Rapaziada, acho que o texto da MTV tá emparelhado com Glória Coelho, Eliana Tranchesi e Paulo Skaf na liderança dos mais polêmicos deste Afroências. Não só pela discussão que ele suscitou de supetão na comentariada, mas pelo que veio depois. Eu recebi e-mails e mais e-mails e teve até nego que me ligou pra falar disso. Então, vou encarar escrever (se vocês encararem ler, é claro) mais uma resposta - como prometi por e-mail ao leitor Marcelo - para reiterar alguns pontos de controvérsia do texto. Não que não tenha feito antes, mas... Vamos lá. Marcelo me faz as seguintes perguntas:
Se só passasse pretos, (a MTV) seria correta? É esse o modelo representante do nosso país? Aí a MTV seria aceitável aos seus olhos?!
Não. Simplesmente deixaria de ser incorreta, pela exclusão dos negros. Aqui, provavelmente surge mais um ponto polêmico que remete àquela discussão do "Por que o negro pode usar uma camisa em que se lê '100% negro' e o branco não pode usar '100% branco'?". A resposta é simples: porque achar que a afirmação racial de brancos e negros é igual equivale a distorcer a história e ignorar os 500 anos de destruição cultural que o negro sofreu. Isso deixou o ranço de que é vergonhoso ser negro. O 100% negro é simplesmente a afirmação de que não tem nada de mau em ser negro, que nossa história não é vexatória ou humilhante, mas simplesmente história, como a de todos os povos. Por isso, a MTV não seria "correta" se passasse 100% negros; simplesmente deixaria de ser 100% branca - isso, sim, é incorreto.
Quando você diz que o VJ ouve (não me lembro agora) the strokes e similares, o que quis dizer com isso? Ele só pode ouvir música negra? (não me sinto a vontade com esse rótulo, como não me sentiria dizendo “música branca”).
Essa pergunta eu respondi a outro leitor nos comentários do texto da MTV, mas vá lá. Repetindo: cada um pode ter seus gostos e preferências. Quando digo que Léo Madeira está na MTV porque seu jeitão se confunde com os dos brancos, não quero dizer que isso é um problema. Pelo menos, não é problema meu. O que abordo aqui é a questão da representatividade e não do gosto pessoal do cidadão. Os Radioheads, Guns & Roses e Strokes da vida não têm negros, não falam de assuntos que dizem respeito à realidade dos negros - que é bastante diferente da dos brancos -, não têm entre os negros seu maior público. E isso não é separatismo da minha parte; é simplesmente o fruto de 400 (ou mais) anos de exclusão. O negro desenvolveu formas muito próprias de arte nesses 400 anos e criou uma identidade por toda a diáspora. Como você pode ver na entrevista do Renegado, a música negra tem uma mesma raiz, que sobressai em Cuba, no samba brasileiro, no reggae jamaicano, no hip hop e no jazz americanos. Você ouve o primeiro acorde de qualquer um desses ritmos e diz, sem medo de errar: "música negra". Isso independe do país de origem. Quando você coloca como único representante da população negra - e mesmo que não queira, um negro que aparece na televisão é representante da população negra - alguém que não exalta essas raízes, esse alguém deixa de falar com o público negro. Não é culpa dele, é assim que é.
Se fosse branco o sujeito, o correto seria então ele só colocar música tocada por brancos?
