado bom. Há três dias publiquei uma nota aqui sobre a grife Lucy in the Sky, que haveria plagiado a indumentária do Ilê Aiyê. Não, a grife não se redimiu. Mas a leitora e amiga Roberta Dezan me deu um toque interessante: a Melissa (das sandálias) tem um contraponto. Ela se utilizou das estampas da artista sul-africana Esther Mahlangu para uma coleção de calçados. E não apenas deu os devidos créditos a essa senhora de 75 anos, como &lt;a href="http://estilo.uol.com.br/moda/spfw/2009/inverno/ultnot/2009/01/23/ult7078u21.jhtm"&gt;trouxe a mulher&lt;/a&gt; para apresentar a coleção na São Paulo Fashion Week. Muito bem. Em um mundo de creative commons, é interessante - e fundamental - que culturas conversem e se complementem. Mas é ainda mais fundamental que as pessoas sejam reconhecidas pela autoria de seus trabalhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-3415528878090829836?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/3415528878090829836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=3415528878090829836&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3415528878090829836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3415528878090829836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/01/justica-seja-feita.html' title='Justiça seja feita'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYHrUsGEN_I/AAAAAAAAAIE/rtA-Pr96we4/s72-c/estheri09carolina597.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-7390519808718598880</id><published>2009-01-29T14:01:00.008-02:00</published><updated>2009-04-08T12:24:40.286-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='racismo'/><title type='text'>O primo do cunhado do meu genro é mestiço</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYHUee8b5pI/AAAAAAAAAH8/bgoWW0912MU/s1600-h/olympicmoments03.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 250px; height: 360px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYHUee8b5pI/AAAAAAAAAH8/bgoWW0912MU/s400/olympicmoments03.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296748256932128402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Engraçado como ser racista é mais fácil do que assumir o próprio racismo, não é? Fui discriminado hoje numa agência do Banco do Brasil. Não é a primeira vez que passo por uma situação constrangedora no banco. Na outra ocasião, tentei passar pela porta giratória de um Unibanco e não consegui. Tirei tudo o que tinha; não consegui. Só faltou ficar pelado. O segurança disse que eu precisaria tirar o cinto; "Minha calça cai!", respondi pra ele. E ele: "Então, minha única alternativa então é revistar você. Cola na parede"; "Você tá maluco!". E veio o barraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje teve barraco também. Precisava regularizar meu CPF e fui lá no BB. Cruzei a porta da sabedoria do bem e do mal um pouco antes de um branco bem-aprumado e fui retirar minha senha. Como a máquina estava quebrada e não havia ninguém na fila, esperei vagar o primeiro balcão de atendimento. Quando chegava à cara da atendente, de documento em riste, ela apontou pro outro cara e lançou assim: "Ele primeiro". Eu: "Eu cheguei antes"; ouvi uma resposta estapafúrdia: "Mas o caso dele é mais importante, ele é cliente antigo e eu conheço ele". O cara ficou quieto, mas eu, que sou casca grossa, encrenqueiro e não levo desaforo pra casa, retruquei: "Quero que se foda. Cheguei primeiro, vou ser atendido primeiro". Silêncio na agência. O clima ficou pesado, dava pra rasgar o ar com uma faca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=1476101"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=3134844" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha faca foi a seguinte: "É cor de pele?". Mais impactante do que o "que se foda". Hahahahaha! A caixa ficou vermelha, roxa, verde, azul. Só não ficou preta. E disse assim: "Magina, não tem nada disso..."; Já dono da situação, respondi: "Ah, bom. Eu já tava começando a achar que era racismo. Ainda bem que a senhora explicou. Minha situação é a seguinte: preciso regularizar meu CPF, a senhora pode me ajudar?". Ela: "Preciso do seu CIC, RG, comprovante de residência..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-7390519808718598880?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/7390519808718598880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=7390519808718598880&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7390519808718598880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7390519808718598880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/01/o-primo-do-cunhado-do-meu-genro-e.html' title='O primo do cunhado do meu genro é mestiço'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SYHUee8b5pI/AAAAAAAAAH8/bgoWW0912MU/s72-c/olympicmoments03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-7327190288838351788</id><published>2009-01-27T15:35:00.021-02:00</published><updated>2009-04-08T21:39:10.038-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Politica Internacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Barack Obama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='guerra'/><title type='text'>Obama rasga cartilha autoritária da Casa Branca</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SX9zW-rixTI/AAAAAAAAAH0/euAg6jaa2Mo/s1600-h/gaza_deaths_0124.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 264px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SX9zW-rixTI/AAAAAAAAAH0/euAg6jaa2Mo/s400/gaza_deaths_0124.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296078525430940978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: Mohammed Abed/AFP&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho uma notícia boa e uma ruim, qual você quer primeiro? Vamos de ruim então: a guerra em Gaza tomou fôlego hoje, depois que uma bomba do lado palestino matou um soldado israelense. Pouco tempo depois, um tanque de Israel explodiu a casa de um civil palestino, que morreu. O discurso das autoridades israelenses não anima em nada: a sinistra (sim, o "s" é proposital) das Relações Exteriores, Tzipi Livni, diz que Israel precisa "responder imediatamente" a qualquer agressão; e o sinistro da Defesa, Ehud Barak, diz que não há qualquer necessidade de especificar o tom dessa resposta. Ou seja, vem pau por aí. Da última vez que saiu pau em Gaza, 1,3 mil palestinos morreram.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, à boa notícia. Embora o discurso de Israel continue autoritário, impositivo e violento, nos Estados Unidos, o tom mudou radicalmente. Com superobama chefiando a casa branca, o vocabulário diplomático da potência ganhou força. Palavras como "diálogo", "ouvir" e "adequação" entraram no léxico, no lugar de coisas como "combatentes inimigos ilegítimos", "guerra ao terror" e "eixo do mal". A mudança pode não parecer dr&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SX9JQgNtfHI/AAAAAAAAAHs/HwfqTZy601w/s1600-h/Obama.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 257px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SX9JQgNtfHI/AAAAAAAAAHs/HwfqTZy601w/s400/Obama.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296032234685168754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ástica, já que ainda não vimos quais os novos esforços estadunidenses na região - George J. Mitchell, enviado da Casa Branca para o Oriente Médio pisou no Egito hoje. Ele se encontra ainda hoje com o presidente Hosni Mubarak e segue para Israel, Jordânia, Arábia Saudita, França e Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo diante da incipiente política externa de Obama, o novo tom aponta um grande avanço: pela primeira vez em muitos anos, a Casa Branca olha para o mundo islâmico como um amálgama de gente, de todo tipo, de todas as ideologias. Não é mais o bloco terrorista animalesco que Bush fantasiava. Obama inclusive criticou essa postura em seu pronunciamento em Washington: "começaremos ouvindo, já que os Estados Unidos frequentemente começam ditando". Na esteira do fechamento da base militar de Guantánamo, peço mais uma salva de palmas e mais um voto de confiança a Barack Obama, que entende que a única maneira de se estabelecer um diálogo com quem quer que seja é encarar o interlocutor em pé de igualdade. Embora tenha reafirmado seu compromisso com Israel, Obama distanciou-se ideologicamente do terrorismo de Estado. Um grande passo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: Brendan Smialowski / Getty Images&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-7327190288838351788?