
Ai, o desfile da Neon na São Paulo Fashion Week foi lindo! Trouxe caftãs, macacões, vestidos, blusas, saias de modelagens amplas, estampas étnicas, listas prestas e vermelhas... Tudo isso eu copiei de um site especializado porque, desculpem a ignorância, não entendo bulhufas de moda. Mas sei que a grife de Dudu Bertholini e Rita Comparato (famosos quem?) aderiu às cotas. Festa pra eles!
Mas o que me chamou atenção mesmo foi a caretice do desfile: todas as modelos estavam cobertas de pano da cabeça aos pés. Pô, o barato de primavera verão é ver mulher pelada, né? Pois na única mulher pelada que vestiu Neon, não achei lá muita graça. Pode parecer coisa de negrão perseguido, mas por que a modelo Malana - cujo único desfile na SPFW foi esse - apareceu na passarela de bunda de fora? Se a bunda de fora fosse o mote do desfile, vá lá. Mas a nega foi nádega solitária!
Não posso afirmar nada categoricamente, mas achei que essa parada ficou com cara de provocação. Algo do tipo: "Obrigaram a gente a colocar preto, pois olha lá o que a gente faz com seus pretos!". Corda na bunda de preto só me lembra uma coisa e me desculpem se meu pensamento for estreito:











30 Comments:
tbm tive a impressão de que foi uma "provocação", no mínimo. "Olha só como somos ousados, temos uma negra na passarela e de bunda de fora."
Não sei se a intenção foi essa, consciente ou inconscientemente, mas o fato é que a moça foi bastante corajosa. Entrou segura, chocou, segurou a bronca, saiu aplaudida (dizem os blogs, eu não vi) e agora está curtindo seus minutos de fama. E detalhe: ela desfilou na marquise do Ibirapuera (praticamente na rua!)
Acho q as fotos dizem muito...
xiii... complicado hein? consciente ou inconsciente, a atitude merece mesmo uma reflexão. pensando bem, com tudo o que poderia despertar de comentários ou ilações, quem bolou isso foi no mínimo ingênuo. e como é muito difícl acreditar em ingenuidade nesse meio, acho que foi provocação sim! também sou ignorante completo em SPFW - nunca fui e nem pretendo; da mesma forma, não leio blogs ou matérias sobre o tema. fica a pergunta: alguém comentou isso?
É, Marina. As perguntas que eu me faço são: Por que só ela?; e por que logo agora, no meio da polêmica das cotas?
Um outro detalhe em que pensei agora e que pode dar pano pra manga do movimento negro é o fato de que, tradicionalmente, os negros só são escalados para os desfiles de Primavera/Verão. Isso porque dizem que nós temos "mais a ver" com o verão, o calor; enquanto a pele branca combina com o inverno, os casacões. Esse modelito da modelo corajosa é um exacerbação radical desse preconceito, né? Lembrando sempre que não é necessário ser consciente para ser racista...
Marcio, de acordo com a Marina, que foi quem me atentou para o fato, o bicho tá pegando na blogosfera. Dei uma pesquisadinha e parece que a bunda da mulher causou um rebuliço mesmo. Mas, evidentemente, não pelo aspecto racial. Trataram da bunda, mas como se fosse incolor. E como tem sido praxe na cobertura de moda, ignoraram a questão das cotas no SPFW.
Aliás, nem recomendo que você vá no SPFW porque é um negócio chato, viu? Eu estive lá algumas vezes já... Bom é que tem cerveja de graça na sala de imprensa!
Gagabirô
e cadê o template outono/inverno que você prometeu?
Agora sério, como o Márcio, não consigo ficar com o espírito desarmado, parece que cada detalhe nessa parada, ou melhor, desfile, é de caso pensado, ainda mais uma bunda ao léu. Não estou seguindo as repercussões mas pela foto, dá para garantir que é uma bunda legítima e sem celulites.
Gabriel, não tem um pouco aquela coisa de que quando a gente é obrigado a reprimir um preconceito aqui ele reaparece, pluft!, em outro lugar?