Parafraseando Peter Tosh: "If your black, step back. If you're brown, stay around. If you're white, you're alright" (se você for preto, sai fora; se for marrom, pode ficar por aí; se for branco, tá tudo certo). Branco não tem crise de representatividade. Desde que existe mídia, são os brancos que aparecem nos cargos de destaque, nas boas manchetes, nas propagandas. Por isso, o branco não sofre uma coisa que o negro em cargo de evidência sofre: o estigma. Um branco não carrega o estigma de todos os brancos. Não é porque Hitler era um branco que o mundo encara todos os brancos como se fossem Hitler. Agora, o fato de Idi Amin Dada ser um negro faz com que todos os líderes africanos negros herdem seu legado nefasto. Se o Obama fizer uma grande lambança e afundar os Estados Unidos, não é uma falha pessoal dele, é uma falha da América negra, o fracasso de toda a diáspora. Depois disso, esquece: vai demorar 5 milhões de anos pros caras elegerem outro negro. Isso é culpa do estigma da baixa representatividade. Como não temos referenciais, os poucos referenciais que aparecem carregam o fardo de toda a raça. Com o branco, isso não acontece porque um branco num cargo de destaque não é uma anomalia social - é a via de regra. Se um faz cagada, é culpa dele e só. Ele é uma pessoa, ponto. Não é "o homem branco". O preto em destaque não é uma pessoa em destaque, é um preto em destaque. Ou seja: o branco pode fazer o que quiser, já que o que ele faz não recai sobre todo o seu povo. Ah, por falar em representatividade, recomendo a leitura do texto Oi, eu sou Helena, da Lara Januário.
Outro argumento que não entendi é: “as pessoas veem os eua como exemplo de racismo, quando é justamento o contrário.” Como é isso?
Não me lembro de ter dito isso. Primeiro porque não sei se entendi. Segundo, porque discordo. Os Estados Unidos são um exemplo de racismo, o Brasil é outro, a Guatemala é outro, a Inglaterra mais um, o Haiti mais outro...
Na sequência do e-mail, o leitor Marcelo diz o seguinte:
Trago à tona uma discussão maravilhosa que assisti no programa da Oprah. No palco, artistas, produtores e compositores de hip hop. Na platéia, não vi brancos, pessoas de todas as idades. A discussão era sobre o racismo e sexismo de muitas obras do estilo (que sou fã, com a exceção dos supra-citados). O que me marcou foi um senhor que se lenvatou, e chamou os artistas de palhaços e racistas e completou “vocês dizem que são massacrados, que não têm nada, que são tratados como lixo e isso lhes dá direito de agir como agem. Acontece que não muito tempo atrás, homens chamados de ‘lixo branco’ usavam esse mesmo argumento pra matar homens como nós”. Foi a primeira e última vez que ouvi ou vi um programa onde se assumia o racismo negro contra as demais etnias.
Isso me faz lembrar que você disse que não acredita em racismo contra brancos. E me veio à mente uma música do Rappa “branco se você soubesse o valor que o preto tem, tomava banho de piche e virava preto também” e me peguei pensando, se invertêssemos a letra ela seria considerada racista, não seria?! Mais do que isso: SERIA CRIME! Então, usando a lógica filosófica, temos racismo nisso... um pode e outro não pode. Exatamente o que diziam os bebedouros de “whites only”...
Ou ainda, imagine se seu site fosse o contrário, um branco que colocasse só “branquices” e as louvasse, seria bacana, ou racista?
Bom, da minha parte, continuo dizendo que não sei o que é racismo de negros contra brancos. E isso não é demagogia, não sei mesmo - nunca fui vítima (evidentemente) e nunca presenciei coisa do tipo. Como disse em algum outro post, nunca vi branco preso pela cor da pele, nunca vi branco proibido de frequentar lugares pela cor da pele, nunca vi branco morrer pela cor da pele. Quanto à lógica filosófica da reciprocidade, creio que ela só se aplique caso os objetos estudados estejam em patamar de igualdade. Não estão. A música do Ilê Ayiê cuja regravação o leitor cita ("Ilê Ayê"), é uma variação do 100% negro de que falei um pouco mais pra cima. O mesmo para o meu site e para a legislação que criminaliza a discriminação do negro. É um paliativo protecionista para reduzir a opressão de um grupo populacional mais vulnerável - é como uma lei trabalhista, que obriga o empregador a ter deveres para com o empregado. É pouco, mas é o reconhecimento de que a sociedade é desigual.