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/7327190288838351788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=7327190288838351788&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7327190288838351788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7327190288838351788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/01/obama-rasga-o-velho-lexico-diplomatico.html' title='Obama rasga cartilha autoritária da Casa Branca'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SX9zW-rixTI/AAAAAAAAAH0/euAg6jaa2Mo/s72-c/gaza_deaths_0124.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-7940219189846816407</id><published>2009-01-26T12:41:00.010-02:00</published><updated>2009-04-08T21:34:48.277-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ile ayie'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='moda'/><title type='text'>Pra inglês ver</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SX3a49FcvII/AAAAAAAAAHc/63anJ1D-mwg/s1600-h/ile.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SX3a49FcvII/AAAAAAAAAHc/63anJ1D-mwg/s400/ile.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295629408862518402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: &lt;a href="http://www.ileaiye.org.br/"&gt;do site oficial do Ilê Aiyê&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Apropriação da cultura negra não é novidade. Precisou uma big band branca gravar jazz com partitura e a caretice tradicional da música de espetáculo para que o som fosse reconhecido como música. O brasileiríssimo (e conseqüentemente negríssimo) samba precisou da bossa nova pra ganhar notoriedade internacional. Há restaurantes que digam até que a feijoada, prato de restos da senzala, provém de uma estranha saga pelos "salões franceses".&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tzFxd4gxbpQ&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/tzFxd4gxbpQ&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Justiça seja feita: a bossa-nova se destaca deste grupo por ser uma criação original, a partir da música negra. E por ter um profundo respeito por essa raiz escura. Se, por parte dos artistas, não havia o ímpeto da pasteurização de um ritmo negro, ela foi necessária para que parte do público mais... "seleto" - digamos assim, embora assim não digamos nada - aceitasse um pandeiro em sua caixa de som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SX3PQxwCQAI/AAAAAAAAAHU/iTqST69QaVM/s1600-h/lucy.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SX3PQxwCQAI/AAAAAAAAAHU/iTqST69QaVM/s400/lucy.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295616623997239298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, neste fim de semana, fui a um dos shoppings mais enjoados da cidade. E me surpreendi com uma coleção da grife Lucy in the Sky. Vestidos, biquinis, sandálias; enfim, o arsenal completo levava estampas descaradamente parecidas às das roupas do grupo Ilê Aiyê. "Descaradamente parecidas" é um eufemismo para plágio. Eu procurei no site da grife alguma referência ao Ilê, já que ela lucra sobre a invenção alheia. Se houvesse a simples referência, a loja estaria ilegal por não pagar os direitos autorais sobre a propriedade intelectual. Mas, como não há, a loja é desonesta, corrupta e ostensiva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-7940219189846816407?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/7940219189846816407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=7940219189846816407&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7940219189846816407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7940219189846816407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/01/pra-ingls-ver.html' title='Pra inglês ver'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SX3a49FcvII/AAAAAAAAAHc/63anJ1D-mwg/s72-c/ile.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-6083738457755354330</id><published>2009-01-21T16:12:00.008-02:00</published><updated>2009-04-08T12:22:59.354-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reggae'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Barack Obama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Peter Tosh'/><title type='text'>Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SXdoadH6J6I/AAAAAAAAAHE/vTNpTiu-XDk/s1600-h/ptosh3_ac.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 334px; height: 339px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SXdoadH6J6I/AAAAAAAAAHE/vTNpTiu-XDk/s400/ptosh3_ac.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293814690700994466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Essa música é meu pão de cada dia", disse certa vez o guitarrista Donald Kinsey sobre Pick Myself Up, de Peter Tosh.  "É um lembrete constante de que sempre há uma chance, sempre há um caminho. É uma música que dá uma levantada espiritual e para mim, música é isso: força, um baque de positividade. Uma música como essa pode te fortalecer aonde quer que você vá, porque ela se agarra a sua alma, a sua mente - você a usa quando quiser, pensa nela, e ela faz com que seu dia fique mais brilhante sem que ninguém perceba".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso fica mais bacana se vindo de Donald Kinsey. O ex-guitarrista de Albert King pisou na Jamaica em meio de um tiroteio - literalmente. Ele chegou à ilha em 28 de dezembro de 1976, para dar o tom bluesy ao Rastaman Vibration de Bob Marley. No dia seguinte, a casa em que viviam e ensaiavam, no lendário número 56 da Hope Road foi invadida por atiradores. Sobrou bala para todos os lados mas, por milagre, ninguém morreu. Logo depois, ele foi tocar com Peter Tosh e acompanhou todas as encrencas na vida do Mystic Man - espacamento e tentativa de assassinato pós-One Love Peace Concert; briga com o baixista Robbie Shakespeare e o batera Sly Dunbar; o rompimento com os Rolling Stones; o exílio auto-imposto na África; a desistência da turnê americana. Ou seja, Donald Kinsey só viu treta na Jamaica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E saiu de lá realizado. De tudo que ele fez e viu por lá, o que mais lhe toca, até hoje, é Pick Myself Up. A mim, também, quando se fala de Peter Tosh. Acho que por ser uma faixa tão destoante de toda a discografia radicalíssima do homem. Peter adorava dizer que não gosta de paz, gosta de direitos iguais e justiça ("Paz é o diploma que você recebe no cemitério"). Mas essa música é pacífica, ainda que militante. Ele se senta e observa o dia passar, os pássaros voarem e medita sobre o dia em que ele voará também. Mas se levanta, sacode a poeira e refaz a trilha de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/mvgwtLBJwOw&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/mvgwtLBJwOw&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Pick Myself Up (Donald Kinsey é o black power da guitarra solo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Certo, muito bacana a historinha, não é? "Mas por que raios você está falando disso?" Calma. Estou falando de Barack Obama. Ou vocês não perceberam que ele usou claramente um trecho dessa música em seu discurso de posse? Sim, compare:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peter Tosh - "I've got to pick myself up, dust myself up, start all over again - (tradução livre: 'levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima')"&lt;br /&gt;Barack Obama - "We must pick ourselves up, dust ourselves off and begin again the work of remaking America (tradução livre: 'precisamos levantar, sacodir a poeira e fazer a América dar a volta por cima')"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, seria coincidência demais, vá?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-6083738457755354330?