O que me evocou a bunda negra sobressaltada pelos estilistas branquelinhos foi aquele outro preconceito associativo mais que comum, do Brasil = samba + carnaval + favela + futebol + bunda da mulata... Algo meio assim: ok, vocês venceram (este round), colocamos uns negros aqui, mas não se esqueçam, é assim que a gente (branca) vê e compreende os negros. Tua associação com o escravo no tronco não tem nada de casual, né?
Ah, só mais uma coisa, já mudando de opinião em relação ao que eu escrevi no meu blog sobre a SPFW: eu concordo, estereótipos à parte, essa modelo da bunda de fora é de uma coragem fulminante!
Gabriel,
pensamos a mesma coisa. Não creio que foi provocação não, foi intencional mesmo.
Se eu fosse a modelo não aceitaria.
Bjs.
Poxa, Márcia... Como você viu, eu larguei mão do Afroências por um tempo. Shame on me. É que andei meio cabisbaixo, tava pensando se deveria continuar a escrever ou arrumar outra coisa pra fazer. Tipo assim, mil coisas! Hahahahahahaha
Verdade, abandonei o blog e, com ele, o projeto de remodelagem. O que me fez voltar para o Afro mesmo foram duas pessoas que comentam esse post: Marina e você. Marina porque me sugeriu essa bunda como pauta; e você pela oportuníssima referência no blog do nosso caro Pedro Alexandre Sanches. Senti que não tenho mais o direito de largar mão do Afroências, né?
Hoje, vou postar aqui os três finalistas do concurso. Durante o fim de semana, pretendo desenhar a página dentro dos novos visuais e pedir novamente a ajuda de vocês para eleger um novo Afro.
Quanto à bunda: sem celulites. Mas já vi melhores! Hahahahahahahaha
Verdade, Pedro. Enquanto o preconceito não morre - e ele nunca morre, não é? -, há de aparecer em outro lugar. O que me chama atenção neste caso específico é que me parece uma apologia do preconceito. É uma coisa deliberada.
Concordo que os estilistas se valeram do estereótipo para "protestar" a favor do racismo. Perfeita a sua analogia: "Negrada, vocês venceram uma batalha. A guerra está só começando".
Hehehehehehehehe! O tronco foi proposital!
Tbm não entendo nada de moda, mas sei que esse Dudu Bertholini faz parte da banca de jurados do "Brazil's Next Top Model", que passa na tv à cabo, sob o comando da Fernanda Mota (?!). Ah! E a Malana foi uma das meninas que participou do reality fashion, hehe! Não ganhou, mas destacou-se pelo seus traços "exóticos".
No fim acho que foi provocação mesmo!
beijos, Luisa.
Fátima, conforme se desenrolam os comentários, tendo a concordar com você: a bunda é deliberada.
Quanto à modelo, ainda não consegui formar uma opinião. De fato, ela foi corajosa, como dizem Marina e Pedro. Por outro lado, ela serviu meio de Pai Tomás, né? Mas toda a trama é complicada. O dilema que os estilistas puseram diante dela - que, pelas entrevistas que li dela, passou despercebido - remete a várias outras histórias. A primeira que me vem à cabeça é o caso dos primeiros atores negros a aparecer em Hollywood. Eles sempre recebiam papéis subalternos, profundamente estereotipados: eram Tias Anastácias, Jeremias Batuqueiros, Pais Tomás. É uma dicotomia dura: antes não existia oportunidade nenhuma; hoje tem essa, mas é humilhante. Você quer?
Aqueles primeiros abriram portas para outros que não tiveram de se humilhar. É o caso do Satchmo também, Louis Armstrong. Aquele sorrisão aflitivo dele era o único caminho para a aceitação do público branco. Ele era um negro manso, não assustava ninguém. Mas abriu caminho para que negros não tão mansos fossem amplamente conhecidos. Miles Davis é o maior exemplo deles. Se ele fosse frontman de uma orquestra nos anos 30, seria enforcado na árvore mais próxima do primeiro show que fizesse para brancos. A atitude dele era agressiva demais para os padrões...
Tudo isso para dizer que prefiro me ater aos motivos dos estilistas e não da modelo.