Aliás, acho que toda nossa discussão aqui se resume a isso. Biologicamente, todos somos iguais. Brancos, negros, amarelos, vermelhos. Tudo a mesma coisa, tudo fruto da África. Mas nossas semelhanças acabam aí: entre a biologia e o mundo contemporâneo existe todo o desenvolvimento intelectual do homem, toda sua história, todas as suas guerras, todas as desigualdades, injustiças, tudo. O aparato específico de opressão que subjugou o negro por 400 anos precisa ser desmantelado nas mínimas e nas máximas instâncias para que a gente consiga conviver lado a lado pacificamente. É preciso conhecer nossa história, reconhecer os erros e reparar as vítimas pelo dano. Não adianta dizer que é coisa do passado, não é. É como uma morte sem corpo. Enquanto você não enterrar quem morreu, você não descansa. O problema é que antes de enterrar, você tem que ter a coragem de reconhecer o corpo. Reconhecer o corpo no caso da nossa sociedade é olhar de frente para a barbárie da escravidão negra... Calma. Daqui a pouco completo esse pensamento. Provavelmente, você vai dizer que todos os povos do mundo foram escravizados. Verdade. A diferença da escravidão negra é que ela acontece em moldes capitalistas. Isso implica, como qualquer sistema de produção capitalista, na necessidade de excedentes - ela precisa produzir mais do que vai vender; ela precisa estocar e fazer a economia girar. Não basta um escravo para cada função; é preciso um escravo que morra rápido para que haja reposição e a economia escravista continue aquecida. Isso não é aceitável aos olhos de Deus.Então, precisa-se criar um artífico religioso para justificar a escravidão negra. Surge a coisificação. Pela primeira vez na história, a escravidão deixa de ser servidão humana e passa a ser servidão animal. No Brasil, por exemplo, a mesma legislação que discorria sobre os escravos falava de bois, ovelhas e objetos pessoais. Quer dizer, por 400 anos, fomos tratados como coisas, não como pessoas escravizadas. Não só a liberdade, mas a alma do negro foi extirparda pela coisificação e pelo racismo. Não bastam uns poucos anos para erradicar essa doença arraigada no corpo social brasileiro. Voltando àquele pensamento lá de trás, a gente precisa assumir que isso criou um vácuo imenso entre o Brasil branco e o Brasil negro. Não tem democracia racial nenhuma, isso é conto da carochinha. Se a gente quiser criar uma democracia racial, é preciso entender que brancos e negros têm realidades e necessidades diferentes no Brasil de hoje. Nos miscigenamos, nos misturamos, temos uma identidade cultural. Verdade. Mas os negros seguem com menos oportunidades de emprego, seguem encabeçando as estatísticas de mortalidade, criminalidade, analfabetismo. Somos protagonistas de tudo o que tem de ruim. E isso não deriva de uma incompetência inata já que, como concordamos ali atrás, biologicamente somos a mesma coisa. O que é esse câncer negro? Durante 400 anos, fomos a manobra financeira que bancou a construção deste país. Está na hora de virar a massa humana que vai transformar isso aqui numa terra mais justa. Por isso, me digo 100% negro, mesmo que na prática, ache difícil que seja mais do 15% ou 20% negro. Como a maioria de nós, sou meio índio, meio branco, meio negro, meio tudo. Capaz até que seja meio japonês, vai saber... Agora, quando a polícia me cruza na madrugada, é "Mão pra cabeça, macaco!", "Cola na parede, neguinho!", esse tipo de coisa. Não sou macaco, não sou neguinho. Sou 100% negro e estou aqui pra mudar este país.