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/6083738457755354330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=6083738457755354330&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/6083738457755354330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/6083738457755354330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/01/levanta-sacode-poeira-e-d-volta-por.html' title='Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SXdoadH6J6I/AAAAAAAAAHE/vTNpTiu-XDk/s72-c/ptosh3_ac.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-3430271459152313690</id><published>2009-01-20T18:28:00.006-02:00</published><updated>2009-04-08T21:35:17.442-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Politica Internacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Barack Obama'/><title type='text'>O peso de todas as esperanças</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SXY1-jnMXWI/AAAAAAAAAGU/VGiEbv-m8Ck/s1600-h/obama.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 177px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SXY1-jnMXWI/AAAAAAAAAGU/VGiEbv-m8Ck/s400/obama.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293477760848387426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;Foto: Time&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nancy Gibbs, da revista &lt;a href="http://www.time.com/time/nation/article/0,8599,1872738,00.html"&gt;Time&lt;/a&gt; fez uma cobertura diferente da posse de Barack Obama, muito interessante. Ela conversou com o público, falou com a sobrinha-neta de uma ativista dos Direitos Civis, morta no ano passado; com um índio apache; com um negro do Brooklyn, que dizia testemunhar um cataclisma de alegria. E chegou a uma conclusão tocante sobre os motivos que levaram mais de um milhão de pessoas ao National Mall para o discurso inagural do presidente negro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aspas para ela: “E todos puderam dizer que estiveram lá, juntos, para vislumbrar, a longa distância, um homem aceitar todo o peso de suas esperanças”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-3430271459152313690?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/3430271459152313690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=3430271459152313690&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3430271459152313690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3430271459152313690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/01/o-peso-de-todas-as-esperanas.html' title='O peso de todas as esperanças'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SXY1-jnMXWI/AAAAAAAAAGU/VGiEbv-m8Ck/s72-c/obama.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-5698688572796767816</id><published>2009-01-20T13:07:00.008-02:00</published><updated>2009-04-08T21:35:37.391-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Politica Internacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Barack Obama'/><title type='text'>O intrincado mundo de Obama</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SXXphNel7KI/AAAAAAAAAGM/nXbGjQ-rmFM/s1600-h/0,,16639078,00.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293393693806816418" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 285px; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SXXphNel7KI/AAAAAAAAAGM/nXbGjQ-rmFM/s400/0,,16639078,00.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: Silvia Isquierdo/AP&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O carnaval está chegando e, no Rio de Janeiro, a máscara mais procurada pelos foliões, não é mais a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não. O rosto campeão de vendas do carnaval do Rio é o do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Ele é o homem mais poderoso do mundo, é normal que tenha tamanha popularidade. Curioso é o fato de que, no Carnaval passado, nem o mais visionário dos comerciantes ousaria vender Obama. Ninguém sabia quem ele era. E hoje – depois de ver, sob a édige imponente de Abraham Lincoln, Stevie Wonder cantar em sua homenagem, Tom Hanks recitar e Samuel L. Jackson relembrar a história americana, no palco em que Martin Luther King Jr. profetizou um sonho que os exaltados chegam a alegar concretizado –, sabemos quem é Barack Obama? Talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos que ele deu uma aula de marketing político sem precedentes. A própria pré-apresentação de sua posse – um evento inédito – aponta para isso. Obama reúne inteligente e conscientemente todos os ícones que remetem a uma época em que orgulho da mais poderosa nação do mundo não havia se dissolvido em frangalhos. Relembrando forte slogan de um igualmente forte líder sul-americano, a esperança venceu o medo – pelo menos enquanto a posse não se concretiza. A guerra (“cirúrgica”) do Iraque, a inacabável invasão (“cirúrgica”) do Afeganistão, o limbo jurídico de Guantánamo, a crise econômica, a ameaça nuclear paquistanesa... Tudo isso parece um ponto perdido no horizonte distante. Mas tudo isso está aí. Tudo isso é hoje; dia em que o negro Barack Obama assume o mais alto cargo de poder que um mortal possa almejar.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;E, até hoje, o que Barack Obama nos apresentou? A proposta – aparentemente sincera – de arrumar uma solução jurídica para os “combatentes inimigos irregulares” (nome eufemístico cunhado pelo governo Bush para designar as vítimas de Guantánamo). Como Ronaldo Fenômeno, pode não acontecer em um mês, dois meses ou um ano. Mas tá aí, como intenção. Obama apresentou uma abstenção tão inteligente quanto positiva frente ao genocídio em Gaza. E algumas questões um tanto problemáticas. Aponto duas:&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, Obama – então menino de ouro do Partido Democrata – esteve alinhado a uma proposta esquisita para a matriz energética, mantida até o presente momento. O senador por Illinois apoia o uso de combustível líquido a base de carvão para carros e caminhões. Considerando que os gastos energéticos para converter carvão sólido em líquido são estratosféricos – doravante, o processo é altamente poluente e não contribuiria em nada contra o aumento da temperatura geral do globo – qualquer pessoa em sã consciência se perguntaria: o que faz um ambientalista apoiando tal proposta, extremamente custosa e prejudicial? A resposta não é clara, mas a evidência triste: Illinois é o maior produtor de carvão dos Estados Unidos. Se a suspeita for mais que suspeita, surge o primeiro caso grave de lobby no governo Obama.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;A outra é a equipe formada pelo novo presidente para mediar os próximos capítulos do conflito entre Israel e Palestina. Como bem observou o colunista (judeu) do &lt;a href="http://www.nytimes.com/2009/01/12/opinion/12cohen.html?_r=1&amp;amp;scp=22&amp;amp;sq=Barack%20Obama%20gaza%20team&amp;amp;st=cse"&gt;New York Times&lt;/a&gt;, Roger Cohen, falta diversidade ao time. “A equipe inclui Dennis Ross (encarregado para a paz no Oriente Médio durante o governo Clinton); James Steinberg (ex-secretário de Estado); Dan Kurtzer (ex-embaixador americano em Israel); Dan Shapiro (confidente de Obama); e Martin Indyk (outro embaixador veterano em Israel, muito próximo da nova secretária de estado, Hillary Clinton). Não tenho nada contra estes homens judeus espertos, bem-intencionados e liberais. (...) Mas no quesito diversidade, eles ficam devendo”. Concordo com Cohen. Por mais “do bem” que sejam esses caras, eles são todos homens judeus. Quais a representação e a representatividade de uma equipe que, etnicamente, reúne figuras identificadas – mesmo quando não alinhadas – a um único lado do conflito? A representação é: o Governo Obama pretende manter o apoio unilateral a Israel, mesmo que tente negociar. Pretende ser uma ONU – um órgão que fala coisas bonitas e pouco faz na prática. A representatividade, no Oriente Médio, é de que os Estados Unidos continuam um inimigo a ser destruído. Não faltam políticos e intelectuais americanos de origem árabe aptos para a missão, como bem cita Cohen; trata-se de uma questão de escolha.