Pô, Luisa! Pra quem não entende, até que você entende bastante! Hahahahahaha
Gagabirô,
estou super emocionada de estar junto com a Marina na vanguarda dos que pedem que você mantenha a pipa do Afroências sempre voando lá no alto.
Sobre a celulite e tal, nada contra. Só quis dizer que no Brasa, em geral, bunda só é notícia quando pertence a modelo/atriz/dançarina/atleta, onde alguém acha alguma imperfeição e joga o nome da criatura na lama, ou quando é mega-bunda frutífera. Sobre a coragem da modelo, acho difícil ela ter tido escolha, sei lá.
Hahahahahahahaha! Adorei a bunda frutífera! Se bem que da frutífera bunda da Cadillac - que caminha para a terceira geração de renda própria - para as bundas frutíferas de hoje, já pintaram até bundas ovas-de-peixe!
Nada contra a bunda da modelo... Era só uma brincadeira de mau (péssimo) gosto!
pra falar a verdade, deixando temporariamente de lado toda e qualquer implicação sociológica e política, achei a bunda em questão bem assim... marromêno.
Neil tava só esperando a brecha... Hahahahahahahahahahahahahaha
Gabriel, eu ia falar que achei perfeita a hipótese de que os "mansos" abrem portas pros "não-mansos" (e que portanto teríamos a agradecer aos "mansos", ainda que eles nem soubessem o que fazem), mas concordo mais ainda com o que vem depois, e que inviabiliza a fixação na modelo: a questão mais relevante aqui não é a modelo, são os estilistas (e seus patrocinadores). a questão não é a negra no lance, são os brancos do lance.
Conheço muito maomenos o Dudu, ele parece ser um cara legal, e em termos visuais é certamente um tanto, er, incomum. De fato é uma pena se estiver expulsando as xoxotas, quero dizer, as chacotas de que deve ser vítima para a bunda da mulata...
Salve Gabriel,
Pô, se é por falta de incentivo pra seguir remando no barco do Afroências, cá venho estimulá-lo: não para não!
Esse lance da modelo Fashion Week, na minha opinião, dá margem a três tipos de pensamento:
Ela se sentiu obrigada a desempenhar um papel que para ela pode ser revoltante - transformando-se em mais um motivo de chacota da maciça engrenagem dos 'branquelos' -, motivada por um falso ideal de estar 'ousando nas passarelas';
Ou ela realmente pensou que estava ousando nas passarelas, emputecendo ainda mais os revoltosos negros que estavam nas portas do evento clamando contra o preconceito das cotas de negros nas passarelas;
Ou ela não estava nem aí, andou, pousou, tirou foto, foda-se, tudo lindo, divino, maravilhoso!
Entretanto, qualquer que possa ter sido a reação da modelo, causou uma indignação absolutamente válida para quem tem pele negra. No contexto absurdamente fútil da Fashion Week, seu desfile pode ser entendido como qualquer outra coisa, menos como algo 'ousado' e benévolo.
E é lá mesmo que o negro, infelizmente, é visto com inferioridade por sua cor - ao contrário do que se vê nas ruas: a cor se transformou em praga social por conta de generalidades!
Não sou bem o cara pra dizer isso, mas acho que deve haver uma reeducação sobre conceito de beleza nas academias de moda - principamente no quesito social. Deve-se repensar o conceito de igualdade nas passarelas.
Acho isso inaceitável!!!
Aqui é um branco repudiando a atitude dos outros brancos. A eles, digo: só lamento!
Gabriel,
Madame Dábliu teve uma visão: teu telefone iria tocaaaar!
Até manhã!
Salve, Tiago! Valeu pela força...
Esse lance que você falou sobre a reeducação do conceito de beleza me lembrou uma frase do Helder Dias Araújo, dono de uma agência só para modelos negras. Perguntei a ele na semana passada o que achava dos estilistas que diziam que as cotas eram uma afronta a sua liberdade artística. Na lata, o cara falou o seguinte: "Artista que não consegue criar com um modelo diferente não é artista. Que diferença faz a cor do cabide?" Achei do caralho!
Márcia! Vou receber uma convocação, é??
Pedro! Quase não vejo seu comentário aí no meio! Será que o cara tá projetando na nega sua própria frustração? Que vá num psicanalista, né?!