19 Comments:
Ah, Gabriel. Assim não dá. Vc me faz chorar em cada post. Consegue expressar as coisas que sempre senti, sinto e ainda sentirei. É tão bom nas palavras que até arrepia. Sem rasgação de seda, pq eu sou muito exigente, hahaha! Ainda bem que temos um 100% negro como vc, pra mudar esse país.
um beijo, Luisa.
putz, sensacional! já tá ficando até chato eu vir aqui só pra louvar a sua competência. mas você esgota o assunto. praticamente não deixa espaço para outra coisa que não seja o elogio. será que o tal do marcelo vai ter como contra-argumentar? tenho sérias duvidas. e sobre a mtv, o bom jotabê medeiros disse, em seu blog: "hoje, a mtv nada mais é do que um sbt de piercing"
Gagabirô,
Legal você ter toda essa afro-paciência para escrever um post curto e certeiro. Se eu quisesse parafrasear a chatice dos que não entendem e atacam as cotas, por exemplo, diria que fiquei ofendida por você ter começado o texto falando em "rapaziada" quando obviamente este blog é frequentado por mulheres também (moçada?) E os mais velhos?
Gabriel, foi um amigo branco que me falou do seu blog. Eu vim ler e acho sempre foda o que escreve (tb sou exigente viu! rs) Hoje ele me ligou dizendo que seus textos o ajudam com várias questões que tem dúvidas mas não fala comigo porque se sente constrangido. Não tenho o que acrescentar ao seu post, só dizer que sua contribuição é bem maior do que imagina viu. O melhor foi ele dizendo: "Eu entendi!!agora não ficarei mais ofendido quando vc disser que é 100% negra"...rs
Continue nos afroenciando!
Um beijo grande!
Bravos (de novo)!!!!!
Salve, Luisa! Ainda bem que temos 100% negros como eu, como você e como tantos outros, com disposição, alegria e talento, não é? Obrigado pelos elogios e pela força. Keep afro! hehehehe
Marcio, exceleeeeente a frase do Jotabê sobre a MTV. Puta diagnóstico mesmo! Quanto ao Marcelo, não sei se a ideia dele é exatamente contra-argumentar... Acho que ele quer é participar do debate e trazer ideias. E é super bem vindo! Tomara que ele pinte por aqui pra dar o pitaco dele!
Hahahahahahahaha! Demais, Márcia! Talvez o rapaziada não seja mesmo o vocativo mais adequado pra esse público tão vasto que o Afroências se acostumou a receber, né? Acho que na próxima vou mandar alguma coisa do tipo: "Salve, Afros!". Valeu pelo toque!
Ô, Naiane... Pô... Sem palavras... Seu comentário me emocionou profundamente. Se eu disser que é pra isso mesmo que eu faço esse blog, vou estar mentindo. Eu faço esse blog porque: 1) Eu preciso me expressar fora da caixinha, coisa que o trabalho do dia-a-dia não permite fazer; 2) Nós negros precisamos nos encontrar, nos discutir, debater e aprender uns com os outros. A hora é essa, o meio (internet) é a nossa cara; 3) Rola um ego, né? Hahahahahahahaha! Adoro ver esses comentários...
Mas falando sério: eu li seu comentário e sentir um suor na espinha. Pensei: "Caramba, a parada tá ficando grande..."; e tá mesmo. Se o texto teve esse impacto é sinal de que a gente está construindo algo muito importante nesse espaço. A gente está colaborando pra afirmação da identidade do negro e marcando o nosso papel na história da diáspora. Seu comentário fez com que eu me sentisse um agente da história, um personagem vivo na criação do legado negro. Muito obrigado, muito obrigado mesmo. Agora, a gente só tende a crescer mais e mais. Vamo que vamo que o mundo tá todo aí pra gente, só saber chegar!
Valeu mais uma vez, nega.
PAS é o cara. Esse é o cara, não tem por onde. Valeu mais uma vez!
Ga, vc tem dado verdadeiras aulas aqui sobre consciência negra, história e explicado (como não vi ainda em nenhum outro lugar) o pensamento no qual se baseiam as ações afirmativas, como as cotas.
