Bom, o disco saiu em 5 de maio. Ou seja: minha resenha está quatro meses atrasada. Mas eu só tive acesso a "Family Time" (2009, Tuff Gong International), de Ziggy Marley, agora. E sabe... gostei muito dele.
Antes de mais nada, é preciso dizer que Family Time é um disco para crianças. Ziggy é filho de uma e pai de cinco inspirações. Ele falou de uma delas em um show acústico que fez em frente à Casa Branca, em Washington. "Eu estava na cozinha de casa quando minha filhinha (Judah Victoria, de quatro anos) apareceu, do nada, e disse: 'I love you'. Fiquei com aquilo na cabeça e compus 'I love you too' (segunda faixa do disco)". E decidiu que ia cantar só pra criançada.
Talvez por isso, "Family Time" seja o melhor CD de sua breve carreira solo - antes desse, ele havia lançado Dragonfly (2003) e Love is My Religion (2007). Os dois tiveram uma ou outra joiazinha escondida, mas não eram nada demais. "Love is My Religion", música tema do segundo, é infantil no mau sentido, pra não me estender muito. Agora, Ziggy, que sempre achei honestinho (e só), é infantil com propriedade.
Ele não tem a versatilidade de Stephen Marley, não tem o discurso e a originalidade de Damian. Não fosse ele o primogênito e sósia do Rei do Reggae, provavelmente entraria na vala comum de Julian, Kimany e outros milhares de descendentes que Bob deixou. Mas, faz tempo que ele vem tentando cortar o cordão umbilical paterno. Em Dragonfly, ele apelou para o pop ("Dragonfly", "True to myself"), flertou com o rock ("I Get Out") misturo
u violão ao afrobeat ("Looking"), relegou a clássica batida one drop ao segundo plano e cantou uma liberdade muito diferente da que cantava seu pai. Ele queria voar, queria ser criança, queria abrir a janela e ver um arco-íris. Bob Marley queria romper com o legado da escravidão, queria extinção de todas as cadeias e a destituição das regras do capitalismo, do cristianismo e do socialismo, que ele colocava em um mesmo bloco chamado "isms and skisms".
"Love is my religion" abria com o afro-reggae "Into da Groove", mas era basicamente um disco de reggae. Embora o ritmo fosse o mais Bob Marley possível, pelas letras Ziggy se distanciava do pai. A faixa título não condenava, não convertia. Bom, Bob Marley fazia os dois, o tempo todo. "I don't want to fight/Let's go fly a kite (Não quero brigar, vamos empinar uma pipa)" é o oposto do "Brother, you're right/We're gonna fight for our rights (Irmão, você está certo/vamos lutar por nossos direitos)" do Zimbabwe de Marley. Quer dizer: Ziggy vem dizendo faz tempo que não faz o gênero Tuff Gong de seu pai ou irmãos. Ele é um hippie do reggae, ele é paz e amor, é sossegado e quer continuar sossegado. Por fora, ele mantém sua ONG de combate à AIDS na África, seu centro para crianças órfãs e toca a vida. Ele não é um revolucionário, mas reverte toda a renda de Family Time para uma escola pública da Jamaica.
u violão ao afrobeat ("Looking"), relegou a clássica batida one drop ao segundo plano e cantou uma liberdade muito diferente da que cantava seu pai. Ele queria voar, queria ser criança, queria abrir a janela e ver um arco-íris. Bob Marley queria romper com o legado da escravidão, queria extinção de todas as cadeias e a destituição das regras do capitalismo, do cristianismo e do socialismo, que ele colocava em um mesmo bloco chamado "isms and skisms"."Love is my religion" abria com o afro-reggae "Into da Groove", mas era basicamente um disco de reggae. Embora o ritmo fosse o mais Bob Marley possível, pelas letras Ziggy se distanciava do pai. A faixa título não condenava, não convertia. Bom, Bob Marley fazia os dois, o tempo todo. "I don't want to fight/Let's go fly a kite (Não quero brigar, vamos empinar uma pipa)" é o oposto do "Brother, you're right/We're gonna fight for our rights (Irmão, você está certo/vamos lutar por nossos direitos)" do Zimbabwe de Marley. Quer dizer: Ziggy vem dizendo faz tempo que não faz o gênero Tuff Gong de seu pai ou irmãos. Ele é um hippie do reggae, ele é paz e amor, é sossegado e quer continuar sossegado. Por fora, ele mantém sua ONG de combate à AIDS na África, seu centro para crianças órfãs e toca a vida. Ele não é um revolucionário, mas reverte toda a renda de Family Time para uma escola pública da Jamaica.
E quer saber? Não precisa ser. Ele pode ser o que quiser e, agora, Ziggy quer cantar pras crianças. Que cante: conforme ele se aproxima de si mesmo e dos filhos, sua música fica mais honesta e mais gostosa. É por isso que, ouvindo "Walk Tall", por exemplo, parece que estamos numa brincadeira de roda em que Ziggy Marley e Paul Simon são os animadores. Ou que nos divertimos quando a voz cavernosa de Willie Nelson imita o tchoo-tchoo-tchoo de um trenzinho em "This Train". É por isso até que quando ouvimos Ziggy cantar bend down low no refrão de seu alfabeto ("ABCs") nem lembramos da conotação fortemente sexual que essa frase tem na voz de Bob Marley. Tudo parece uma brincadeira mesmo. E, como o próprio Ziggy disse em uma entrevista à Amazon.com: "Sei que não sou nenhum gênio, mas consigo fazer um disquinho".











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