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, eu não quero ser o pássaro do mau agouro. Deposito fortes esperanças na mão preta que decidirá nossos destinos – em termos de representação, a eleição de Obama é um marco histórico. Só acredito que devamos ficar de olho para que o primeiro presidente negro dos Estados Unidos não se torne um exemplo de falibilidade de toda uma raça. Tenho quase certeza de que isso não acontecerá porque, além de inteligente e carismático, Obama me parece ser um homem comprometido com algum tipo de mudança. Mudança estética, já foi. Estrutural, não será. Tal qual Lula. Mesmo assim, Lula fez os melhores governos da história deste país. Se Obama for o primo preto de Lula, eu visto a máscara no próximo carnaval. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-5698688572796767816?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/5698688572796767816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=5698688572796767816&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5698688572796767816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/5698688572796767816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/01/o-intrincado-mundo-de-obama.html' title='O intrincado mundo de Obama'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SXXphNel7KI/AAAAAAAAAGM/nXbGjQ-rmFM/s72-c/0,,16639078,00.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-9065065099140559004</id><published>2009-01-07T11:42:00.012-02:00</published><updated>2009-04-08T12:21:28.542-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reggae'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bob Marley'/><title type='text'>One love, dois mil e nove!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SWSyIQRnftI/AAAAAAAAAFs/9qTDOV6r1aw/s1600-h/bob_peace.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 283px; height: 272px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SWSyIQRnftI/AAAAAAAAAFs/9qTDOV6r1aw/s400/bob_peace.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288547717317361362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Desde os 16 anos, este crioulo que vos fala tem uma obsessão: encontrar o áudio completo de um dos – se não “o” – shows mais importantes da carreira de Bob Marley. Ponto alto do One Love Peace Concert é o evento registrado nessa foto aí ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima na Jamaica estava quentíssimo em 1978: as lojas tinham prateleiras vazias por conta de um embargo esboçado pelos Estados Unidos desde a eleição do governo esquerdista de Michael Manley. E a população faminta começava a se revoltar com a falta de suprimentos; saques e homicídios explodiam nos guetos. Os próprios partidos políticos tornaram física a disputa política, contratando pistoleiros para garantir áreas de influência nas regiões mais carentes de Kingston. Jamdown, velho apelido da ilha, se tornara Jamrock conforme os corpos se aglomeravam na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bob Marley, exilado em Londres desde que ele próprio fora vítima de um atentado, em 1976, seria atração principal de um concerto músico-religioso que pretendia retomar os esforços de paz na ilha. Deu certo: Marley conseguiu fazer os líderes de esquerda (Michael Manley – People’s National Party) e direita (Edward Seaga – Jamaican Labour Party) darem-se as mãos no palco e arrancou deles a promessa de encerrar os tiroteios. Essa cena é conhecida, famosa, foi registrada em vídeo e tudo. E o show circula entre colecionadores desde que me conheço por gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/e1WHst8o57I&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/e1WHst8o57I&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mas, aos 16 anos, eu descobri algo inédito sobre a apresentação de Marley. Ela não terminou em Jammin’, com o célebre aperto de mãos. Não. Depois disso, o rasta ainda voltou ao palco e fez um bis com One Love e Jah Live. Comecei uma busca desesperada e descobri um bootleg (disco não-oficial) que incluía as duas faixas havia sido lançado em vinil em 1981. O outro caminho para encontrá-las era o documentário Heartland Reggae, que incluía cenas do Peace Concert e, segundo a sinopse, terminava com Jah Live. Quando encontrei, comprei o VHS do Heartland Reggae – uma alegria e uma frustração. De fato, havia o vídeo de Jah Live. Mas a faixa era cortada em 3 minutos e vinte! Há uns três anos, um colecionador me enviou um trecho de One Love. E eu perdi a esperança, resolvi me contentar com as parcelas e desencanar do todo.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.fileden.com/files/2008/12/5/2212212/Bob%20Marley%20-%20one%20love%20olpc.mp3" type="audio/mpeg" autostart="false" loop="false" bgcolor="white" width="300" height="16"&gt;&lt;/embed&gt; One Love&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eis que, de bobeira pela internet, caí descompromissadamente num link que dizia: One Love Peace Concert (complete). Imaginei que encontraria os mesmos trechos já manjados. Para minha surpresa, o arquivo incluía o show inteiríssimo! E em alta qualidade! Ganhei um presente de reveillon, meu 2009 começou cheio de alegrias. Por isso, este é o meu post de excelente 2009 a todos!&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.fileden.com/files/2008/12/5/2212212/Bob%20Marley%20-%20Jah%20Live.mp3" type="audio/mpeg" autostart="false" loop="false" bgcolor="white" width="300" height="16"&gt;&lt;/embed&gt; Jah Live&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-9065065099140559004?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/9065065099140559004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=9065065099140559004&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/9065065099140559004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/9065065099140559004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2009/01/one-love-dois-mil-e-nove.html' title='One love, dois mil e nove!'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SWSyIQRnftI/AAAAAAAAAFs/9qTDOV6r1aw/s72-c/bob_peace.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-1426480791844682951</id><published>2008-12-18T12:11:00.011-02:00</published><updated>2009-04-08T21:35:59.278-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica Brasileira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Racionais MCs'/><title type='text'>Vinte anos no holocausto urbano</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SUpbXtVdNsI/AAAAAAAAAFU/ZW-dU4nErM4/s1600-h/rmc.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 288px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SUpbXtVdNsI/AAAAAAAAAFU/ZW-dU4nErM4/s400/rmc.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281133975910037186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;“Racionais são racistas ao contrário”. Cansei de ouvir isso na minha vida. Desde que comecei a ouvir Racionais, no vinil “Holocausto Urbano”, escuto isso. Não tinha uma opinião formada naquela época. Em 1991, não tinha opinião formada sobre nada. Mas eu gostava daquele som, daqueles negrões com atitude, auto-respeito, orgulho. Era uma postura diferente, mais radical do que todas que eu conhecia. Aquilo era coisa que eu só tinha visto em americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Racionais são americanizados”, era o que diziam daquela atitude toda. Mas o que não era americanizado no Brasil? A propaganda era americanizada, o sistema financeiro era americanizado, os playboys eram americanizados, a TV, tudo. A diferença é que os Racionais tinham encontrado o lado bom dos Estados Unidos, o lado da luta, do orgulho negro. Como disse Edi Rock, em “Voz ativa”, “Precisamos de um líder de crédito popular/ Como Malcom X em outros tempos foi na América/ Que seja negro até os ossos, um dos nossos/ Que reconstrua nosso orgulho que foi feito em destroços”. Isso, na minha mente torpe de criança, me parecia ser uma coisa muito legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=2034011"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=2034011" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de como eu fiquei triste, em 14 de outubro de 1994, dia do meu aniversário de 12 anos. Todos os netos da minha avó estavam reunidos, jogando conversa fora na varanda da casa dela, quando o Gabriel, meu primo mais velho chegou com uma notícia tensa: “Mano Brown morreu”. Ficamos atônitos, sem entender direito a dimensão daquela novidade macabra. No dia seguinte, soubemos que os Racionais tinham se envolvido em um acidente de carro, com vítima. Não era o Mano Brown. Mas vimos Edi Rock na TV, com cara de velório apanhando da mídia. Era difícil vê-los na TV, só mesmo quando era coisa ruim, pra desmerecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SUpg1tmJCdI/AAAAAAAAAFk/p4ES-pWXcEk/s1600-h/1127878316.