Gabriel,
Marcio vai ser meu cambono na convocação!
Tiago, eu acho que as coisas que passaram pela cabeça da modelo não são as mais importantes.
Creio que ela encarou como um trabalho. Assim, como o Ga disse dos papéis para atores negros em Hollywood e também na nossa Globo!
Foi o único desfile da moça no SPFW.
Vai saber se ela tá precisando da grana, se ponderou os prós e contras e achou que era melhor dar as caras (e, no caso, a retaguarda) no maior evento de moda do Brasil e causar a polêmica.
Para ela, acho que a coisa rendeu bem. Foi profissional, segura, entrou e fez um bom desfile. Se ela estivesse acanhada, seria outra coisa.
Quanto ao bumbum. Tbm achei marromêno, mas vi várias matérias de beleza do tipo: "a dona do bumbum perfeito", "quem é malana? saiba como ela faz pra ter o bumbum perfeito"...
Eu acho que no final o tiro saiu pela culatra. A moça se deu bem e pode até virar um ícone de beleza. Talvez hoje seja a modelo negra mais famosa no Brasil.
Perfeito, Marina! Assino embaixo!
Marina,
É, você está certa, concordo plenamente!
É a tal da ditadura do proletariado: "sobe lá, faz, se for destaque, melhor pra você!"
A modelo deve ter encarado dessa maneira. Aliás, qualquer modelo na pele dela também encararia...
Valeu pelas considerações, Marina e Gabriel!
Abraços!!!
Mas sua bunda não tá com essa bola toda, né, Tiago? Hahahahahahaha! Brincadeira! Valeu, parceiro!
Tá bom, vou dar uma de advogada do diabo...
Apesar de ter trabalhado um bom tempo com jornalismo de moda,(talvez exatamente por isso) não acompanhei essa edição da SPFW. Preguiça! No entanto, não tive como não ver a foto da bunda da Malana estampada nos mais diferentes veículos de comunicação, mas vamos começar pela Neon...
Dudu e Rita são conhecidos pela indiscutível capacidade criativa e vontade de chacoalhar uma moda que, há muito tempo, não emociona, nem surpreende (nem aos que se esforçam muito). Chata, repetitiva e completamente perdida, em vários sentidos. A marca da dupla também é conhecida pelos maiôs (começou como uma marca de moda praia, se não me falha a memória), caftãs, estampas e o batom vermelho! Acredito que, mesmo os que não entendem bulhufas de moda, concordarão que, depois de anos, não dá para inovar muito, nem causar estranhamento, encantamento ou o que quer que seja, em pouquíssimos centímetros de tecido...a não ser com uma certa dose de apelação, misturada a uma vontade indiscriminada de fazer algo um pouco diferente, que cause mesmo, chame a atenção.
Como a Luiza (bem) lembrou, Dudu foi jurado de um reality show para modelos no qual Malana participou. Ela, que tem uma história de vida sofrida pra caralho, caiu super nas graças dele, que tenho certeza que a julgava uma das melhores, senão a merecedora do (nem tão) grande prêmio.
Contextualização feita, lá vou eu: conhecendo um pouco a personalidade e o histórico da dupla Neon, acredito que o convite para o look mais polêmico de todos os desfiles pode ter motivações opostas às apresentadas nos posts anteriores. Dudu sempre gostou de Malana. Sabia que o tal maiô de cordas chamaria muito a atenção. Enxerga que a moça tem talento e um corpo lindo (na minha modesta opinião)e vê uma oportunidade de ajudá-la. Ou será que foi à toa que ela só entrou no casting da Neon? Além disso, vcs viram as modelos branquelas (como eu) que desfilaram alguns biquínis e maiôs? Festival de celulite, estrias e moleza. Desculpa, mas quem vive de imagem tem que cuidar muito bem dela, certo? Vcs podem até achar que a bunda da moça nem é nada demais, mas que não tem uma única marca, ah, isso não tem! Essa história das cotas é complicada e tal e concordo com muito do que foi dito, mas não dá para colocar todo esse peso, sem saber quais foram as motivações reais, em cima de apenas duas pessoas. Querem mesmo saber? Eles são apenas dois malucos (no bom sentido) que têm uma marca de sucesso e que amam o que fazem. Duvido muito que iriam expor desse jeito uma modelo com a história de Malana, apenas para propagar preconceitos e crueldade. Ahhh...a cultura africana, principalmente os grafismos e cores das estampas, passaram de inspiração a marca registrada da Neon. Fica aqui o meu convite a uma reflexão que leve em conta duas e não apenas uma única possibilidade/verdade! Beijos a todos e obrigada pelo espaço!