é isso que falta: voz para o povo negro. E gente bem articulada botando a boca no mundo.
parabéns! é um belo serviço público o q vc tem feito aqui.
Lindo o final do seu texto! To contigo pra mudar este país.
beijo enorme e cheio de orgulho
Salve Afros,
Mais uma vez venho compartilhar um link para sustentar um pouco mais o argumento desse espaço. Espero muito que o Marcelo leia e todo mundo que acompanha os textos do Pensa nesta página
Saiu na Folha, naquela página Tendências/Debates, um argumento científico do professor José Jorge de Carvalho que engloba todo esse lance de cotas que vem sendo abordado no espaço. Ele traz dados que exemplificam bem: as maiores universidades do país têm 0,6% de professores negros.
O link não é diretamente da Folha, mas é uma reprodução do artigo que saiu no jornal.
Afro-abraços a todos!!
salve salve Irmão
Sou de Campinas-sp, mais moro em Belém-PA, uma terra negra que infelizmente muitos se acham muito pardos....participo de um coletivo e estamos na missão de fazer a diferenca
http://negrocosme.mocambos.net/.
Venho cumprimenta-lo e dizer que seus textos são de otimas inspirações e conte com a gente pra disseminar a hora dos Black Blocks agirem....abç---
Don Perna
Fala galera! Eu sou o Marcelo que escreveu o post que nosso grande Gabriel respondeu.
Eu, um orgulhoso "100% misturado" por causa do caldeirão de origens e cores que é e foi minha família, quando escrevi pra ele, tive como e desejo inicial o debate saudável e construtivo. E só o fiz, por perceber que é este EXATAMENTE o mesmo desejo do Gabriel e das pessoas que visitam e se expressam no site.
Essa troca me faz lembrar meu avó, angolano, que quando eu era bem menino me sentava no seu colo, fumava seu velho cachimbo enquanto me falava da história do mundo. Acho que ele ficaria tão feliz com esse debate como eu fiquei.
Li com gosto as respostas do Gabriel. Sempre cheias de uma lucidez e coerência raras. Não concordo 100% com as opiniões dele. Faz parte. Acredito que o importante é o respeito e nossa mesma certeza: quanto mais pessoas se disponham a olhar pra trás e trabalhar pra que a “balança” fique cada vez mais horizontal, mais esse país e essa sociedade vão evoluir para o que merecemos e PRECISAMOS que ele seja...
Estamos juntos nessa luta...
grande abraço pra você Gabriel e pra todos que frequentam o Afroências!
100% branco concordando.
Gde Gabriel!
Fantástico, Gaba! Parabéns por criar esse espaço, que de tão bom atrai gente como o Marcelo, pronto para debater com respeito e inteligência. Parabéns a ele também. Como pequena contribuição, indico esse texto recente da New Yorker (http://www.newyorker.com/talk/comment/2009/08/10/090810taco_talk_sanneh) que fala um pouco desse suposto racismo de brancos contra negros. Tem um trecho ali que é lapidar e completa o que você escreveu: "Racism, the argument goes, should not be thought of as a personal failing; it’s a social system, with a specific history"
abração,
Gil
Bom para mim esse negócio de preto ou branco é uma idiotice, todos nós somos iguais.
Se eu sair na rua com uma camisa 100% negro eu sou bacana... se eu sair com uma 100% branco eu sou racista, se eu sair com uma 100% oriental sou sem garantia...
Bom, para nós o certo seria algo do tipo, 20% branco, 20% negro, 20% indio, 20% oriental, 20% passividade.
Olha só, eu sou ruivo, branquelo mesmo... e acredito que se eu saisse na rua com uma camiseta escrito "100% branco", seria chamado de racista. Aliás, no Brasil não existe 100% nada... em lugar nenhum do mundo, muito menos aqui.
Até aquela "música" do Rappa pode ser considerada racista contra os negros por causa dessa história do "banho de piche", que já faz parte do anedotário anti-negro.
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