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 202px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SUpg1tmJCdI/AAAAAAAAAFk/p4ES-pWXcEk/s400/1127878316.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281139988934232530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Racionais no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;O tempo passou, os Racionais se consolidaram como o mais importante grupo de rap do País. Os ataques continuaram, mas eles se mantiveram firmes. Não estava mais na moda dizer que eles eram americanizados, o negócio agora era a onda da apologia: enquanto o Planet Hemp era acusado de fazer apologia da violência, os Racionais eram taxados de apologistas da violência. Mas, mais uma vez, o esforço que as hienas fizeram para apontar o dedo para os Racionais, não fizeram ao olhar para si próprias. Se o mundo de antes era americanizado, o mundo de agora endossava a violência. Conte Lopes, auto-proclamado maior matador da história da Rota, elegia-se vereador; Coronel Ubiratan reclamava para si as 111 mortes do Carandiru; o Notícias Populares tingia de vermelho as manhãs de todo trabalhador. Como bons cronistas que sempre foram, os Racionais descreviam a violência crua, “sem massagem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=2034254"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=2034254" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma etapa adiante, a mídia pintou os Racionais de pop. Tomaram de assalto os rádios de classe média e voltaram para cobrar o preço. Como disse Mano Brown, “Entrei pelo seu rádio e tomei, cê nem viu/ Nós é isso, aquilo, o quê? Cê não dizia?/ Seu filho quer ser preto, ah, que ironia!” E os críticos/assustados de outrora passaram a endossá-los como guerrilheiros silenciosos de uma revolução latente. Mais uma vez, não entenderam nada. Não entenderam que os Racionais são artistas e griots modernos – contadores de história, cronistas de uma São Paulo apocalíptica. Não são revolucionários, não são donos da verdade, não são o espelho de um mundo periférico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, são vítimas do preconceito. O racismo nunca foi às avessas. Se olharmos para a história dos Racionais, veremos que eles são sempre encarados com preconceito, bem ou mal intencionado. Nunca ninguém tem coragem de olhar para eles como os grandes artistas que são. O próximo preconceito, depois de “Mulher Elétrica”, um dos mais recentes singles de Brown, eu já posso prever: “Racionais ficaram amenos, domados, foram cooptados pelo sistema”. Nenhuma novidade. Já falaram isso de Bob Marley, de Malcolm X, de Luiz Inácio Lula da Silva, de Marcus Garvey... Pelo menos eles estão bem acompanhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=2034174"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=2034174" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-1426480791844682951?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/1426480791844682951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=1426480791844682951&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1426480791844682951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1426480791844682951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2008/12/vinte-anos-no-holocausto-urbano.html' title='Vinte anos no holocausto urbano'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SUpbXtVdNsI/AAAAAAAAAFU/ZW-dU4nErM4/s72-c/rmc.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-1309376063142713474</id><published>2008-12-15T11:09:00.006-02:00</published><updated>2009-04-08T21:36:18.729-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dee Dee Sharp'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica Americana'/><title type='text'>Lost Soul: Dee Dee Sharp</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SUZXU7IjmNI/AAAAAAAAAFE/2spDUOFlqxY/s1600-h/Dee+Dee.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 171px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SUZXU7IjmNI/AAAAAAAAAFE/2spDUOFlqxY/s400/Dee+Dee.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280003630121064658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No subúrbio de Medford, Nova Jérsei, Dione LaRue passa como uma senhorinha pacatada, dedicada aos afazeres domésticos. Ela vive uma vida bem comum. Cuida dos netos enquanto os filhos trabalham, aquece o jantar para o marido promotor, que chega tarde do fórum. LaRue se diz feliz. Realizou o que queria na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que, vez ou outra, ela escapa do subúrbio e voa pelo mundo. Recebe prêmios na Europa, faz shows ao redor do mundo. Seu último disco foi lançado em 1980 e teve relativo sucesso com uma versão disco de “Ooh Child”. Antes disso, sob o nome Dee Dee Sharp, ela teve uma série fenomenal de sucessos antes de completar 17 anos. O maior de todos eles, “Mashed Potatoes” passou o verão de 1962 para 1963 no segundo lugar da Billboard. Dee Dee Sharp foi uma das carreiras mais meteóricas da história do R&amp;amp;B.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=1954981"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=1954981" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é clássica. Do coro da igreja batista de seu avô, partiu para pequenos grupos vocais, virou backing vocal de Jackie Wilson, Lou Rawls, Lloyd Price e seguiu para a carreira solo. Além de ser uma bela menina de tenros 16 anos, Dee Dee chamou a atenção de grandes produtores e músicos pela voz madura, pela forte presença de palco e por ser exímia pianista. Mas não foi por nada disso que eu cheguei nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SUZZLidLIZI/AAAAAAAAAFM/oKX7mA3bIYI/s1600-h/Dee+Dee+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 250px; height: 316px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SUZZLidLIZI/AAAAAAAAAFM/oKX7mA3bIYI/s400/Dee+Dee+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280005667901088146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Logo que eu descobri que era possível baixar música na internet – há uns bons dez anos –, falei para minha mãe: “diz qualquer música aí que eu encontro”. E ela: “‘Any Day Now’, da Dee Dee Sharp”. Descobri que era capaz de encontrar qualquer coisa, menos “Any Day Now”, da Dee Dee Sharp. Nessa minha obsessão de uma década, descobri que a música foi gravada por milhões de artistas dos mais diversos gêneros; minha mãe descobriu que é de autoria de Burt Bacharach. Descobri que atingiu o topo da Billboard na voz do cantor R&amp;amp;B Chuck Jackson; minha mãe descobriu que Chuck Jackson é irmão de Jesse Jackson. E as esquisitices continuam: ontem, eu assistia aos Simpsons na TV e, do nada, eles começam a cantar Any Day Now, no meio do episódio. A música é quase um standard, mas o máximo que eu consegui da gravação de Dee Dee Sharp foram trinta segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=1955043"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=1955043" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que tudo isso prova? Um: que artista preto dá em árvore nos Estados Unidos; Dois: que minha mãe tem um conhecimento de música black pra além do imaginável; e Três: que não, eu não consigo encontrar absolutamente tudo na net.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-1309376063142713474?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/1309376063142713474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=1309376063142713474&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1309376063142713474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/1309376063142713474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2008/12/lost-soul-dee-dee-sharp.html' title='Lost Soul: Dee Dee Sharp'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SUZXU7IjmNI/AAAAAAAAAFE/2spDUOFlqxY/s72-c/Dee+Dee.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-7455992594028489180</id><published>2008-12-09T20:28:00.006-02:00</published><updated>2009-04-08T12:19:46.634-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>Concessão para o Terrorismo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ST7xnJ4zG9I/AAAAAAAAAE8/lLxdWwM3QS4/s1600-h/Nilton.