“Racionais são racistas ao contrário”. Cansei de ouvir isso na minha vida. Desde que comecei a ouvir Racionais, no vinil “Holocausto Urbano”, escuto isso. Não tinha uma opinião formada naquela época. Em 1991, não tinha opinião formada sobre nada. Mas eu gostava daquele som, daqueles negrões com atitude, auto-respeito, orgulho. Era uma postura diferente, mais radical do que todas que eu conhecia. Aquilo era coisa que eu só tinha visto em americano.
“Racionais são americanizados”, era o que diziam daquela atitude toda. Mas o que não era americanizado no Brasil? A propaganda era americanizada, o sistema financeiro era americanizado, os playboys eram americanizados, a TV, tudo. A diferença é que os Racionais tinham encontrado o lado bom dos Estados Unidos, o lado da luta, do orgulho negro. Como disse Edi Rock, em “Voz ativa”, “Precisamos de um líder de crédito popular/ Como Malcom X em outros tempos foi na América/ Que seja negro até os ossos, um dos nossos/ Que reconstrua nosso orgulho que foi feito em destroços”. Isso, na minha mente torpe de criança, me parecia ser uma coisa muito legal.
Lembro de como eu fiquei triste, em 14 de outubro de 1994, dia do meu aniversário de 12 anos. Todos os netos da minha avó estavam reunidos, jogando conversa fora na varanda da casa dela, quando o Gabriel, meu primo mais velho chegou com uma notícia tensa: “Mano Brown morreu”. Ficamos atônitos, sem entender direito a dimensão daquela novidade macabra. No dia seguinte, soubemos que os Racionais tinham se envolvido em um acidente de carro, com vítima. Não era o Mano Brown. Mas vimos Edi Rock na TV, com cara de velório apanhando da mídia. Era difícil vê-los na TV, só mesmo quando era coisa ruim, pra desmerecer.
Mais uma etapa adiante, a mídia pintou os Racionais de pop. Tomaram de assalto os rádios de classe média e voltaram para cobrar o preço. Como disse Mano Brown, “Entrei pelo seu rádio e tomei, cê nem viu/ Nós é isso, aquilo, o quê? Cê não dizia?/ Seu filho quer ser preto, ah, que ironia!” E os críticos/assustados de outrora passaram a endossá-los como guerrilheiros silenciosos de uma revolução latente. Mais uma vez, não entenderam nada. Não entenderam que os Racionais são artistas e griots modernos – contadores de história, cronistas de uma São Paulo apocalíptica. Não são revolucionários, não são donos da verdade, não são o espelho de um mundo periférico.
Mais uma vez, são vítimas do preconceito. O racismo nunca foi às avessas. Se olharmos para a história dos Racionais, veremos que eles são sempre encarados com preconceito, bem ou mal intencionado. Nunca ninguém tem coragem de olhar para eles como os grandes artistas que são. O próximo preconceito, depois de “Mulher Elétrica”, um dos mais recentes singles de Brown, eu já posso prever: “Racionais ficaram amenos, domados, foram cooptados pelo sistema”. Nenhuma novidade. Já falaram isso de Bob Marley, de Malcolm X, de Luiz Inácio Lula da Silva, de Marcus Garvey... Pelo menos eles estão bem acompanhados.












4 Comments:
Gabriel meu broder, curti muito isso aqui viu..
achei por acaso e estou assimilando osmoticamente as ideias, muito bacana, ta de parabens!
qqer hora visita la o espaço www.riogroovefm.blogspot.com
é nosso tbm ! abraços!
Salve, Rocco, meu camarada! Que blog mais classudo, heim, rapaz? Não só já está nos meus favoritos como já está devidamente linkado aqui no Afroências! Tudo nosso, negrão! Firmeza, bora fechar essa corrente!
Aliás, o Jan Jan do Fabulous Counts já está rolando aqui no meu fone! E eu tenho uma dúvida: abri teu blog e tava rolando um samba-jazz finíssimo naquele PoLeMiCast. O que é aquilo, parceiro? Classe A demais! Valeu! E volte sempre. Abraço!
1.parte
REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA !
A COMUNIDADE NEGRA AFRO-LATINA BRASILEIRA
APOIA E É SOLIDARIA AO POVO PALESTINO.VIVA A PALESTINA!
Viva! Chàvez! Viva Che!Viva! Simon Bolívar! Viva! Zumbi!
Movimento Chàvista Brasileiro
Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada à elite mundial é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criaram-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo estes afro-ameríndios descendentes vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosa quantos as do 1º Mundo. O.N.N.QUILOMBO –FUNDAÇÃO 20/11/1970
quilombonnq@bol.com.br
2parte
REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA !
É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT e outros aos seus artistas, jornalistas, apresentadores e diretores e etc.
Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar a história dos nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Osvaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam. Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma,Rafael Correa, Fernando Lugo não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che,Viva MalcolnX ,Martin Luther King, Viva Osvaldão, Viva Fidel,Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma, Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva os Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil e de todos os povos irmanados.
O.N.N.QUILOMBO –FUNDAÇÃO 20/11/1970
quilombonnq@bol.com.br
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