T-Pain produz novo single de Obama

Afroentissíssimos leitores, desculpem-me. Sei que andei relapso com este espaço sagrado e sei também que as desculpas se esvaziam à proporção direta que se repetem. Bem, se fossem um saco, as minhas sairiam voando, eu sei. E aproveitando meu saco vazio de desculpas, encho o saco de vocês com mais uma: não é dessa vez que terão um post digno de vossa leitura. É, eu vou enrolar.

Mas, só pra não deixar o Afroências morrer ("não deixe o Afroências acabar...") vou lançar um videozinho bobo pra vocês. O programa do Jimmy Kimmel (um talk show a la David Letterman que vai ao ar pela rede de televisão ABC) exibiu, na última sexta-feira, esse sketch na última sesta-feira em que o "cantor" de R&B - as aspas não são pura crueldade e vocês logo vão entender porquê - T-Pain transforma discursos de Barack Obama em música. Até aí, morreu Neves (se não morresse, Sarney não teria sido presidente da república): Will.I.Am se juntou a várias celebridades pra musicar o presidente negrão; e o presidente negrão Fela Kuti musicou a política duzentos bilhões de vezes.

Agora, o que me chamou a atenção nessa história do T-Pain foi o aparelhinho que ele usa pra "melhorar" a voz do Obama. É um gadget chamado Autotune cujo nome é auto-explicativo - ele faz música automaticamente. Mesmo. Sabe essa doença na laringe que acomete cantores pop, de Britney Spears a Lil' Wayne, passando por Justin Timberlake e companhia inenarravelmente limitada? Aquela mesma que deixa os caras com voz de ringotne. Pois ela é causada pelo vírus do Autotune. Bons tempos aqueles em que trabalho de cantor era cantar... Hoje em dia, cantor... Cantor... Alguém sabe o que fazem esses cantores?



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

6 Comments:

Marcio Macedo (Kibe) said...

Hi Afroências,

Legal seu blog, curti!

Falando do auto-tune, você já deve saber, mas um dos hits de Jay-Z no seu último CD, The Blueprint 3, é um ataque aberto ao "brinquedinho" preferido de Lil Wayne, T-Pain e outras figurinhas. Fiz um post sobre o álbum de Jigga no meu blog:

http://newyorkibe.blogspot.com/2009/09/jay-z-e-seu-blueprint-3.html

Abraço,

Márcio/Kibe.

Gabriel Rocha Gaspar said...

Opa, valeu pelo elogio, Kibe! Quando vc falou que o Jay-Z ataca abertamente o Auto-tune no disco novo, pensei que fosse uma coisa sutil. É nada! Como vi no seu blog, uma das músicas se chama "Death of Auto-Tune (Morte do auto-tune)". Não sou exatamente um cara reacionário, mas acho legal que haja gente de dentro da indústria e com cacife pra bater nesse tipo de coisa. Pô, a partir do momento que o artista deixa de criar a arte para dedicar seu tempo ao conceito de venda do trabalho, ele é publicitário e não artista. E, que me perdoem os publicitários: publicitário e artista são coisas antagônicas. Mas enfim, essa discussão são outros quinhentos.

Aos demais afroentes: não sei nada sobre rap gringo pra falar a verdade. É... Parei no Tupac, lá em 1996, dando um respiro para a Lauryn Hill no final do século passado. Sim, aquilo foi no século passado. Por isso, se vocês querem um post sério sobre o assunto, (re)recomendo o link do Kibe aqui em cima. O cara conhece, viu... Garantiu espaço na minha barrinha de blogs afroentes!

Tiago Ferreira da Silva said...

Salve Afro,

Caindo num outro assunto (já que tbm pulo fora sobre rap da gringa atual), Gabriel, o Obama ganhou o Nobel da Paz esse ano. Muita gente acredita que é articulação política por causa das necessárias intervenções na política externa. Porém, muitos argumentam que Obama não fez quase nada do que prometeu e o que garantiu a conquista do prêmio foi sua força representativa. Quem disse isso foi a colunista Luciana Coelho, da Folha.

Como o presidente americano já rendeu muitos posts frutíferos - inclusive este post - seria uma boa uma pronunciação tua......

Grande abraço!

Marcio Gaspar said...

desse jeito, tá cada vez mais difícil não ser saudosista... e me diz uma coisa: o sujeito tem essa cara mesmo ou tá de máscara? coisa mais esquisita, sô!

Gabriel Rocha Gaspar said...

Salve, Tiaguinho! Eu queria ter escrito este post. Não rolou por absoluta falta de tempo. Mas, só pra não ficar no limbo, vamos lá: acho que o Nobel do Obama é o primeiro Nobel a prazo da história. Ele não ganhou o prêmio pelo que ele fez, mas pelo que o mundo espera que ele faça. Isso é meio ridículo, certeza que é. Mas é a coisa do "Yes, We Can". Puta slogan! Puta slogan mesmo!! Convenceu até os ilustres avaliadores do Nobel. Obama didn't, but Obama can... Even win a Nobel Prize!

Gabriel Rocha Gaspar said...

hahahahahahahaha Essa máscara bizarra foi uma de minhas incursões mal-sucedidas pelo mundo maravilhoso do Photoshop. É a cara do Obama no corpo do T-Pain. Ok... Ficou horrível!

 
Afroências Arte: Gabriel Rocha Gaspar