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 250px; height: 270px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ST7xnJ4zG9I/AAAAAAAAAE8/lLxdWwM3QS4/s400/Nilton.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277921468296141778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Já que esse é um blog que fala de negritude e conseqüentemente preconceito, acho que não fujo muito do tema com este post. Não é de agora que o jornalista Flávio Prado tem usado seu nobilíssimo espaço na TV Gazeta como palanque de opiniões discriminatórias. Ele já passou pelo papelão de ter que se retratar à mãe de um torcedor assassinado depois de dizer que o rapaz de catorze anos teve o que mereceu por andar com marginais. Já disse que torcedores são lixo, criminosos, assassinos, que pais que levam filhos aos estádios são irresponsáveis, todo tipo de bobagem. Neste domingo, ele se excedeu de novo, ao apoiar um policial de Brasília que, deliberadamente, deu um tiro na nuca de um torcedor são-paulino. O rapaz está hospitalizado em estado grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atendendo a um pedido das organizadas do São Paulo que chegou aos meus ouvidos pela minha irmã que é socióloga e membro da Torcida Independente, eu enviei uma carta de repúdio à TV Gazeta, que reproduzo abaixo. Sugiro que todos façam o mesmo para que possamos ajudar a erradicar esse mal retrógrado que são os arautos da discriminação.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Toda e qualquer generalização é preconceituosa por definição. Cada vez que tomamos o particular por regra, atacamos quem não merece ser atacado. Podemos repudiar atos isolados, nunca sentenciar coletivos. O jornalista Flávio Prado tem se mostrado, cada vez mais, um exímio apologista do preconceito e, conseqüentemente, da violência. Quando ele diz que uma torcida organizada é um "bando selvagem" que merece cadeia senão pior, estimula comportamentos como o do policial que tentou assassinar o torcedor são-paulino Nilton César de Jesus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se César é ou não marginal, tanto faz. Vivemos em um Estado Democrático, em que todos têm direito a um julgamento justo e imparcial. Nem a polícia nem ninguém tem direito de executar sumariamente quem quer que seja. Quando Flávio Prado passa a mão na cabeça de um policial que atira em pessoas desarmadas, ele age contra qualquer princípio democrático. Se ele deseja endossar a pena de morte - o que eu, particularmente, já acho deplorável - , que o faça pelas vias legais. É direito dele defender que o Estado institua legalmente a pena de morte. Não é direito dele - nem de ninguém - incentivar a arbietrariedade da polícia em tirar vidas alheias. Se endossarmos o ataque de funcionários públicos a cidadãos comuns, endossamos o julgamento sumário, o homicídio, o genocídio; a barbárie.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A opinião de Flávio Prado é bastião de um país atrasado e provinciano, em que a lei é exercida pelas mãos de justiceiros. Não é para isso que temos um sistema legislativo e um executivo. Quem julga é o Estado na figura de um juiz de direito, não policiais e muito menos jornalistas. Flávio Prado não tem o direito de valer-se de um canal de televisão - que é concessão do Estado democrático - para fazer propaganda totalitária. Isso é terrorismo. Eu repudio as declarações do senhor Flávio Prado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gabriel Rocha Gaspar - Jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: Correio Braziliense&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-7455992594028489180?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/7455992594028489180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=7455992594028489180&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7455992594028489180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7455992594028489180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2008/12/concesso-para-o-terrorismo.html' title='Concessão para o Terrorismo'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ST7xnJ4zG9I/AAAAAAAAAE8/lLxdWwM3QS4/s72-c/Nilton.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-3755231022227166899</id><published>2008-12-08T19:53:00.011-02:00</published><updated>2009-04-08T12:19:14.781-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>O pai do futebol brasileiro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ST2ZgqI7DTI/AAAAAAAAAE0/Ho07W0k1QTg/s1600-h/fried008.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 234px; height: 250px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ST2ZgqI7DTI/AAAAAAAAAE0/Ho07W0k1QTg/s400/fried008.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277543124694666546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O jogo já passava dos 150 minutos. Tanto brasileiros quanto uruguaios tropeçavam em campo, por conta do desgaste físico. A alta casta da sociedade carioca roía as unhas nas arquibancadas do recém-construído Estádio das Laranjeiras à espera do gol que daria ao Brasil seu primeiro título internacional. Eram 20 mil pessoas nas arquibancadas, além dos milhares de pretos, mulatos e brancos pobres que se aglomeravam no morro das Laranjeiras tentando enxergar alguma coisa; e dos outros milhares que esperavam pelo resultado diante do Jornal do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o regulamento, haveria quantas prorrogações fossem necessárias. Foram necessárias três. O meia corintiano Neco tomou uma bola na intermediária, passou como uma flecha por quatro uruguaios e cruzou na entrada da pequena área para o também paulista Heitor. Heitor cabeceou firme, mas o goleiro uruguaio Saporiti voou no canto e rebateu. O “center-forward” (perdoem-me o anglicismo, mas em 1919, ninguém tinha inventado a palavra centroavante) são-paulino Arthur Friedenreich matou a bola com o pé esquerdo, ameaçou a batida, deixou que Saporiti despencasse e arrematou no contrapé do arqueiro batido. O Brasil explodiu a gritar o complicado nome do mulato humilde que seria amenizado no castelhano “El Tigre” dos uruguaios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=1791864"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=1791864" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fried foi o primeiro grande craque do futebol brasileiro, quiçá mundial. Dizem – não há vídeos dele jogando – que a bola grudava em seus pés e que não havia faro de gol como o dele. Para que não fique a dúvida, que digam os números: o homem marcou nada menos 1329 gols.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se dentro dos campos ele foi o primeiro entre os melhores, fora, foi um herói. Antes dele, negro não tinha lugar nem nas gerais mais fuleiras. Depois dele, percebeu-se que a segregação do negro era o túmulo do futebol. Friedenreich, filho de pai alemão e neto de ex-escravos, mostrou que o futebol ia para além dos toques. Futebol era drible, balanço, suingue, música, arte. E foi no mais racista dos palcos que ele forçou o Brasil a se curvar diante de seu maior patrimônio: a pluralidade étnica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ST2Y-cfXioI/AAAAAAAAAEk/UVeLcq9L9ns/s1600-h/qfl_18721.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 259px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ST2Y-cfXioI/AAAAAAAAAEk/UVeLcq9L9ns/s400/qfl_18721.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277542536915159682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"El Tigre" entre os sucessores Leônidas e Pelé&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Depois de Friedenreich, até o Fluminense, ostensivamente segregacionista e elitista, foi obrigado a aceitar que negros vestissem sua camisa. Não que tenha dado o braço a torcer – pelo contrário, obrigou os negros a travestir-se de brancos com pó de arroz na cara. O clube simplesmente havia virado freguês nato de um Vasco que vestia pretos de preto e voava baixo. Friedenreich abriu a duras penas as portas para o Brasil tornar-se indiscutível potência maior do futebol. Abriu alas para Leônidas; para Pelé; para Caju; para Ronaldo; para Barbosa; para Romário; para... O futebol como ele é. O São Paulo, hoje hexa-campeão brasileiro, abriu as portas para Fried. Nada é à toa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-3755231022227166899?