Antes de mais nada, quero agradecer de coração pelo seu comentário, Roberta. Discordâncias são coisa raríssima no Afroências... A galera que frequenta este espaço em geral tem opiniões muito próximas às minhas. E, embora o Afro tenha lá sua pompa e discuta temas que eu considero pertinentes (evidentemente!), ele não chega a ter fortes embates de ideias. Às vezes, temos uma discordanciazinha ou outra - Murillo com sua cota para gordos que o diga! -, mas até agora, ninguém expôs aqui uma ideia de fato antagônica às minhas. Até agora.
Embora esteja longe de ser um liberal, vou de Voltaire na resposta ("Não concordo com nada do que dizes, mas defenderei até a morte teu direito de dizê-lo"). De fato, não tenho o conhecimento dos backgrounds mercadológico e ideológico de Dudu Bertholini e Rita Comparato. Mas se eles são dois malucos (mesmo que no bom sentido) e quiseram promover a moça às palmas pelo sensacionalismo, pecaram. Pecaram por desconsiderar que todo pioneiro é representante de um grupo. Se o grupo é estigmatizado - como é o caso - tudo o que fizer esse pioneiro recai sobre o seu grupo. E este momento, em que os negros têm sido hostilizados na moda por forçar sua própria inserção, é excepcionalmente sensível. Você pode ser maluco à vontade, mas não ignorar os reflexos do seu pioneirismo.
Tomando por verdade os dados que você trouxe acerca dos estilistas, sou obrigado a desconsiderar a hipótese da provocação racista. O que me leva a crer que a coisa toda é uma tentativa torpe de promover a modelo. Como disse a Marina lá em cima, foi o que rolou: ela é provavelmente a modelo negra mais famosa do momento. Mesmo assim, a gente vive um momento de over informação em que a alienação é tão pecaminosa quanto o racismo deliberado. Não posso aceitar que um formador de opinião perpetue um estigma racista na tentativa de fazer o bem. E nesse caso, por causa do passado negro do povo negro, é o que acontece. Quando se coloca as modelos brancas vestidas e a preta nua, remete-se a um referencial imagético escravocrata. O mercado de escravos era assim: pretos nus, brancos vestidos. Todo o preconceito deliberadamente construído sobre o negro o trata como um ser subdesenvolvido, defasado tecnológica, ética e mentalmente - e isso tudo se traduz na nudez. Não é à toa que os negros vinham nus nos navios e eram vendidos também nus. Quem vive nu é coisa, é bicho. Por isso, as duas primeiras atitudes desumanizadoras dos traficantes eram despir os negros e marcar sua pele a ferro.
Eu não acho que esses estilistas tenham o direito de ignorar esses 500 anos de história opressora para promover uma única modelo. Por ingenuidade ou provocação, a modelo negra nua em contraste com as brancas vestidas compactua com estereótipos racistas.
Mais uma vez, muito obrigado pelo seu comentário! Volte sempre que o Afro está de portas abertas!
Rô, gostei muito do seu comentário e das informações que você trouxe. Eu assisti alguns capítulos do Brazil's Next Top Model, mas não lembrava dessa simpatia do Dudu pela Malana.
Acho que o objetivo de usar a Malana com aquele maiô foi chocar, ousar e ponto. Sem muitas discussões filosóficas, sociais e raciais. Muito provavelmente ele, Dudu, não quis humilhar nem desrespeitar a modelo. Mas essa atitude, nas condições em que discutimos aqui (em meio a polêmica das cotas, só ela com a bunda de fora e o corpo exposto daquele jeito) foi equivocada. E racista.
Em um país, com o famoso racismo velado, as pessoas podem ter atitudes racistas sem nem se darem conta disso.
beijos e saudades!!
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