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/3755231022227166899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=3755231022227166899&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3755231022227166899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/3755231022227166899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2008/12/filho-prdigo-do-futebol-brasileiro.html' title='O pai do futebol brasileiro'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/ST2ZgqI7DTI/AAAAAAAAAE0/Ho07W0k1QTg/s72-c/fried008.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-320268315236597770</id><published>2008-12-04T20:20:00.011-02:00</published><updated>2009-04-08T21:36:37.626-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica Americana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stevie Wonder'/><title type='text'>Stevie Wonder canta Martin Luther King</title><content type='html'>&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=1693591"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=1693591" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SThY75EjnFI/AAAAAAAAAEM/t_8YE6wGHWY/s1600-h/Stevie-Wonder_l.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SThY75EjnFI/AAAAAAAAAEM/t_8YE6wGHWY/s320/Stevie-Wonder_l.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276064749419994194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Hoje, tive uma vontade súbita de ouvir “Village Ghetto Land”, do Stevie Wonder. Sempre achei essa música profundamente intrigante. Como pode uma valsa de fazer inveja a Johann Strauss casar tão bem com uma letra que fala de fome, de crianças brincando com garrafas quebradas, de mortalidade infantil e mendicância crônica? Uma coisa é esses assuntos caírem como uma luva na base pesadona de “Ela Partiu” (Tim Maia) usada no “Homem na Estrada”, dos Racionais MCs. Agora, falar da miséria humana em uma valsa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=1697374"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=1697374" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, comecei a puxar esse pensamento um pouco mais além. Fui parar em 15 de janeiro de 1982. Nesta data aconteceu um showmício no Capitol Mall, Califórnia, em prol de um feriado para Martin Luther King. Stevie Wonder foi a estrela principal do espetáculo. Ele disse às 15 mil pessoas ali reunidas que Martin Luther King havia deixado uma “sinfonia inacabada” e que era preciso “harmonizar as notas e acordes e encontrar o amor. Precisamos de um dia para trabalhar na sinfonia, um dia para ensaiar nossa solidariedade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SThaVdcwlEI/AAAAAAAAAEU/Xc7jH9ssdTw/s1600-h/Martin+Luther+King.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 241px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SThaVdcwlEI/AAAAAAAAAEU/Xc7jH9ssdTw/s320/Martin+Luther+King.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276066288193541186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Passei a relacionar Stevie Wonder com Luther King e inseri “Songs in the Key of Life”, o disco que tem “Village Ghetto Land”, no contexto da sinfonia do pastor. A conclusão é um óbvio ululante, mas que, nos mais de 20 anos que passei ouvindo esse disco nunca me saltou aos olhos - ou melhor, ouvidos. “Songs in the Key of Life” é a principal obra artística a fazer apologia da harmonia racial nos Estados Unidos. “Village Ghetto Land” mostra que a integração é possível: o vocal é negro, negro, negro; gospel. O assunto é o gueto mais fuleiro, como aquele em que Stevie Wonder cresceu. E a orquestração é européia clássica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nos estendermos pelos dois volumes do disco, veremos que ele coloca todos os conflitos raciais ali, de forma integrada. “Love is in Need of Love Today” é um gospel – não à toa – que afirma diretamente o desejo de integração racial. “Black man” termina listando vários heróis, que para ouvidos desatentos podem parecer todos negros, até por conta do título da música, mas não são. Ele cita um soldado chinês da primeira guerra, quatro índios americanos, três hispânicos, seis negros e – por que não? – dois brancos. Outro protesto sensível pela harmonização racial é “Pastime Paradise”, em que violinos formam a base de um funk acompanhado de um coral gospel que canta Hare Krishna Hare Hama. Nada melhor para concluir tamanha amálgama étnica do que um gongo chinês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=1697477"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=1697477" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de todas as faixas, Stevie Wonder destrincha a filosofia de Martin Luther King, em texto e música. Ele une todos os elementos fundadores da cultura americana em torno do sofrimento – blues – negro. O negro, como não podia deixar de ser, é o protagonista do conto lutherkingiano de Stevie Wonder. Mas a base filosófica é uma América plural e igualitária. A partir desta tarde, me sinto confortável para dizer que “Songs in the Key of Life” é um patrimônio da humanidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-320268315236597770?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/320268315236597770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=320268315236597770&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/320268315236597770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/320268315236597770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2008/12/stevie-wonder-canta-martin-luther-king.html' title='Stevie Wonder canta Martin Luther King'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SThY75EjnFI/AAAAAAAAAEM/t_8YE6wGHWY/s72-c/Stevie-Wonder_l.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-7127414758264553154</id><published>2008-12-03T13:03:00.009-02:00</published><updated>2009-04-08T21:36:54.326-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Musica Americana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marlena Shaw'/><title type='text'>Lost Soul: Marlena Shaw</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/STagLHih0NI/AAAAAAAAAD8/iSNZSj6PY_o/s1600-h/MARLENA+SHAW.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 293px; height: 284px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/STagLHih0NI/AAAAAAAAAD8/iSNZSj6PY_o/s320/MARLENA+SHAW.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275580126373990610" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Desde os 16 anos, a nova-iorquina Marlene Bradshaw flertava com os palcos. Seu tio, o trompetista Jimmy Burgess tocava na orquestra de Horace Silver e costumava trazer a sobrinha para um ensaio ou outro. Do nada, durante um show no famosíssimo teatro Apollo (segunda vez que falo do Apollo aqui, heim?!), Burgess chamou a menina no palco. Marlene tremia como vara-verde, mas encarou o desafio. Sua interpretação de “My Funny Valentine” foi aplaudida de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bradshaw chegou em casa empolgadíssima, contando para a família que virara cantora, que seguiria carreira, que tinha sonhos, que... Foi tesourada rapidinho pela mãe, que não queria a filha adolescente na estrada com aqueles músicos de má fama. Só o que se ouvia falar da estrada, no fim dos anos 50, era que negros eram alojados em espeluncas fedorentas, em que os ratos dividiam espaço com pilhas de seringas e garrafas. Não era de todo mentira, para não dizer que era de todo verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=1658420"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=1658420" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina tanto fez que convenceu sua mãe a matriculá-la New York State Teachers College, em Potsdam, para estudar música. Mas casou-se rapidinho com um músico e largou os estudos, dedicando-se a cuidar dos cinco filhos que vieram logo depois. Mas o sonho de cantar continuava vivo e Bradshaw se apresentava em pequenos clubes do gueto, vez ou outra. Não era nada muito sério, mas sua voz chamou a atenção do famoso olheiro da Columbia Records John Hammond. Foi marcada uma audiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela foi para a frente do espelho e cantou standards de jazz durante uma tarde e uma noite, sem parar. Não conseguia dormir, estava nervosa, ansiosa e cheia de expectativas. Sua apresentação a Hammond foi um fracasso. Como ela contou a New York Times anos depois, ela tremeu, suou, perdeu duas entradas e foi embora para casa, frustrada. O baque foi tamanho que, durante um mês, ela ficou sem voz. Não conseguia sequer falar, comunicava-se por meio de bilhetes. Aos poucos, confiança foi voltando, Bradshaw começou a arriscar uma notinha aqui, uma notinha ali, fazer versões para alguns standards...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/STagoEeDpjI/AAAAAAAAAEE/u-IhfXK6OnE/s1600-h/MarlenaShaw_v_002.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 250px; height: 250px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/STagoEeDpjI/AAAAAAAAAEE/u-IhfXK6OnE/s320/MarlenaShaw_v_002.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275580623766136370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foi reconhecida na platéia pelo contrabaixista da orquestra residente do Playboy Chain Club, de Chicago, e chamada para dar um canja. Virou vocalista oficial do grupo. Em menos de um mês, tinha um contrato de gravação com a Chess Records, gravadora que revelara, entre outros, Chuck Berry. Seu single estava definido: ela própria escreveria uma letra para o clássico “Mercy, Mercy, Mercy”, de Cannonball Adderley. Bombou! A faixa, assinada por Marlena Shaw, virou hit instantâneo em todos os guetos dos Estados Unidos e chegou a ser a mais tocada nas rádios negras em fevereiro de 1966.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=1659051"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=1659051" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem se interessou muito pela voz – e não só pela voz – de Shaw foi o pianista Count Basie. Ele convidou a garota para fazer parte de sua orquestra permanente. Mas não sem antes passar por um teste. Marlena apareceu no hotel Sands, em Las Vegas, no verão de 1966, para a audiência. Antes que ela terminasse de cantar, Basie deixou a sala, de cara fechada. Foram cinco minutos de angústia. Até que Basie voltou, sorridente, com duas taças de vinho. Colocou uma taça na mão de Shaw e disse: “Guarde sua voz, querida. Você vai precisar dela esta noite”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-7127414758264553154?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/7127414758264553154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=7127414758264553154&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7127414758264553154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/7127414758264553154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.afroencias.com.br/2008/12/lost-soul-marlena-shaw.html' title='Lost Soul: Marlena Shaw'/><author><name>Gabriel Rocha Gaspar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03693301250331486876</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/SgrKg345xWI/AAAAAAAAAM0/179-PTfiU5s/S220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/STagLHih0NI/AAAAAAAAAD8/iSNZSj6PY_o/s72-c/MARLENA+SHAW.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4210609985362647.post-9205121548941462736</id><published>2008-12-01T15:47:00.011-02:00</published><updated>2009-04-08T21:37:19.216-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Africa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='AIDS'/><title type='text'>Simpatia pra AIDS funciona que é uma beleza</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/STQnERiOLGI/AAAAAAAAADs/eo9LKqM9u_M/s1600-h/aids_zoom.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 271px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/STQnERiOLGI/AAAAAAAAADs/eo9LKqM9u_M/s400/aids_zoom.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274884017937591394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Faz tempo que só se fala em África do Sul quando o assunto é Copa de 2010. Faz tempo que não lembramos que 5,7 milhões de sul-africanos padecem de AIDS. Hoje é o dia internacional de combate à AIDS e é o vigésimo ano em que se celebra a data. Como o país de Mandela, farol da África para o Ocidente, o Davi que derrubou o gigante Apartheid chegou ao ponto de ostentar uma marca tão vexatória? Thabo Mbeki que (não) responda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ex-presidente sul-africano tem declinado todas as tentativas de entrevista que abordassem o assunto HIV. Seu Governo implementou uma política de nulidade frente ao vírus que beira a crueldade. Ele suspendeu a maior parte dos tratamentos com anti-retrovirais, por conta de uma teoria esdrúxula que impera entre parte do CNA (Congresso Nacional Africano, partido de Mbeki e Mandela), que diz que a AIDS não deriva do HIV, mas de outras doenças e desnutrição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=1612671"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=1612671" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/STQn4Na9atI/AAAAAAAAAD0/0tRWJ34Ht7w/s1600-h/nelson-mandela.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 230px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i7KNQBI-6tg/STQn4Na9atI/AAAAAAAAAD0/0tRWJ34Ht7w/s320/nelson-mandela.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274884910186588882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nelson Mandela é uma das vozes contrárias ao discurso da negação. Em 2002, em uma de suas raras aparições nas reuniões do CNA, ele foi malhado pelos puxa-sacos de Mbeki, que alegavam que o Madiba (logo ele!) endossava teorias racistas que diziam que a “promiscuidade do negro” era a causa do mal do milênio. Mandela queria remédios para a população. Recebeu um cacete de seus conterrâneos e, como escreveu o mandelista Ngoako Ramatlhodi em coluna do Sunday Times de Johanesburgo, citada pelo &lt;a href="http://www.nytimes.com/2008/11/26/world/africa/26aids.html?pagewanted=1&amp;amp;sq=Aids%20Africa&amp;amp;st=cse&amp;amp;scp=1"&gt;NY Times&lt;/a&gt;, saiu de lá parecendo ter “o dobro da idade, pálido e envelhecido”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade é que, se o governo de Mbeki tivesse seguido os conselhos de Mandela e Ramatlhodi oito anos atrás, teria prevenido a morte de 365 mil pessoas, de acordo com &lt;a href="http://aids.harvard.edu/Lost_Benefits.pdf"&gt;estudo&lt;/a&gt; da Universidade de Harvard. Ao invés disso, preferiu dar voz a gente como a ministra da saúde Manto Tshabalala-Msimang, que receitou alho, suco de limão e beterraba contra a AIDS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="BlipEmbedPlayer" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/get/flashplayer/current/swflash.cab" width="100%" height="150"&gt;&lt;param name="movie" value="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="quality" value="high"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="FlashVars" value="blipId=1612964"&gt;&lt;embed src="http://blip.fm/_/swf/BlipEmbedPlayer.swf" name="BlipEmbedPlayer" play="true" loop="false" quality="high" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" flashvars="blipId=1612964" width="100%" align="middle" height="150"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, as coisas estão lentamente tomando rumo por lá. O primeiro movimento do novo presidente, Kgalema Motlanthe, no poder foi demitir Msimang e erradicar de vez o pensamento que nega a AIDS como doença viral. Agora, os remédios começam a ser distribuídos e a conscientização sobre a AIDS como DST começa a acontecer. Vamos torcer para que a África do Sul nos orgulhe não apenas com a capacidade de organizar uma Copa do Mundo, mas com a liderança rumo a uma África saudável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4210609985362647-9205121548941462736?l=www.afroencias.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.afroencias.com.br/feeds/9205121548941462736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4210609985362647&amp;postID=9205121548941462736&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4210609985362647/posts/default/9205121548941462736'/><l
